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Negócios

Dólar cai e Bolsa sobe com petróleo de volta ao preço pré-guerra

Moeda americana registrou pequeno recuo de 0,20%, cotada a R$ 5,16. Ibovespa fechou em alta de 0,79%, aos 173,3 mil pontos

26/06/2026 10:54, atualizado 26/06/2026 17:51
Jackal Pan/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles

O dólar registrou leve queda de 0,11% frente ao real, cotado a R$ 5,17. Como a variação foi  pequena, na prática, houve estabilidade do câmbio. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou o pregão em alta de 0,89%, aos 173,4 mil pontos.

Nos mercados de câmbio e ações, o risco oferecido pela guerra entre Estados Unidos e Irã diminuiu com o acordo de cessar-fogo, embora não faltem turbulências nas relações entre os dois países.

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Nesta sexta-feira, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Irã de protagonizar uma “violação estúpida” do acordo. Isso depois que drones iranianos atingiram um navio cargueiro no Estreito de Ormuz, na quinta-feira (25/6).

Mesmo assim, o episódio não foi suficiente para reverter a queda do preço do petróleo, que voltou ao patamar anterior à guerra. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, caiu 3,84%, a US$ 72,60. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, recuou 3,93%, a US$ 69,09.

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Com isso, o movimento do dólar também foi de queda em relação a um grupo de economias desenvolvidas. O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), também anotava leve queda de 0,07%, aos 101,39 pontos, às 16h30.

Fator IA

As bolsas globais operaram em queda, pressionadas pelo setor de tecnologia. As ações das empresas desse segmento têm provocado grandes oscilações nos principais índices globais.

Elas sobem, quando as perspectivas das empresas ligadas à inteligência artificial (IA) são positivas. Mas caem com a preocupação com investimentos “excessivos” — e com retornos duvidosos — na mesma IA por parte das companhias do setor.

Mas os aportes não são a única preocupação dos investidores. A inescapável onda de IA também está afetando os custos das empresas. Na quinta-feira (25/6), a Apple aumentou em até 25% os modelos de MacBook e iPad, por causa da elevação dos custos dos chips de memória, cujos preços subiram com a maior demanda por IA.

Bolsas globais

Num contexto de queda das ações de companhias de tecnologia, os principais índices globais tombaram. Na Europa, o Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas de 17 países do continente, recuou 0,67%. O DAX, de Frankfurt, perdeu 1,25% e o CAC 40, de Paris, tombou 0,55%. Em Londres, o FTSE 100 cedeu 0,21%.

Em Wall Street, no fim de uma sessão marcada por baixas, os índices permaneceram estáveis. Às 16h50, o S&P 500 subia 0,02%. O Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, caía 0,09% e o Dow Jones, 0,02%.

Desemprego no Brasil

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação dos números do desemprego pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa, segundo a PNAD Contínua, ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio de 2026, a menor para o mês desde 2012.

O resultado representa ainda uma queda de 0,6 ponto percentual frente ao mesmo trimestre de 2025. A população ocupada chegou a 102,7 milhões, com alta de 0,5% no trimestre e 0,8% no ano. O rendimento médio real ficou em R$ 3,7 mil, com crescimento de 4,0% no ano.

Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o mercado de trabalho não dá sinais de arrefecimento. “Com o desemprego na mínima histórica, renda em alta e massa salarial em recorde, o consumo segue aquecido, e os estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral não deixam esse quadro mudar tão cedo”, diz. “Para o Banco Central, o mercado de trabalho segue sendo um dos principais calcanhares de Aquiles no combate à inflação. Os dados de hoje não facilitam a vida de quem busca trazer a inflação de volta à meta.”

Juros

No Brasil, também houve uma acomodação no mercado depois de turbulências provocadas pela divulgação de um comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), há duas semanas. O documento tratou da redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual (para 14,25% ao ano), na quarta-feira (17/6).

A decisão do corte ocorreu em meio à deterioração das expectativas de inflação, mas sob o argumento de que as projeções se encontravam mais próximas da meta num período à frente do que o esperado (no primeiro trimestre de 2028). Parte dos analistas interpretou a explicação como uma tentativa de justificar uma política monetária mais frouxa (leia mais sobre esse assunto neste link).

Para os agentes econômicos, contudo, a ata do Copom, veiculada na terça-feira (23/6), e o Relatório de Política Monetária (RPM) do BC, divulgado na quinta-feira (25/6), diminuíram os ruídos em torno da questão.

Os dois documentos ponderaram que forçar o cumprimento da meta estritamente em 2027 exigiria uma elevação abrupta da Selic, seguida por juros baixos à frente. Isso provocaria, segundo o BC, uma instabilidade desnecessária na economia.