Dólar cai a valor de 2024 e Bolsa bate dois recordes com trégua no Irã
Moeda americana recuou 1,01% frente o real, a R$ 5,10. Já o Ibovespa superou patamares históricos no fechamento e durante a sessão
atualizado
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O dólar registrou forte queda de 1,01% frente ao real, cotado a R$ 5,10, nesta quarta-feira (8/4). Essa é a cotação mais baixa da moeda americana desde maio de 2024 – em quase dois anos, portanto. Na mínima do dia, ela chegou cair até R$ 5,06.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 2,09%, aos 192.201,16 pontos, um novo recorde, superando os 191.440,40 pontos obtidos em 24 de fevereiro deste ano. Às 10h13, porém, o indicador bateu em 193.759,02 pontos, um patamar também histórico alcançado durante uma sessão (no “intraday”, como se diz no jargão).
A festa nos mercados de câmbio e ações foi resultado do cessar-fogo entre os Estados Unidos e Irã. O anúncio de uma pausa nos combates, com duração prevista de duas semanas, foi feita pelo presidente americano, Donald Trump, na noite de terça-feira (7/4), depois de o republicano ter alardeado que poderia dar cabo de uma civilização, com ataques maciços contra alvos iranianos.
De pronto, os preços do petróleo desabaram. Nesta quarta-feira, o barril com contrato para junho do tipo Brent, referência para o mercado internacional, fechou com recuo de 13,29%, a US$ 94,75. O West Texas Intermediate (WTI) para maio, que é negociado nos Estados Unidos, terminou a sessão em queda de 16,41%, a US$ 94,41. Ainda assim, os valores não retornaram ao patamar pré-guerra, quando estavam em torno de US$ 70.
Bolsas globais
As bolsas de valores globais reagiram de forma especialmente positiva ao cessar-fogo, embora ao longo do dia tenham surgido diversas denúncias de violações da trégua. O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em alta de 3,88%. Em Frankfurt, o DAX disparou 5,06% e, em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão com ganhos de 2,51%. O CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou o dia em elevação de 4,49%.
Nos Estados Unidos, deu-se o mesmo. Os principais índices de Nova York subiram forte. Os avanços foram de 2,51% no S&P 500, de 2,85% no Dow Jones e de 2,80 no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Análise
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o enfraquecimento global do dólar favoreceu moedas emergentes de forma ampla, com o real se destacando pela combinação de fluxo de recursos para a Bolsa e manutenção de diferencial de juros real elevado frente aos pares.
“O câmbio operou próximo das mínimas recentes ao longo de toda a sessão, em movimento marcado pelo encerramento de posições defensivas e realocação para ativos de risco”, diz.
Ibovespa
O Ibovespa, observa o analista, fechou com mais de 90% dos papéis em alta e avanço disseminado entre setores. “O principal vetor foi o recuo acentuado da curva de juros local — acima de 50 pontos básicos nos vértices médios —, puxado pela queda do petróleo e pela melhora do cenário externo”, afirma. “Ações domésticas sensíveis a juros lideraram os ganhos: varejo, construção e educação foram os destaques. Os bancos acompanharam a melhora das condições financeiras e a Vale avançou sustentada por fluxo, mesmo com o minério em queda no exterior.”
A exceção foi o setor de petróleo. “A Petrobras recuou de forma significativa com o colapso internacional da commodity, mas sem contaminar o movimento do Ibovespa, que refletiu rotação clara para ativos domésticos, encerrando próximo das máximas do dia”, diz Shahini.
