Dólar fica estável nesta sexta, mas, na semana, acumula forte alta
A moeda americana registrou leve queda de 0,17% frente ao real, cotada a R$ 5,16. Ibovespa fechou com pequena alta de 0,03%

O dólar registrou pequena queda de 0,17% frente ao real, cotado a R$ 5,16, nesta sexta-feira (19/6). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com leve alta de 0,03%, aos 168,3 mil pontos. Na prática, como a variação foi pequena, os dois indicadores permaneceram estáveis, embora tenham oscilado bastante durante a sessão.
Apesar da queda nesta sexta-feira, durante a semana a moeda americana acumulou alta de 2,04%. Neste ano, o balanço é de baixa de 5,89% em relação ao real. O Ibovespa, por sua vez, recuou 1,67% na semana, mas avançou 4,44% em 2026.
A sexta-feira foi morna, com baixa liquidez — ou seja, com um menor volume de negócios. A queda nas transações foi resultado do fechamento do mercado nos Estados Unidos por causa do feriado nacional de “Juneteenth”, que celebra o fim da escravidão no país.
Os investidores, porém, mantiveram-se atentos aos desdobramentos da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Eles observaram, especialmente, os novos fatos relacionados ao acordo preliminar entre os dois países, cujo conteúdo foi divulgado na quarta-feira (17/6).
Nesse caso, o teor do noticiário tem sido ambíguo. Inicialmente, Israel confirmou a realização de novos ataques ao Hezbollah, no Líbano. Depois disso, um membro do alto escalão do governo americano disse à agência Reuters que os dois lados (Israel e Hezbollah) concordaram em firmar um cessar-fogo.
Além disso, a Suíça informou que as negociações entre Estados Unidos e Irã, previstas para esta sexta-feira, foram adiadas. Em contrapartida, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, disse, na quinta-feira (18/6), que autorizou conversas com os americanos, embora isso não significasse a consolidação do acordo com Washington.
Petróleo
Nessa gangorra de informações, que ora pendem para os combates, ora para o cessar-fogo, o preço do petróleo fechou em alta, mas permaneceu na casa dos US$ 80 por barril. Antes da guerra, ele era negociado a pouco mais de US$ 70, embora tenha chegado a quase US$ 120 no auge do confronto.
Nesta sexta-feira, o barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, subiu 0,90%, a US$ 80,57. Já o tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 0,94%, a US$ 76,96.
Peso dos juros
Os mercados de câmbio e ações ainda seguem repercutindo as decisões dos bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil, tomadas na quarta-feira (17/6). No caso americano, o Federal Reserve (o BC americano) manteve os juros básicos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano.
Os analistas, entretanto, consideraram o comunicado do banco central americano mais duro do que o esperado. Tal rigidez pode ser traduzida em juros altos por mais tempo, o que valoriza os títulos da dívida americana, os Treasuries, e encarece o dólar globalmente.
No Brasil, o comunicado do Comitê incluiu preocupações com o problema fiscal (a relação entre receitas e gastos do governo federal). Ele também provocou polêmica entre especialistas ao alterar o “horizonte relevante” da política monetária, o período futuro em que os juros tendem a fazer maior efeito na economia (leia mais sobre esse assunto neste link).
Análise
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a cotação do dólar frente ao real caiu com a “melhora marginal” do ambiente geopolítico. “O anúncio de um cessar-fogo entre Israel e Hezbollah e os sinais de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz contribuíram para reduzir a demanda por proteção e manter o petróleo próximo de US$ 80 por barril”, diz.
Ele observa que, mesmo assim, a queda do dólar foi limitada, uma vez que o mercado continua incorporando a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
Para Shahini, no Brasil, a atenção segue voltada para a política monetária, com investidores aguardando a ata do Copom, que será divulgada na próxima terça-feira (23/6), e novos dados de inflação na próxima semana. “A combinação entre juros domésticos ainda elevados e um ambiente externo menos adverso do ponto de vista geopolítico ajuda a sustentar o real, embora as preocupações com o cenário fiscal e questionamentos recentes sobre a condução da política monetária continuem impedindo movimentos mais amplos”, conclui o analista.

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