Ataques seguem no Oriente Médio apesar de cessar-fogo
Países do Golfo continuaram a relatar a interceptação de mísseis iranianos e Líbano segue sendo atacado por Israel
atualizado
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Apesar do cessar-fogo de duas semanas anunciado pelos Estados Unidos e o Irã, ataques no Oriente Médio continuaram a ser registrados na madrugada desta terça-feira (7/4). O acordo não especificou que horas os ataques deveriam ser suspensos e, com isso, países do Golfo continuaram a relatar a interceptação de mísseis iranianos.
Em Israel, três garotos sofreram ferimentos leves devido a uma munição de fragmentação iraniana que atingiu a cidade de Tel Sheva, no sul do país. Por outro lado, um porta-voz militar israelense disse à CNN internacional que Israel continua realizando ataques aéreos no Irã. O Líbano também continua a ser bombardeado por Israel. Um ataque aéreo israelense, inclusive, atingiu uma ambulância na cidade de Qlaileh, perto da cidade costeira de Tiro.
No início da madrugada, contudo, Israel publicou um comunicado em que concorda em parar os ataques. No entanto, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o acordo não se estende ao Líbano.
“Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas, condicionada à abertura imediata do Estreito de Ormuz pelo Irã e à cessação de todos os ataques contra os EUA, Israel e países da região”, disse em comunicado. “O cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano”, acrescentou.
Mais cedo, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, tinha afirmado em comunicado que os Estados Unidos e o Irã, com seus aliados, haviam concordado com um cessar-fogo imediato, incluindo o Líbano.
Acordo é celebrado
Apesar do impasse em relação ao Líbano, a reação ao redor do mundo foi de celebração pelo cessar-fogo. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que saúda o cessar-fogo de duas semanas. “O secretário-geral saúda o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas pelos Estados Unidos e pelo Irã”, disse seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em um comunicado.
O mercado também reagiu bem. Os preços do petróleo despencaram quase 15% depois do anúncio da decisão, chegando a ser comercializado a US$ 93, menor preço em um mês.
Donald Trump disse que o país poderá ajudar com o Irã a lidar com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz após o acordo de cessar-fogo. Em publicação nas redes sociais, na madrugada desta quarta-feira (8/4), o norte-americano chamou o acordo de “grande dia para a paz mundial” e que ficará “por perto” para garantir que tudo corra bem.
“Um grande dia para a paz mundial! O Irã quer que isso aconteça, eles já não aguentam mais! Da mesma forma, todos os outros também! Os Estados Unidos da América ajudarão a lidar com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz. Haverá muitas ações positivas! Muito dinheiro será ganho”, disse.
O que diz o acordo
O Irã disse ter exigido 10 pontos para concordar com o cessar-fogo e que a imposição foi aceita pelos Estados Unidos. A condição de Washington foi a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.
10 pontos exigidos pelo Irã
- Garantia de que não haverá novos ataques contra o Irã;
- Manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz;
- Reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio;
- Suspensão de todas as sanções, incluindo primárias e secundárias;
- Encerramento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
- Pagamento de compensações ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos Estados Unidos da região;
- Fim das ações militares em outras frentes, incluindo contra grupos aliados do Irã no Líbano;
- Liberação de ativos iranianos bloqueados no exterior;
- Aprovação de todos os pontos em uma resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.






