Dólar sobe e Bolsa cai com previsão de alta de juros nos EUA em 2026
Moeda americana subiu 0,42%, a R$ 5,10, e Ibovespa recuou 0,70%, aos 168,4 mil pontos, depois de comunicado do banco central americano

O dólar registrou alta de 0,42% frente ao real, cotado a R$ 5,10, nesta quarta-feira (17/6). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,70%, aos 168,4 mil pontos.
Os mercados de câmbio e ações no Brasil foram fortemente afetados pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de manter a taxa básica de juros do país no intervalo entre 3,50% e 3,75%.

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Ver todasA medida do Fed, em si, já era amplamente esperada pelos agentes econômicos. Mas ela foi acompanhada por um comunicado considerado “duro” por analistas.
Além disso, as projeções individuais dos diretores e presidentes regionais do banco central americano apontaram uma tendência de alta da taxa ainda neste ano.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDiante desse quadro, o câmbio e o Ibovespa mudaram de sentido. Antes do anúncio, o dólar caía em relação ao real e o índice da Bolsa operava em alta.
Efeito juros
A perspectiva de elevação dos juros básicos americanos torna os títulos da dívida dos Estados Unidos, os Treasuries, mais atrativos para os investidores. Com isso, diminui o apetite por aplicações em ativos de risco (como as ações negociadas em bolsas).
O dólar também tende a subir. Nesta quarta-feira, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), registrou alta de 0,81%, atingindo 100,38 pontos.
Guerra no Irã
Ao longo do pregão, os investidores também ficaram de olho nos desdobramentos do acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã.
Apesar do avanço das negociações, o presidente americano, Donald Trump, voltou a ameaçar Teerã. O republicano disse que retomará os bombardeios contra os iranianos caso não goste do acordo preliminar, cuja assinatura está prevista para sexta-feira (19/6), em Genebra, na Suíça.
Petróleo
Outra indicação de que os dias seguem tensos nas relações EUA-Irã é o preço do petróleo. Ele subiu na sessão, embora a alta tenha sido modesta.
O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, fechou em alta de 0,75%, a US$ 79,55. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 0,97%, a US$ 76,79.
Prévia do PIB
No cenário interno, o mercado acompanhou na manhã desta quarta-feira a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Em abril, ele registrou alta de 0,52% na comparação mensal dessazonalizada, número um pouco abaixo da expectativa do mercado, que era de 0,60%.
Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), afirma que, apesar do crescimento menor do que o esperado, o indicador mensal do BC ainda mostra uma “economia resiliente”. “O principal motor continua sendo a indústria, que teve um desempenho forte no período, acompanhada pelos serviços, que seguem sustentando a atividade”, diz. “O agro também contribui, mas em menor intensidade.”
Spyer considera “um detalhe importante” da divulgação do BC o fato de o número de março ter sido revisado de forma significativa. “De uma queda de 0,67%, ele passou para uma retração bem menor, de 0,18%, o que suaviza a desaceleração observada”, afirma.
Análise
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a deterioração do humor dos mercados ao longo da tarde foi impulsionada pela leitura do comunicado do Federal Reserve. “O movimento levou a uma renovação das máximas dos rendimentos dos Treasuries, provocando forte abertura das curvas de juros globais”, diz. “O índice DXY voltou a superar o patamar de 100 pontos, refletindo a valorização global da moeda americana, enquanto o dólar rompeu a marca de R$ 5,10 frente ao real.”
No Brasil, acrescenta o analista, o Ibovespa ampliou as perdas. “Apesar da expectativa de assinatura do acordo entre EUA e Irã nas próximas 48 horas, o mercado concentrou sua atenção na perspectiva de uma política monetária americana mais restritiva. Isso reduziu o apetite por risco, além de ter pressionado os juros e a moeda local”, afirma Shahini.



