JB Carvalho defendeu em livro retirar NS Aparecida como padroeira do Brasil
Líder da igreja onde Flávio Bolsonaro foi batizado, o pastor JB Carvalho chegou questionar legalidade do feriado de 12 de outubro e defendeu

A informação de que Flávio Bolsonaro pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil é uma fake news e isso foi amplamente divulgado. O candidato, inclusive, negou a existência deste plano.
Mas há um fato documentado que precisa ser distinguido desta falsa acusação: JB Carvalho, pastor da igreja frequentada por Flávio e onde ele e a esposa foram batizados, defendeu expressamente a retirada do reconhecimento nacional de Aparecida e registrou esta posição em livro.
Em A Bomba: A verdade pode ser explosiva, publicado em 2001, o bispo não se limita a criticar a devoção católica. Ele questiona a legalidade do feriado de 12 de outubro, defende que Aparecida deixe de ser reconhecida como padroeira e convoca cristãos e parlamentares a se mobilizarem pela mudança.
No capítulo 10, intitulado A Rainha dos Céus no Brasil, Carvalho argumenta que o reconhecimento nacional de Aparecida seria incompatível com a separação entre Igreja e Estado. No livro, afirma que a lei que estabelece a padroeira é ilegal e sustenta que Jesus Cristo seja reconhecido como único Senhor do Brasil. Trata-se da interpretação jurídica do pastor, não de uma declaração de inconstitucionalidade feita pela Justiça.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA proposta reaparece na nota final da obra. JB Carvalho convoca os cristãos a protestarem contra o que considera a institucionalização da adoração pagã no país. Ele também pede que deputados e senadores se manifestem para que Aparecida deixe de ser reconhecida como padroeira nacional.
O pastor da igreja onde Flávio foi batizado e fez sua primeira aparição como pré-candidato
A relação entre JB Carvalho e Flávio Bolsonaro vai além de uma participação ocasional em eventos religiosos.
Em 2024, Flávio e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações, igreja fundada pelo bispo em Brasília. O senador passou a frequentar os cultos e manteve sua ligação pública com a instituição.
Em 7 de dezembro de 2025, dois dias depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência da República, Flávio escolheu a mesma igreja para sua primeira aparição pública após o anúncio.
A proximidade religiosa também alcança outros integrantes da família Bolsonaro. Em novembro de 2025, Flávio levou ao pai, Jair Bolsonaro, um exemplar de Metanoia: A chave está em sua mente, escrito por JB Carvalho. Em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro também levou ao marido outra obra do bispo, A jornada de meninos a homens.
Esses episódios documentam a relação entre o pastor e a família Bolsonaro. Não demonstram, entretanto, que Flávio tenha adotado todas as posições religiosas ou políticas publicadas por Carvalho.
A fala de Flávio e o que o pastor escreveu
Em vídeo divulgado em agosto de 2026, Flávio Bolsonaro prometeu que, se fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo.
A declaração se aproxima da formulação utilizada por JB Carvalho em seu livro.
Há, porém, uma diferença decisiva: enquanto o pastor defendeu expressamente a retirada do reconhecimento nacional de Aparecida, Flávio não mencionou a padroeira em sua declaração.
A relação entre ambos torna pertinente perguntar se o candidato conhece a proposta do bispo e se concorda com ela, mas a semelhança entre as declarações não comprova que exista um plano conjunto.
Flávio negou que pretenda retirar o título de Aparecida
Diante da repercussão de publicações que lhe atribuíam apoio a uma proposta para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, Flávio Bolsonaro negou que pretendesse adotar essa medida.
Em meio à controvérsia, a campanha de Flávio também realizou uma transmissão ao vivo com representantes de diferentes religiões, incluindo Sérgio Pina, pai de santo do candomblé.




