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Hélio Doyle

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Os quatro azuis querem enfrentar Rollemberg no segundo turno

Hélio Doyle
 

O risco de Rodrigo Rollemberg (PSB) não ir para o segundo turno desagrada aos quatro candidatos a governador identificados com os grupos políticos de Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e Tadeu Filippelli. Rollemberg é, para todos eles, o candidato ideal a ser enfrentado na fase decisiva da eleição, em 28 de outubro, pois é o que mais facilmente será derrotado.

Ao mesmo tempo, os estrategistas dos quatro azuis – Alberto Fraga (DEM), Eliana Pedrosa (Pros), Ibaneis Rocha (MDB) e Rogério Rosso (PSD) – temem uma disputa entre dois deles. Os que ficarem de fora terão de decidir quem apoiar, em um processo complicado, e a campanha eleitoral no segundo turno certamente será pesada, com grandes possibilidades de ataques e denúncias.

As trocas de ofensas entre Ibaneis, Fraga e Rosso, nos últimos dias, já preocupam políticos e assessores do bloco azul, pois, se o clima de confrontos se acirrar, as alianças no segundo turno ficarão mais difíceis. Os três estão empatados tecnicamente e apenas na pesquisa do Ibope é que não estão também com Eliana. Isso aumenta, claro, a disputa entre eles.

As pesquisas mostram que a tendência é Rollemberg ser derrotado no confronto com cada um dos quatro, daí a preferência deles por tê-lo como adversário. Na pesquisa Metrópoles/FSB, o governador perde para Eliana (36% x 23%), Rosso (32% x 24%) e Fraga (29% x 25%) e empata com Ibaneis (26% x 26%). Na do Ibope, Rollemberg perde para Eliana (48% x 21%) e para Fraga (40% x 24%).

Futuras alianças
Enfrentando o governador, a possibilidade de os quatro se juntarem é grande, até porque têm as mesmas raízes políticas. Não será uma costura política fácil, como não estava sendo a formação da chapa em torno de Jofran Frejat.

Depois que ele desistiu da candidatura, o grupo se engalfinhou para manter uma única chapa, o que não foi possível. Houve disputa até pelo programa de governo de Frejat. Mas, no segundo turno, a expectativa de participação no possível futuro governo pode tornar as coisas mais fáceis.

Já se dois deles estiverem disputando, os outros dois terão de se posicionar, e a campanha poderá ser fratricida. Alguns dos que participam de campanhas azuis acham que, dos quatro, quem leva vantagem em um segundo turno entre eles é Ibaneis, que pode se descolar do grupo e tentar obter o apoio de eleitores que não querem a volta dos blocos de Roriz e Arruda. Ibaneis, apesar de estar no MDB, o partido comandado por Tadeu Filippelli, não tem passado vinculado a ele e aos ex-governadores.

Além disso, Ibaneis se coloca como oriundo da sociedade civil e tem boas relações, como advogado trabalhista, com dirigentes do PT e com sindicatos de trabalhadores e de servidores públicos. Pode estabelecer compromissos de governo com a centro-esquerda e com a esquerda e receber os votos dos que rejeitam Eliana, Fraga ou Rosso.

As estratégias das campanhas dos quatro azuis têm de levar em consideração não só as pesquisas, mas, também, os possíveis cenários futuros, para assegurar a passagem ao segundo turno com o mínimo de danos políticos que possam repercutir na fase final da eleição. E, afinal, não são eles que decidirão quem será o adversário.

 
 


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