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Negócios

Dólar cai e Bolsa dispara: petróleo em queda traz alívio para mercados

Moeda americana registrou queda de 0,46% frente ao real, cotada a R$ 5,14. O Ibovespa avançou 1,21%, aos 170,3 mil pontos

22/06/2026 17:14, atualizado 22/06/2026 17:43
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Getty Images
Imagem de uma nota de dólar com um cifrão sobre ela - Metrópoles

O dólar registrou queda de 0,46% frente ao real, cotado a R$ 5,14, nesta segunda-feira (22/6). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta expressiva de 1,21%, aos 170,3 mil pontos.

Os mercados de câmbio e ações repercutiram, notadamente, o alívio da tensão entre Estados Unidos e Irã, embora ainda persistam polêmicas sobre as negociações entre os dois países.

Nesta segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, afirmou na rede Truth Social que Teerã concordará com inspeções nucleares. Antes disso, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, havia dito a mesma coisa.

Vance confirmou que o Irã havia permitido a entrada de inspetores nucleares no país. O problema é que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, contestou a história. Ele disse que a questão nuclear não entrou nas negociações.

Ainda assim, os Estados Unidos anunciaram a suspensão temporária de sanções contra o comércio de petróleo por parte do Irã. A medida vai permitir que o país produza, venda e transporte a commodity bruta e derivados até 21 de agosto.

Petróleo em queda

O fato é que, apesar de dúvidas ainda pendentes, o noticiário sobre a guerra puxou para baixo os preços do petróleo — e isso contou bastante nos mercados. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, caiu 3,31%, a US$ 77,90. Já o tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 3,53%, a US$ 73,86.

Copom

No cenário interno, os investidores seguem atentos aos desdobramentos do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), que cortou os juros básicos do Brasil, a Selic, em 0,25 ponto percentual, na quarta-feira (17/6).

Os agentes econômicos aguardam a divulgação da ata do Copom nesta terça-feira (23/6). Isso porque o comunicado do Comitê, veiculado na semana passada, deixou dúvidas a respeito da indicação sobre novas reduções da Selic, num cenário de expectativas inflacionárias desancoradas (ou seja, fora da meta) e atividade econômica ainda resiliente.

Focus

Além disso, nesta segunda-feira, o Boletim Focus, a pesquisa semanal realizada com economistas do mercado pelo BC, mostrou que subiram as expectativas de inflação e juros. A projeção do IPCA para 2026 avançou de 5,30% para 5,33%, na 15ª alta seguida. A estimativa da Selic para este ano foi de 13,75% para 14%, no terceiro aumento consecutivo.

A previsão sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do país para 2026 também subiu. Ela passou de 1,96% para 1,98%.

Leilões do BC

O Banco Central também realizou dois leilões simultâneos de dólar. Um deles de US$ 1 bilhão em moeda à vista e outro de 20 mil contratos num total de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso (operação cujo efeito corresponde à compra de dólares no mercado futuro). Juntas, as duas ações são chamadas de “casadão” e oferecem maior liquidez ao mercado, mas não têm impacto na cotação da moeda americana.

Bolsas globais

No mundo, as bolsas não andaram numa só direção. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,72% com a renúncia do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Em Frankfurt, o DAX avançou 0,66%, mas, em Paris, o CAC 40 perdeu 0,25%.

Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,37% e o Nasdaq, que concentra ações de empresas do setor de tecnologia, cedeu 1,33%. Os dois índices foram afetados pela queda das ações Alphabet (Google) e Spacex, a fabricante de foguetes e satélites de Elon Musk. Já o Dow Jones subiu 0,29%.

Análise

Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o dólar recuou frente ao real no início desta semana, devolvendo parte da alta de mais de 2% observada na semana passada. “As negociações no Oriente Médio confirmaram um roteiro para encerrar o conflito em 60 dias, o que derrubou o petróleo e reduziu os temores inflacionários globais”, diz.

Kayo observa que a intervenção do Banco Central com leilões casados também ajudou a normalizar a liquidez. “No cenário doméstico, a expectativa de uma ata do Copom com tom mais conservador amanhã sustenta a percepção de juros elevados por mais tempo no Brasil, mantendo o diferencial de juros atrativo e o carry trade ativo”, diz.

Carry trade é a estratégia em que os investidores tomam empréstimos em uma moeda com juros baixos (em países desenvolvidos, por exemplo) e investem esses recursos em uma economia com juros altos (no caso, o Brasil).

“A divulgação do Focus reforçou esse quadro, com novas revisões altistas para o IPCA de 2026, agora em 5,33%, acima do teto da meta, e para a Selic ao fim do ano, projetada em 14,00%”, afirma o economista. “A queda do dólar permanece contida, com a moeda americana firme ante a maioria das divisas globais diante da crescente probabilidade de alta de juros pelo Fed já em setembro.”

Pesquisa eleitoral

Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o Ibovespa subiu, em primeiro lugar, como resultado de um “movimento técnico”, depois de quedas sucessivas. Ele observa que a evolução considerada positiva nas negociações entre EUA e Irã, que derrubou os preços do petróleo, também favoreceu o mercado.

Perri acrescenta que a pesquisa do Datafolha, divulgada no fim de semana, “renovou as esperanças de que haja uma mudança de governo nas eleições de outubro”. “Isso trouxe alívio adicional à curva de juros e à taxa de câmbio”, afirma. “Por isso, vemos o dólar caindo hoje.”

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