Eleição 2026

Kassab acumula tropeços e tem largada eleitoral do PSD com desgastes

Dirigente partidário contabiliza surpresa com Ratinho Jr, perda de posição na vice-governadoria em SP e empate com janela partidária

atualizado

metropoles.com

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Divulgação/PSD
Kassab e Caiado
1 de 1 Kassab e Caiado - Foto: Divulgação/PSD

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, entrou a pré-campanha eleitoral com o pé esquerdo. O dirigente viu frustrar seu plano de emplacar o governador Ratinho Júnior (PSD-PR) como presidenciável, se viu obrigado a recuar do seu próprio plano de ser candidato a vice na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e não está entre os partidos mais beneficiados com a janela partidária encerrada no último dia 4.

Na avaliação do cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Leonardo Paz Neves, a saída de Ratinho Júnior do tabuleiro eleitoral foi um revés para Kassab, em que pese toda a habilidade do dirigente em recalibrar sua força política para a eleição de 2026.

“Sem dúvida, é um revés. O Ratinho Júnior era um nome para ser lançado nacionalmente agora nessa janela e visando 2030, já que o PSDB praticamente morreu e ninguém sabe o que é um PT sem Lula no futuro. O Kassab está angulando esse futuro e achou que o nome do Ratinho Jr. era central. Ele é de centro-direita, mas consegue acenar para a centro-esquerda, o que é fundamental para uma eleição nacional executiva.”

Das mudanças com a janela partidária, o PSD teve 15 novas entradas e 15 saídas do partido na Câmara dos Deputados, passando de 47 parlamentares para 49. No Senado, caiu de 13 para 11 nomes, numa perda que inclui nomes expressivos, como Rodrigo Pacheco (MG) e Eliziane Gama (MA), e chegada de um novo, o senador Carlos Viana (MG).

Um de seus desafios será manter os novos nomes para essa eleição sem sacrificar os cenários regionais. Ao mesmo tempo em que abriga o pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o PSD é o partido do pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, que podem servir de palanque ao presidente Lula, com quem Kassab tenta manter uma distância regulamentar.

O partido afirma que mantém presença expressiva no Congresso Nacional, “com bancadas de relevo na Câmara dos Deputados e no Senado, situação que se consolida em abril de 2026: são 13 senadores e 49 deputados federais, representantes de todas as regiões brasileiras. Em São Paulo, o partido também tem representação expressiva, e conta atualmente com 11 representantes entre os deputados da Assembleia Legislativa”.

O cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV, avalia que o lançamento da trinca presidenciável do PSD, tão propalada como trunfo eleitoral, resultou em um cenário não esperado para Kassab.

“Eduardo Leite foi para o PSD numa movimentação do Kassab. Agora, quando você traz o Ronaldo Caiado junto, você está trazendo projetos muito diferentes. Caiado é uma pessoa que já tem uma longa trajetória política, foi candidato a presidente da República em 1989, né? Antilulista, talvez mais do que o próprio [pré-candidato do PL] Flávio Bolsonaro, que está moderando o discurso. Kassab sabia e talvez ele tenha apostado que a situação ia ficar contida, mas não ficou”, disse.

Disputa em São Paulo

Já no governo de São Paulo, Kassab perdeu o posto que seu partido ocupava na vice-governadoria quando seu afilhado político, o vice-governador Felício Ramuth, saiu do PSD para se abrigar no MDB. A decisão veio após desgastes entre Tarcísio, Kassab e Felício. O partido afirma que o apoio a Tarcísio será mantido.

Em terras paulistas, o desafio será coordenar um palanque para o candidato do PSD à Presidência.

“A chapa do Tarcísio para o governo de São Paulo está muito mais vinculada à candidatura do Flávio Bolsonaro do que à do Caiado. Seria difícil o Tarcísio subir no palanque para defender o Flávio, sendo que toda a estrutura do governo dele estava vinculada com o PSD. A movimentação dele [Ramuth] foi feita nessa linha, dada a dificuldade de manter o palanque em São Paulo [ao mesmo tempo em] que apoia o Flávio Bolsonaro”, disse Paz Neves.

Apostas em Minas

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, a disputa está empacada para o PSD. O atual governador, Matheus Simões, se filiou ao PSD para a disputa da eleição neste ano, num cenário em que Tarcísio era então cotado como presidenciável, mas sua candidatura não empolga.

De acordo com a última pesquisa AtlasIntel, divulgada na última quarta-feira (1º/4), Simões perde em todas as simulações de segundo turno contra os possíveis candidatos Cleitinho Azevedo (Republicanos), o senador Rodrigo Pacheco (PSB) e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT).

Na disputa ao Senado, o campo está congestionado com três nomes, após a filiação de Viana ao PSD para a disputa na chapa de Simões: Marcelo Aro, agora ex-secretário de governo de Minas Gerais, e Domingos Sávio (PL). Um deles terá de abandonar a pretensão, a menos que apoiem outro nome que não o de Simões ao governo de Minas Gerais.

“Minas Gerais foi um erro do Kassab. Ele tinha o Rodrigo Pacheco no partido, mas fez a movimentação para atrair o Matheus Simões e perdeu um candidato muito mais viável eleitoralmente do que o próprio governador de Minas. Com todas as mudanças, estamos vendo uma mudança no xadrez político que pode indicar que o resultado dessa mudança vai ser o enfraquecimento do próprio Kassab”, avaliou Teixeira.

As eleições gerais de 2026 estão marcadas para 4 de outubro. Neste ano, o eleitor deverá votar em dois candidatos ao Senado Federal, além de deputados estadual e federal, governador e presidente.

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