Ataques ao Líbano fazem Irã ameaçar romper cessar-fogo e fechar Ormuz
Ataques no Oriente Médio colocam em risco cessar-fogo com os EUA e rota estratégica do petróleo
atualizado
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A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o país pode romper o cessar-fogo com os EUA e parar navios no Estreito de Ormuz se Israel seguir atacando o Líbano. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (8/4) por agências de notícias estatais ligadas ao regime iraniano.
Um alto funcionário da Guarda Revolucionária ouvido pela agência Tasnim afirmou que “o Irã está considerando a possibilidade de se retirar do acordo de cessar-fogo enquanto este continuar sendo violado pela entidade sionista por meio de ataques ao Líbano“. Enquanto avaliam a medida, as autoridades iranianas informaram que o país está identificando alvos para responder ainda hoje.
“Se os Estados Unidos não conseguirem controlar seu cão raivoso na região, o Irã os ajudará excepcionalmente nessa área! E isso será feito pela força”, declarou o funcionário à agência.
Há também relatos da agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária, sobre a interrupção da passagem de navios e petroleiros no Estreito de Ormuz.
Na noite dessa terça-feira (7/4), o presidente Donald Trump afirmou que o país concordou em interromper, por duas semanas, os ataques contra o Irã, se o país concordar em reabrir o Estreito de Ormuz e permitir a passagem de navios.
Desde o aumento das hostilidades no Oriente Médio, o regime iraniano ampliou o controle sobre o Estreito de Ormuz. Cerca de 20% de todo o petróleo mundial trafega pela passagem marítima. A medida gerou instabilidade no comércio internacional diante da possibilidade de desabastecimento da commodity, o que ocasionou o aumento do preço do combustível em todo o mundo.
Ainda segundo Ebrahim Rezaí, porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa da Assembleia iraniana, “deve-se deter imediatamente o tráfego de navios em Ormuz”.
“Em resposta à selvagem agressão sionista contra o Líbano, deve-se deter imediatamente o tráfego de navios em Ormuz, e é preciso impedir, por meio de um golpe”, declarou.
Ataques ao Líbano
O Líbano entrou no radar dos Estados Unidos e do Irã devido à presença do grupo terrorista Hezbollah no país, que é financiado pelo regime iraniano. Desde o aumento das hostilidades no Oriente Médio nas últimas semanas, o grupo também direcionou ataques a Israel e a alvos ligados aos EUA no Golfo Pérsico.
Com o anúncio do cessar-fogo intermediado pelo Paquistão e anunciado na noite de ontem, havia o entendimento entre as partes de que o fim das hostilidades também se estendia ao Líbano. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contudo, negou que o país estivesse coberto pela pausa.
Nesse sentido, forças armadas israelenses mantiveram os ataques ao Líbano. Na manhã desta quarta, as Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que realizaram o maior ataque coordenado em todo o Líbano desde 28 de fevereiro, dia em que Israel e EUA realizaram o ataque coordenado contra o Irã, o qual se desdobrou nas hostilidades das últimas semanas.
