Dólar recua e Bolsa bate recorde, apesar de incertezas sobre a guerra
Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 1,01%, cotado a R$ 5,103, menor valor em 2 anos. Ibovespa voltou a bater recorde histórico
atualizado
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O dólar operava em baixa, nesta quinta-feira (9/4), em meio a um ambiente de novas incertezas sobre os desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel no Oriente Médio.
Após um dia de alívio e tranquilidade nos mercados com o anúncio do cessar-fogo entre norte-americanos e iranianos, os investidores foram surpreendidos pelo novo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e por ataques de Israel contra o Líbano que reacenderam o temor de uma escalada da guerra na região e, por tabela, elevaram os preços internacionais do petróleo.
O Estreito de Ormuz é canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Dólar
- Às 10h53, o dólar caía 0,49%, a R$ 5,078.
- Mais cedo, às 10h24, a moeda norte-americana recuava 0,26% e era negociada a R$ 5,09.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,106. A mínima é de R$ 5,075.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 1,01%, cotado a R$ 5,103, o menor valor em quase dois anos.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,47% em abril e de 7,03% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta no pregão e renovou novamente sua máxima histórica intradiária.
- Às 10h59, o Ibovespa avançava 1,09%, aos 194,2 mil pontos.
- Mais cedo, o índice bateu seu novo recorde intradiário, cravando 194.537,07 pontos.
- No dia anterior, o indicador encerrou o pregão em alta de 2,09%, aos 192,2 mil pontos, novo recorde histórico de fechamento.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,55% no mês e de 19,31% no ano.
Irã volta a fechar Estreito de Ormuz
O tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz despencou nas primeiras 24 horas após o anúncio do cessar-fogo entre EUA e Irã, em meio à retomada das tensões no Oriente Médio. De acordo com balanço divulgado nesta quarta-feira pela mídia estatal iraniana, apenas três embarcações conseguiram atravessar a rota estratégica no período.
Nas primeiras horas do dia, dois petroleiros iranianos e um navio da frota chinesa cruzaram o estreito sem incidentes. No entanto, a expectativa de continuidade do fluxo foi frustrada após a intensificação dos ataques de Israel ao Líbano, apontada por autoridades iranianas como violação do cessar-fogo.
Os ataques foram descritos por autoridades libanesas como a maior onda de bombardeios desde o início do conflito, resultando na morte de mais de 200 pessoas. A capital, Beirute, foi a área mais atingida, concentrando a maior parte das vítimas.
Com isso, o tráfego marítimo foi interrompido. Um navio que planejava atravessar o estreito ao meio-dia chegou a mudar de rota e retornar antes da travessia, diante do aumento dos riscos na região.
Ainda nesta quinta, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que todos os navios, aeronaves e militares do país permanecerão em seus postos até que o Irã cumpra integralmente o “acordo verdadeiro”.
“Se, por algum motivo, isso não acontecer, o que é altamente improvável, então o ‘tiroteio’ começará, maior, melhor e mais forte do que qualquer um jamais viu”, escreveu Trump na Truth Social.
Em outra publicação, Trump acusou a imprensa norte-americana de divulgar um plano falso de dez pontos sobre as negociações com o Irã. “Todos os dez pontos eram uma farsa inventada”, disse. O plano, no entanto, foi divulgado inicialmente pela mídia estatal iraniana.
Israel diz que manterá ataques ao Líbano
O Ministério das Relações Exteriores de Israel, por sua vez, afirmou que o país vai manter os ataques ao Líbano com o objetivo de destruir o Hezbollah. Em publicação nas redes sociais, o órgão criticou autoridades libanesas por não impedirem ações do grupo contra o território israelense.
“O presidente e o primeiro-ministro do Líbano não têm vergonha em atacar Israel por fazer o que eles deveriam ter feito: atacar o Hezbollah. Eles não desarmaram o Hezbollah, não impedem que disparem contra Israel. Eles mentiram quando afirmaram que haviam desmilitarizado a área até o Litani. Agora, nós devemos fazer isso no lugar deles. É hora de começar a agir contra o Hezbollah. Em atos, não em palavras. E se vocês são incapazes de fazer isso – pelo menos não atrapalhem”, diz a publicação.
As Forças de Defesa de Israel informaram ter realizado mais de 100 bombardeios em poucos minutos, alegando que os alvos eram estruturas do Hezbollah.
Trump volta a ameaçar o Irã com “tiroteio maior e mais forte”
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a fazer ameaças contra o Irã. Em publicação nas redes sociais, o chefe da Casa Branca declarou que o país está preparado para um “tiroteio maior e melhor” caso o Irã não cumpra integralmente os termos do “verdadeiro cessar-fogo”.
“Se, por algum motivo, isso não acontecer, o que é altamente improvável, então, o ‘tiroteio’ começará, maior, melhor e mais forte do que qualquer um jamais viu”, escreveu Trump no Truth Social.
Após mais de um mês do aumento das hostilidades no Oriente Médio, EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas. Além de uma trégua nos ataques, as negociações previam a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em menos de 24 horas, contudo, a pausa foi colocada em xeque pelo Irã. Membros da Guarda Revolucionária Iraniana alegaram para mídias estatais locais que o cessar-fogo estava sendo revisto após Israel, que também aderiu à trégua, continuar atacando o Líbano.
Análise
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, observa que o PCE, medida de inflação favorita do Federal Reserve (Fed) nos EUA, mostrou uma variação de preços dentro do esperado, registrando alta de 0,4% e de 2,8% no acumulado em 12 meses. “O núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis, subiu 0,4% ante janeiro e 3% na variação anual, também em linha com as estimativas do consenso de mercado”, destaca.
“O dado, que não demonstrou grandes variações dos combustíveis, é anterior ao início do conflito, o qual se iniciou no dia 28 de fevereiro. Amanhã, outro indicador de inflação, o CPI, trará os dados de março e tende a capturar o efeito inflacionário do fechamento de Ormuz”, ressalta Zogbi.
Mesmo assim, observa a economista, “os dados do PCE trazem uma informação valiosa, embora já conhecida: a inflação americana segue bem acima da meta de 2%, antes mesmo de qualquer choque nos combustíveis”.
“A inflação subjacente nos EUA segue pegajosa, acima da meta de 2%, mesmo em um cenário em que o mercado já precifica o impacto de choques geopolíticos e tarifários ao longo de 2026, e há risco de novos incrementos conforme pressões de custos e salários se mantêm em patamares mais elevados”, afirma.
“O fato de o PCE de fevereiro não capturar o choque mais amplo do fechamento de Ormuz reforça a visão de que o Fed ainda opera num ambiente de ‘inflação residual’, em que o núcleo já está acima da meta antes mesmo de o impacto de petróleo e frete se propagar integralmente para serviços e manufatura. Nesse viés, o CPI de março pode vir mais forte, com margem de reação adicional para o mercado de juros caso a leitura mostre aceleração tanto nos bens quanto nos serviços, mantendo a pressão sobre o duplo mandato do Fed em um contexto de crescimento moderado e desemprego ainda restrito”, conclui.
