Netanyahu mantém ofensiva no Líbano e ameaça retomar guerra com Irã
Premier de Israel, Benjamin Netanyahu afirmou que cessar-fogo é temporário, e não inclui ataques ao Líbano
atualizado
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (8/4) que o país ainda tem objetivos a cumprir contra o Irã e que está preparado para retomá-los, seja por meio de negociações, seja pela continuidade das operações militares. Ele também reforçou que o cessar-fogo não inclui operações no Líbano.
A declaração ocorre após o anúncio de um cessar-fogo temporário de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, que conta com participação israelense.
Em discurso, Netanyahu destacou que a trégua não representa o fim da campanha militar. “Estamos preparados para retornar ao combate a qualquer momento, se necessário. Nosso dedo está no gatilho”, ressaltou.
Segundo ele, o acordo foi estabelecido em “plena coordenação com Israel”, e não pegou o país de surpresa.
O premier sustentou que o Irã entra nas negociações enfraquecido e que Israel seguirá pressionando para alcançar seus objetivos estratégicos, incluindo o desmonte do programa nuclear iraniano.
Netanyahu acrescentou que a retirada de urânio enriquecido do território iraniano ocorrerá “por acordo ou pela retomada dos combates”.
Trégua limitada e divergências
- Netanyahu reforçou que a trégua anunciada por Donald Trump na noite de terça-feira (7/4) não inclui operações no Líbano, onde Israel intensificou ataques contra o Hezbollah.
- Segundo autoridades israelenses, a ofensiva desta quarta-feira foi a maior desde o início do conflito, com mais de 100 alvos atingidos.
- Bombardeios foram registrados em Beirute e em outras regiões do país, enquanto ordens de evacuação foram emitidas para diferentes áreas.
- Autoridades libanesas informaram que ao menos 254 pessoas morreram e mais de 830 ficaram feridas nos ataques mais recentes, ampliando a pressão internacional por contenção.
- A exclusão do Líbano do acordo, no entanto, é alvo de controvérsia.
- O governo do Paquistão — mediador das negociações — e o Irã indicam que o cessar-fogo deveria abranger todas as frentes do conflito.
A continuidade dos ataques levou o Hezbollah a pedir contenção e alertar para possíveis desdobramentos. Já o embaixador do Irã na ONU afirmou que novas ofensivas israelenses podem agravar ainda mais a situação e gerar consequências regionais.
Apesar do cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã, o cenário segue instável. O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA já havia indicado que a trégua é apenas uma pausa temporária, com forças prontas para retomar operações se necessário.
Ele destacou ainda a cooperação com os Estados Unidos, classificando a parceria como histórica e decisiva.
“Esta não é o fim da campanha, mas uma parada no caminho”, disse. “Alcançaremos todos os nossos objetivos.”





