Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Negócios

Dólar sobe a R$ 5,20, mesmo com nova queda do petróleo. Bolsa cai

Moeda americana avançou 0,29% frente ao real. Ibovespa, o principal índice da Bolsa, fechou em queda de 0,44%, aos 170,5 mil pontos

24/06/2026 17:16, atualizado 24/06/2026 17:32
Compartilhar notícia
Getty Images
Imagem de notas de dólar - Metrópoles

O dólar registrou alta de 0,29% frente ao real, cotado a R$ 5,20, nesta quarta-feira (24/6). Com o resultado da sessão, a moeda americana atingiu o maior patamar desde o fim de março.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,44%, aos 170,5 mil pontos. O movimento reverte parte da alta obtida na véspera, quando o indicador subiu 0,52%, aos 171,2 mil pontos.

O mercado de câmbio foi conduzido, em grande medida, pela perspectiva de que os juros permanecerão altos por bastante tempo nos Estados Unidos.

Tal visão consolidou-se entre os agentes econômicos depois da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na quarta-feira (17/6).

Na ocasião, a maioria dos dirigentes do órgão concordou com a possibilidade de um novo aumento dos juros básicos do país neste ano. A maior parte das elevações previstas ficou entre 0,25 e 0,50 ponto percentual.

Uma delas, porém, chegou a apontar para 0,75 ponto percentual. Atualmente, a taxa americana está fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

Pressão no dólar

A estimativa de juros altos nos Estados Unidos exerce, em tese, uma pressão de alta sobre o dólar em todo o mundo.

Isso porque taxas maiores tornam os investimentos em títulos da dívida americana, os Treasuries (considerados papéis entre os mais seguros do mundo), mais atrativos. Em contrapartida, o interesse por ativos de risco, como as ações negociadas em bolsas, diminui.

Nesse contexto, às 16h50, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), registrava avanço de 0,23%, aos 101,61 pontos, o maior patamar em mais de um ano.

Assim, os juros americanos vêm substituindo nos últimos dias a guerra entre Estados Unidos e Irã como o principal vetor dos mercados de câmbio e ações.

Guerra no Irã

No Oriente Médio, as tensões afrouxaram à medida que as negociações entre Estados Unidos e Irã avançam.

Além disso, três petroleiros que estavam retidos no Estreito de Ormuz foram liberados nesta quarta-feira, segundo informações da Reuters. Os navios transportavam cerca de 5 milhões de barris de petróleo bruto.

Antes da guerra, deflagrada em 28 de fevereiro, cerca de um quinto da produção mundial de petróleo circulava por Ormuz. Agora, a passagem será reaberta de forma paulatina.

Um plano para a reabertura do estreito foi anunciado pela Organização Marítima Internacional (OMI), uma agência da ONU, na terça-feira (23/6). Ele prevê, por exemplo, a retirada de 11 mil marinheiros que permanecem na região.

Petróleo em queda

Com a tendência de volta à normalidade do cenário, ainda que sujeita a trovoadas, no Oriente Médio, o preço do petróleo caiu pelo terceiro pregão seguido. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, caiu 4,16%, a US$ 73,87. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, recuou 3,92%, a US$ 70,34.

Análise

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, destaca que pode parecer  contraintuitivo que o dólar suba, mesmo com o terceiro pregão seguido de queda do petróleo. Ele observa que, “quando a commodity cai por distensão geopolítica, o mercado passa a precificar mais oferta de energia global, o que reduz a receita de exportação brasileira com o petróleo e reduz a entrada de dólares no país”. “Isso enfraquece o real pelo canal comercial”, diz o analista.

Já o Ibovespa, acrescenta Kayo, aprofunda perdas e luta para defender os 170 mil pontos, pressionado pelo tombo do petróleo e pela retirada de fluxo estrangeiro. “Petrobras e Vale recuam cerca de 2,5% cada, respondendo pela maior parte da pressão sobre o índice, que opera na contramão de Nova York, onde as bolsas ensaiam recuperação após a liquidação de ações de tecnologia da véspera”, afirma.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters