Dólar sobe e Bolsa cai com PIB, decisão dos EUA sobre PCC-CV e guerra
Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,57%, cotado a R$ 5,031. Ibovespa fechou em baixa de 0,39%, aos 175 mil pontos
atualizado
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O dólar opera em alta, nesta sexta-feira (29/5), na última sessão da semana, em um dia no qual o mercado financeiro repercute dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e os desdobramentos da negociação entre Estados Unidos e Irã para o fim da guerra no Oriente Médio.
Os investidores também já começam a mensurar os eventuais impactos da decisão da Casa Branca de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), as duas principais organizações criminosas que atuam no Brasil, como grupos terroristas.
Dólar
- Às 11h14, o dólar subia 0,51%, a R$ 5,058.
- Mais cedo, às 10h17, a moeda norte-americana avançava 0,42% e era negociada a R$ 5,053.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,06. A mínima é de R$ 5,036.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,57%, cotado a R$ 5,031.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,61% em maio e perdas de 8,33% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), opera em forte queda no pregão.
- Às 11h17, o Ibovespa recuava 1,17%, aos 173 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em baixa de 0,39%, aos 175 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula recuo de 6,53% no mês e valorização de 8,66% no ano.
PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre
No primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB do país cresceu 1,1% frente ao quarto trimestre de 2025, na série com ajuste sazonal. O resultado veio praticamente em linha com a média das estimativas do mercado.
O resultado foi puxado pela agropecuária, que registrou uma expansão de 2% no período. Também houve altas na indústria (1%) e nos serviços (0,5%). Em valores correntes, segundo o IBGE, o PIB somou R$ 3,3 trilhões.
Na comparação com o 1º trimestre de 2025, o PIB do Brasil avançou 1,8%, com crescimento na agropecuária (0,7%), na indústria (1,6%) e nos serviços (2,1%).
O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, em um ano. A divulgação é feita trimestralmente pelo IBGE.
A estimativa do Banco Central (BC) para o crescimento da atividade econômica do país neste ano é de 1,6%. Já o Ministério da Fazenda projeta uma expansão mais otimista, de 2,3%. Para o mercado financeiro, o PIB do Brasil avançará 1,89% em 2026.
Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, ante crescimento de 3,4% em 2024.
Estados Unidos classificam PCC e CV como organizações terroristas
O Departamento de Estado dos EUA anunciou, nessa quinta-feira (28/5), que classificará as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
A medida faz parte da estratégia do governo do presidente Donald Trump de endurecer o combate ao crime organizado internacional e ampliar sanções contra grupos ligados ao narcotráfico.
Segundo o Departamento de Estado, as duas facções serão oficialmente incluídas na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) no dia 5 de junho.
Em comunicado, o governo Trump afirmou que PCC e CV estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e acusou os grupos de comandarem ataques contra policiais, servidores públicos e civis.
Segundo o Departamento de Estado, as redes das facções “se estendem muito além das fronteiras do Brasil” e afetam diretamente a segurança dos Estados Unidos.
“O governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e nossos interesses de segurança nacional, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo o fluxo de receita que financia narcoterroristas violentos”, afirmou a pasta.
Mercado mede impactos no Brasil
Especialistas consultados pelo Metrópoles avaliam que a classificação anunciada elo Departamento de Estado dos EUA pode fazer pressão sobre o Brasil, com instrumentos para a imposição de sanções e, eventualmente, até o uso da força.
Em comunicado oficial, a medida é anunciada tendo como base duas diretrizes legais norte-americanas. A primeira delas, a Ordem Executiva 13224, foi criada em 2001 pelo então presidente, George W. Bush, dias após o atentado terrorista de 11 de setembro ao World Trade Center.
O objetivo da determinação é sufocar financeiramente indivíduos ou grupos classificados como Specially Designated Global Terrorists (SDGT) – Terroristas Globais Especialmente Designados, em tradução para o português. O enquadramento é controlado pelo Departamento de Estado e pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
O decreto ainda dá aval para o governo norte-americano agir contra entidades ou pessoas envolvidas com os afetados pela lei. Sejam eles aqueles que fornecem “apoio, serviços ou assistência a terroristas e organizações terroristas designadas pela Ordem, ou que se associam a elas de qualquer outra forma, bem como suas subsidiárias, organizações de fachada, agentes e associados”.
Embora embasadas em diretrizes norte-americanas, o enquadramento é visto por analistas como o limite da interferência estrangeira no Brasil. Entre os riscos, a determinação pode influenciar instrumentos de investigação, cooperação internacional, sanções financeiras e até mesmo mecanismos de inteligência – o que causa um alerta no Itamaraty e no Palácio do Planalto.
No mercado financeiro, há preocupações em relação ao aumento de risco de dos custos para o setor bancário, além de segmentos como infraestrutura, energia, mineração, logística, agronegócio e a cadeia exportadora do país.
Irã diz que acordo com EUA não está concluído
A guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio também continua dominando as atenções do mercado. O regime iraniano negou que o memorando de entendimento para prorrogar por 60 dias o cessar-fogo com os EUA já tenha sido concluído. A informação, divulgada pela agência estatal iraniana Tasnim, contradiz a versão apresentada pelo governo norte-americano, que afirma que o acordo está finalizado e aguarda apenas o aval do presidente dos EUA, Donald Trump.
“Até este momento, o Irã não comunicou ao mediador paquistanês a finalização do texto. Caso seja de fato finalizado, o Irã comunicará o fato ao mediador paquistanês e ao público. Até que isso ocorra, qualquer narrativa de fontes ocidentais sobre a finalização do assunto não deve ser considerada válida”, afirmou uma fonte ligada ao governo iraniano e que participa das negociações.
A possível extensão do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril, ocorre em meio à escalada de tensão no Oriente Médio. Nos últimos dias, EUA e Irã trocaram ataques nos confrontos mais graves desde o início da trégua.
Segundo autoridades norte-americanas, o memorando prevê a garantia de navegação “sem restrições” pelo Estreito de Ormuz, sem cobrança de pedágios por parte do Irã. O bloqueio naval imposto pelos EUA a embarcações ligadas a portos iranianos também seria suspenso.
Caso Trump aprove o memorando, as partes deverão discutir, ao longo dos 60 dias de cessar-fogo, a questão do enriquecimento de urânio pelo Irã. Os EUA acusam o país persa de buscar o desenvolvimento de armas nucleares, enquanto o governo iraniano sustenta que o programa tem fins civis, voltados a áreas como medicina e geração de energia.