IBGE: prévia da inflação, IPCA-15 desacelera para 0,62% em maio

No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,64%, ante os 4,37% observados nos 12 meses imediatamente anteriores

atualizado

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1 de 1 inflação mercado supermercado produtos alimentos compras preços 7 - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, aponta que os preços de bens e serviços subiram 0,62% em maio — em abril, o índice havia avançado 0,89%. Os preços dos itens de alimentação e bebidas foram os que tiveram a maior alta no mês (1,38%) e também os com maior impacto no índice. O grupo habitação também pesou por causa da conta de energia.

Os dados referentes ao IPCA-15 foram divulgados nesta quarta-feira (27/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado de 12 meses, a prévia da inflação tem alta de 4,64%, índice maior do que os 4,37% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a maio de 2025, quando o índice registrou variação de 0,36%, houve alta de 0,26  ponto percentual.


O IPCA-15

  • O IPCA-15 difere do IPCA, que mede a inflação oficial do país, na abrangência geográfica e no período de coleta, que começa no dia 16 do mês anterior. Por essa razão, ele funciona como uma prévia do IPCA.
  • O indicador coleta dados sobre as famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Ele abrange: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Brasília e Goiânia.
  • A próxima divulgação será no dia 25 de junho.

Destaques IPCA-15

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 16 de abril a 15 de maio de 2026 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 18 de março a 15 de abril de 2026 (base).

Os produtos e serviços que compõem o IPCA-15 são divididos em nove grupos. Dos nove, apenas transportes teve variação negativa, de 0,33%. Os outros oito apresentaram altas que variaram de 0,01% (educação) a 1,38% (alimentação e bebidas).

O grupo com maior impacto na inflação foi o de alimentação e bebidas, com elevação de 1,38% de abril para maio. O peso no IPCA-15 varia de um grupo para outro, ou seja, não é igual. Isso acontece porque o IBGE considera que alguns itens são mais consumidos pelas famílias do que outros.

Neste mês, o maior índice também correspondeu à maior contribuição. A alta de 1,38% em alimentação e bebidas respondeu por 0,30 ponto percentual de todo o índice (0,62%).

A alta do grupo de alimentos foi puxada principalmente pela alimentação no domicílio, que desacelerou levemente de abril (1,77%) para maio (1,73%). Os itens que mais contribuíram foram:

  • batata-inglesa (26,29%);
  • tomate (12,97%);
  • leite longa vida (6,07%); e
  • carnes (1,98%).

Ainda no grupo de alimentação e bebidas, houve retrações, casos da maçã (-2,32%) e do café moído (-2,09%).

O segundo grupo com maior elevação foi o de habitação, com alta de 1,03% e impacto de 0,15 ponto percentual no índice.

O destaque em habitação foi a elevação de 2,16% na energia elétrica residencial, sendo este o principal impacto individual no grupo.

A elevação na conta de energia tem relação com a entrada em vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$1,885 a cada 100kWh consumidos. Também entram na conta os reajustes tarifários nas seguintes localidades: Fortaleza, Salvador e no Recife.

Variação de cada grupo em maio:

  • Alimentação e bebidas: 1,38%;
  • Habitação: 1,03%;
  • Artigos de residência: 0,21%;
  • Vestuário: 0,36%;
  • Transportes: -0,33%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,05%;
  • Despesas pessoais: 0,50%;
  • Educação: 0,01%;
  • Comunicação: 0,36%

Projeções anuais

Segundo o relatório Focus, as previsões indicam que o IPCA fechará o ano em 5,04%.

Em 2026, a meta inflacionária é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual (com piso de 1,5% e teto de 4,5%). Se o acumulado em 12 meses ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida.

O governo projeta que a inflação ficará em 4,5%, em 2026, e o Banco Central (BC) considera o índice de 3,9%.

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