Dólar e Bolsa sobem com prévia da inflação e tensão no Oriente Médio
Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,18%, cotado a R$ 5,02. Ibovespa, por sua vez, recuou 0,69%, aos 176,5 mil pontos
atualizado
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O dólar opera em alta, nesta quarta-feira (27/5), com as atenções do mercado financeiro se dividindo entre a agenda doméstica de indicadores econômicos e a tensão geopolítica no Oriente Médio, com os conflitos entre Estados Unidos, Irã, Israel e Líbano.
No Brasil, o principal destaque do dia é a divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a “prévia” da inflação oficial no país.
Dólar
- Às 10h31, o dólar subia 0,45%, a R$ 5,05.
- Mais cedo, às 9h11, a moeda norte-americana avançava 0,39% e era negociada a R$ 5,046.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,061. A mínima é de R$ 5,032.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,18%, cotado a R$ 5,027.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,52% em maio e perdas de 8,41% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), opera em alta no pregão.
- Às 10h35, o Ibovespa avançava 0,39%, aos 177,2 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em queda de 0,69%, aos 176,5 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 5,74% no mês e valorização de 9,59% no ano.
Mercado repercute dados de inflação
Nesta quarta-feira, o maior destaque da agenda econômica nacional é a divulgação do IPCA-15, a chamada “prévia” da inflação no Brasil. Em maio, o indicador ficou em 0,62%, desacelerando em relação ao mês anterior, mas acima das estimativas do mercado.
No acumulado de 12 meses até maio, o IPCA-15 registrou variação de 4,64%, acelerando na comparação com abril e também acima das expectativas dos analistas. Com isso, o índice estourou o teto da meta de 12 meses, de 4,5%.
Em abril, segundo o IBGE, o IPCA-15 ficou em 0,89%, na base mensal, e 4,37%, no acumulado de 12 meses. Para maio, a média das projeções dos analistas do mercado apontava para variações de 0,53% (mensal) e 4,55% (anual).
Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação no Brasil para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ela será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma “prévia” do IPCA.
O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
Israel amplia ofensiva no Líbano
Os conflitos no Oriente Médio também continuam ditando o ritmo dos negócios nos mercados globais. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou, nessa terça-feira (26/5), que as Forças Armadas israelenses estão operando com “grandes forças em solo” no sul do Líbano e assumindo o controle de “áreas estratégicas” na região.
Na segunda-feira (25/5), Netanyahu já havia sinalizado que Israel intensificaria a ofensiva contra o Hezbollah. Uma autoridade americana também acusou o grupo de ignorar alertas para interromper ataques contra alvos israelenses.
O Hezbollah afirmou ter lançado drones explosivos, foguetes e ataques de artilharia contra tropas israelenses que avançavam em direção à cidade de Zawtar al-Sharqiya, no sul do país.
Mesmo com o cessar-fogo em vigor desde 16 de abril, Israel mantém operações militares no Líbano. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), ao menos 608 pessoas morreram no país durante o período de trégua.
Autoridades libanesas afirmam que o número total de mortos desde 2 de março, quando o Hezbollah iniciou ataques em resposta à morte do líder iraniano Ali Khamenei, chegou a 3.213. Outras 9.737 pessoas ficaram feridas.
Do lado israelense, os militares afirmam que ataques com drones explosivos realizados pelo Hezbollah mataram ao menos 11 soldados desde o início do cessar-fogo.
Netanyahu ignora cessar-fogo
Netanyahu ignorou o cessar-fogo em vigor e ordenou a ampliação dos ataques contra posições do Hezbollah no Líbano. A medida foi anunciada nessa segunda-feira (25/5).
Em comunicado divulgado no Telegram, Netanyahu afirmou que a ofensiva tem como objetivo “esmagar” as forças do grupo libanês. “Eu ordenei uma aceleração ainda maior de nossas operações”, declarou o premiê israelense.
Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã, o Líbano voltou a ser afetado diretamente pelo conflito regional. Em apoio a Teerã, o Hezbollah intensificou ataques contra o território israelense e passou a ser alvo de novas ofensivas das Forças de Defesa de Israel.
Em 16 de abril, o governo norte-americano anunciou um cessar-fogo de dez dias no Líbano, coincidindo com a trégua firmada entre EUA e Irã. O acordo foi prorrogado no fim de abril por mais 45 dias, mas os bombardeios entre Israel e Hezbollah continuaram mesmo durante a trégua.
Israel diz ter matado chefe militar do Hamas
As Forças de Defesa de Israel informaram ter matado o chefe da ala militar do Hamas, Mohammed Odeh, em um ataque no norte de Gaza, na terça-feira.
“Como parte de sua função, foi responsável por planejar e coordenar os alvos de infiltração e ataque dos terroristas do Hamas durante o massacre de 7 de outubro”, diz o comunicado.
Segundo o exército israelense, Odeh assumiu o cargo, há cerca de uma semana, de chefe da ala militar do Hamas após a eliminação de Izz al-Din al-Haddad. O integrante do Hamas foi morto em 16 de maio em um ataque aéreo de Israel.
Os ataques têm ocorrido mesmo com o cessar-fogo, em vigor desde outubro. De acordo com comunicado do gabinete do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, Odeh era chefe do estado-maior de inteligência do Hamas durante o ataque de 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra.