Dólar sobe a R$ 5,06 com inflação acima do esperado e impasse no Irã
Moeda americana registrou alta de 0,66% frente ao real. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,39%
atualizado
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O dólar registrou alta de 0,66% sobre o real, cotado a R$ 5,06, nesta quarta-feira (27/5). Na véspera, a moeda americana já havia anotado elevação de 0,18% em relação à divisa brasileira. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores (B3), fechou em queda de 0,39%, a 175,9 mil pontos, também na segunda baixa seguida do indicador.
Mais uma vez a guerra entre os Estados Unidos e o Irã voltou a ser o principal vetor dos mercados de câmbio e ações. Nesta quarta-feira, depois de um breve momento de otimismo no início da semana, os investidores mantiveram-se desconfiados em relação às negociações de paz entre os dois países.
Apesar das incertezas, o preço do petróleo caiu no mercado mundial. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, fechou em queda de 4,57%, a US$ 92,25. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, recuou 4,96%, a US$ 89,23 por barril.
Inflação no Brasil
No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação. Em maio, ele subiu 0,62%, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o avanço foi de 4,64%.
Os números ficaram acima das previsões do mercado. As estimativas apontavam para uma taxa mensal de 0,53% (mas ela ficou em 0,62%) e, em 12 meses, de 4,55% (foi de 4,64%). Além disso, a taxa de 0,62% foi a maior para o mês de maio em dez anos, desde 2016 (quando ficou em 0,86%).
Em maio, os preços de alimentação e bebidas aumentaram 1,38%, após alta de 1,46% em abril. O grupo deu a maior contribuição positiva — de 0,30 ponto porcentual — para o IPCA-15 de maio, embora tenha caído na comparação com abril (0,31 ponto percentual).
Análise
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que o dólar operou em alta e permaneceu acima de R$ 5,00, refletindo um ambiente ainda defensivo diante da ausência de um acordo definitivo entre os Estados Unidos e o Irã.
“Apesar da queda do petróleo e de sinais pontuais de avanço diplomático, o mercado segue sensível ao risco de prolongamento do conflito no Oriente Médio, o que ainda mantém demanda por proteção”, diz o analista.
No Brasil, observa Shahini, o IPCA-15 acima do esperado reforçou a percepção de cortes mais graduais da Selic, enquanto pesquisas eleitorais recentes voltaram a adicionar ruído ao cenário local. “O movimento também foi amplificado por fatores técnicos de fim de mês, com antecipação de rolagens e ajustes de posição antes da formação da Ptax”, afirma.
A Ptax é uma média do preço do dólar em relação ao real, calculada pelo Banco Central. Ela serve de referência para contratos de câmbio. No fim do mês, empresas e investidores tentam influenciar o preço da moeda americana para que a média lhes seja favorável. Com isso, esses grupos vendem ou compram grandes quantidades de dólar para puxar o preço para cima ou para baixo, afetando a média final.