Dólar cai com negociação de acordo no Oriente Médio e economia dos EUA

Moeda americana recuou 0,57% sobre o real, cotada a R$ 5,03. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa, baixou 0,38%, aos 175 mil pontos

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 Imagem de notas de dólar norte-americano - Metrópoles - Foto: Yevgen Romanenko/Getty Images

O dólar recuou 0,57% sobre o real, cotado a R$ 5,03, nesta quinta-feira (28/5). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores (B3), fechou em queda de 0,38%, a 175 mil pontos, na terceira baixa seguida do indicador.

O movimento da moeda americana frente ao real foi embalado por notícias mais otimistas sobre negociações entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra. Essas informações apontam que representantes dos dois países produziram um memorando para prorrogar o atual cessar-fogo por 60 dias e iniciar conversas sobre o programa nuclear iraniano. O documento, contudo, ainda teria de ser aprovado pelo presidente Donald Trump.

Apesar da queda de tensão no front iraniano, os contratos futuros de petróleo fecharam em leve alta nesta quinta-feira, mostrando cautela por parte do mercado.  Ainda assim, os preços mantiveram-se abaixo dos US$ 100.

O barril de petróleo do tipo Brent, a referência internacional, fechou em alta de 0,49%, a US$ 92,70. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 0,25%, a US$ 88,90 por barril.

Além da questão geopolítica, os investidores também acompanharam a divulgação de novos — e importantes — dados sobre a economia americana. Eles tiveram peso expressivo sobre o comportamento dos mercados nesta quinta-feira (leia abaixo, emAnálise”).

Dados dos EUA

O Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, por exemplo, cresceu 1,6% em termos anualizados no primeiro trimestre deste ano, de acordo com a segunda estimativa feita pelo Departamento de Análise Econômica. O número ficou abaixo do esperado por economistas consultados pela Reuters. Eles previam um avanço de 2%.

Além disso, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) dos EUA, o dado de inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), subiu 0,4% em abril na comparação com o mês anterior. Isso depois de registrar alta de 0,7% em março, segundo o Departamento do Comércio do país. Os analistas previam alta de 0,5%.

Emprego no Brasil

No Brasil, os agentes econômicos acompanharam a divulgação de dados importantes sobre o mercado de trabalho. Em abril, houve uma criação líquida de 85.888 empregos formais no país, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O número ficou bem abaixo da mediana das expectativas do mercado, que indicava a abertura de 211.100 vagas. O resultado também foi inferior ao anotado no mesmo mês do ano passado, quando foram criados 238.216 postos de trabalho.

Em contrapartida, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) mostrou que o mercado de trabalho segue aquecido, com a taxa de desemprego em 5,6%, a mínima histórica para o período e renda recorde dos trabalhadores (R$ 3.732).

Bolsas no mundo

As bolsas europeias não se animaram com o eventual acerto entre EUA e Irã. O índice europeu Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, encerrou em queda de 0,44%. O DAX de Frankfurt caiu 0,34% e o CAC 40, de Paris, baixou 0,23%. Em Londres, o FTSE 100 perdeu 0,75%.

Em Wall Street, os principais índices operaram no azul, numa reação às informações sobre o conflito no Oriente Médio e aos resultados de balanços corporativos de empresas de tecnologia. As altas foram de 0,58%, no S&P 500; de 0,05% (o que representa estabilidade), no Dow Jones; e de 0,91%, no Nasdaq, que concentra ações de companhias do setor tecnológico.

Análise

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar passou a cair ao longo da sessão, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana, depois das notícias sobre o avanço nas negociações entre EUA e Irã, além de dados da inflação americana mais benignos.

“O movimento ganhou força depois do anúncio de que um possível acordo entre Washington e Teerã estava praticamente fechado, dependendo apenas da aprovação final de Donald Trump, o que reduziu parte do prêmio de risco geopolítico”, diz.

“Além disso, os números americanos trouxeram sinais divergentes para a economia dos EUA: o PCE, medida preferida de inflação do Fed, acelerou em ritmo menor que o esperado tanto no dado cheio (+3,8% a/a) quanto no núcleo (+3,3% a/a), enquanto o PIB do primeiro trimestre cresceu 1,6% em ritmo anualizado, abaixo dos 2% inicialmente estimados.”

O resultado, observa Shahini, pressionou os rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida americana) e enfraqueceu o dólar frente às principais moedas do mundo. “No Brasil, o real acompanhou o alívio do cenário externo e a melhora do apetite por risco, embora os ativos domésticos estejam mostrando uma reação mais contida em relação à melhora no cenário externo”, afirma.

Ibovespa

Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o mercado operou sem grande ânimo, sob efeito das “contradições do processo de acordo EUA-Irã e digerindo eventos domésticos como a PNAD Contínua e a evolução da PEC que acaba com a escala 6×1 no Congresso”.

“No Ibovespa, entre as maiores quedas, a Petrobras reage ao petróleo rodando perto de US$ 90. As ações caem acompanhando a baixa do petróleo”, diz. “Do lado positivo, Copasa subiu com notícias de privatização, enquanto a CSN avançou com a recompra de ações e a expectativa de venda de unidade de cimentos da empresa.”

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