Com guerra, BC sobe projeção da inflação para 3,9%; PIB fica em 1,6%
Dessa forma, o Banco Central segue na estimativa de que a perspectiva de crescimento do PIB deste ano será menor do que a de 2025 (2,3%)
atualizado
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O Banco Central (BC) elevou a projeção da inflação em 2026 de 3,5% para 3,9%, diante da guerra no Oriente Médio. As informações fazem parte do Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado nesta quinta-feira (26/3).
Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a projeção foi mantida em 1,6%, a mesma que havia sido divulgada no último relatório, em dezembro de 2025.
Relatório de Política Monetária
- No ano passado, o BC anunciou a mudança na nomenclatura do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), agora Relatório de Política Monetária (RPM). Segundo a autoridade monetária, a mudança ocorre para se alinhar com “a prática internacional”.
- Os moldes do Relatório de Política Monetária são os mesmos do Relatório de Inflação.
- O RPM reúne as decisões de política monetária adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), bem como o desempenho da nova sistemática da meta inflacionária, as considerações sobre a evolução do cenário econômico e as projeções para a inflação.
- A partir deste ano, o BC deve divulgar, até o último dia útil de cada trimestre, o relatório de política monetária. A última edição ocorreu no dia 18 de dezembro de 2025.
As mudanças nas projeções do Banco Central são atribuídas principalmente aos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e demais reflexos na economia.
“As condições financeiras ficaram mais restritivas desde o relatório anterior, refletindo principalmente os grupos petróleo e risco. Como medido pelo Indicador de Condições Financeiras (ICF), calculado pelo BC, as condições financeiras chegaram em meados de março de 2026 em níveis mais restritivos do que os de dezembro de 2025. A elevação do ICF desde o último Relatório decorreu principalmente do aumento do preço do petróleo e do Chicago Board Options Exchange Volatility Index (VIX)”, diz trecho do relatório.
O VIX é um indicador financeiro que observa as condições de mercado em curto prazo e é popularmente chamado de “Índice do Medo”.
No relatório, o Banco Central considera que o prolongamento do conflito pode provocar um “choque de oferta”, afetando os preços e também o crescimento econômico.
“O novo conflito no Oriente Médio causou volatilidade, incerteza e aversão a risco nos mercados. Os preços do petróleo, do gás e de outros produtos subiram e permaneceram instáveis desde o início do conflito. Se o trânsito pelo Estreito de Ormuz continuar interrompido por tempo prolongado, ou se o conflito ganhar contorno regional, o impacto sobre os preços e sobre a atividade econômica pode ser significativo e duradouro”, aponta o BC no RPM.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo que funciona como importante rota de produtos variados do comércio global. Por ele, passam de 20% a 25% do petróleo produzido no mundo.
O Banco central considera que o preço do barril do petróleo tipo brent – referência no mercado internacional-, que hoje supera os US$ 100, deve ficar em US$ 86 no segundo trimestre deste ano, recuar para US$ 77 no quarto trimestre e, em seguida avançar com taxa de 2% ao ano.
Outros aspectos
O RPM desta quinta considera que as contas públicas terão uma “melhora gradual”, ou seja, deve haver, por parte do governo federal, um controle mais efetivo sobre as despesas.
O cenário hídrico também é observado pelo Copom para a elaboração do RPM, pois ele influencia no preço da energia e, consequentemente, nos índices de inflação e produção agrícola, com reflexo no crescimento do PIB. Quanto a este aspecto, não houve alteração em relação ao relatório anterior. O Banco Central fez uma projeção sobre as bandeiras tarifárias da energia elétrica.
“Para 2026 o detalhamento mensal é o seguinte: bandeira verde até abril, amarela em maio, vermelha 1 em junho e julho, vermelha 2 em agosto e setembro, vermelha 1 em outubro e novembro e amarela em dezembro”, pontua.
Está marcada para as 11h desta quinta, uma entrevista coletiva com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, na sede da instituição, para comentar o relatório.
Inflação e Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 15% para 14,75% na última reunião, encerrada no último dia 18.
O colegiado seguiu a previsão da reunião de janeiro deste ano. No entanto, não deu sinais sobre os próximos passos para a Selic. O Copom apontou que o cenário teve as incertezas aumentas por causa do Conflito no Oriente Médio e elevou as preocupações com a inflação.
- Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
Projeções do mercado financeiro
Os analistas do mercado financeiro esperam que o PIB do Brasil cresça 1,84% neste ano. Os dados estão presentes no relatório Focus mais recente, publicado nessa segunda-feira (25/3).
Confira as projeções de crescimento do PIB para:
- 2026: é de 1,84%.
- 2027: está em 1,80%.
- 2028: continua em 2%.
O governo Federal acredita em elevação do PIB de 2,3% neste ano.
