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Dólar oscila e Bolsa sobe com EUA x Irã e nova operação contra Vorcaro

Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,06%, cotado a R$ 5,375, perto da estabilidade. Ibovespa caiu 0,72%

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Witthaya Prasongsin/Getty Images

O dólar operava sob volatilidade e praticamente estável, nesta quarta-feira (14/1), em meio à escalada nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã após novas ameaças feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, ao regime teocrático dos aiatolás.

No âmbito doméstico, os investidores monitoram os desdobramentos de uma nova operação da Polícia Federal (PF) contra o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Trata-se da segunda fase da Operação Compliance Zero, que aprofunda as investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira.


Dólar


Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), seguida operando em alta firme no pregão.
  • Às 13h55, o indicador avançava 1,09%, aos 163,7 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou em queda de 0,72%, aos 161,9 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 0,56% no ano.

Trump ameaça “medidas enérgicas” contra o Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom novamente contra o regime iraniano e alertou que o governo norte-americano tomará “medidas muito enérgicas” caso o Irã execute manifestantes detidos durante a onda de protestos que atinge o país há mais de duas semanas.

“Se eles fizerem isso, tomaremos medidas muito enérgicas”, afirmou Trump em entrevista à CBS News, sem detalhar quais ações poderiam ser adotadas por Washington. O presidente reagiu a informações de que o regime iraniano planeja executar manifestantes presos, incluindo o iraniano Erfan Soltani, de 26 anos.

O Departamento de Estado dos EUA afirmou que autoridades iranianas pretendem executar Soltani ainda nesta quarta-feira. Segundo o comunicado, “mais de 10,6 mil iranianos foram presos pelo regime da República Islâmica simplesmente por exigirem seus direitos básicos”. A nota acrescenta que Erfan Soltani está entre os detidos condenados à morte.

Trump declarou que não havia ouvido falar oficialmente sobre enforcamentos, mas reforçou o alerta. “Quando começam a matar milhares de pessoas, e agora você me fala em enforcamento, vamos ver como isso vai acabar para eles. Não vai acabar bem”, afirmou.

Questionado sobre que tipo de ajuda estaria “a caminho” para o povo iraniano, o republicano sugeriu que os EUA podem oferecer assistência econômica. “Há muita ajuda a caminho, de diferentes formas, incluindo ajuda econômica do nosso ponto de vista, o que não ajudará muito o Irã”, disse.

Na terça-feira (13/1), Trump publicou uma mensagem direta aos manifestantes iranianos, incentivando-os a seguir nas ruas. “Patriotas iranianos, continuem protestando. Derrubem suas instituições. A ajuda está a caminho”, escreveu. Segundo a imprensa internacional, cerca de 2 mil pessoas já morreram desde o início das manifestações.

O regime do aiatolá Ali Khamenei impôs um apagão quase total da internet, isolando o país do exterior e dificultando a verificação independente das informações. Moradores relatam que forças de segurança estão atirando diretamente contra manifestantes.

As manifestações começaram a partir de protestos relacionados à crise econômica, mas evoluíram para pedidos de queda da República Islâmica, no poder desde 1979.

Trump também anunciou que qualquer país que mantenha negócios com o Irã poderá enfrentar uma tarifa de 25% sobre o comércio com os EUA, ampliando a pressão econômica sobre Teerã.

Além das ameaças ao governo iraniano, os EUA alertaram que cidadãos norte-americanos devem deixar o Irã “imediatamente”, diante da intensificação dos protestos contra o regime. O aviso foi divulgado pela Embaixada dos EUA responsável pelo Irã, em um comunicado de segurança válido para todo o território iraniano. “Os cidadãos americanos devem deixar o Irã agora”, diz o comunicado.

Segundo o alerta, as manifestações continuam a se intensificar e “podem se tornar violentas”, com registros de prisões, feridos e mortes. Companhias aéreas seguem limitando ou cancelando voos para o país, com várias suspendendo completamente suas operações.

Na terça-feira, o Irã declarou às Nações Unidas que EUA e Israel são responsáveis pela “transformação de protestos pacíficos em atos violentos e subversivos e vandalismo generalizado” no país. A acusação foi feita pelo embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, em carta enviada ao Conselho de Segurança.

No texto, Teerã afirma que Washington atua de forma deliberada para desestabilizar o país. Segundo Iravani, o Irã condena “a conduta contínua, ilegal e irresponsável dos Estados Unidos da América, em coordenação com o regime israelense, de interferir nos assuntos internos do Irã por meio de ameaças, incitação e incentivo deliberado à instabilidade e à violência”.

A carta sustenta que as ações atribuídas aos EUA vão além da retórica diplomática e configuram uma violação direta de normas internacionais.

Nova operação da PF contra dono do Banco Master

No cenário doméstico, as atenções do mercado financeiro se voltam mais uma vez para as investigações sobre supostas irregularidades no Banco Master. Na manhã desta quarta-feira, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero.

Entre os alvos de busca e apreensão, está o banqueiro Daniel Vorcaro, que já havia sido preso na primeira etapa da operação, realizada em novembro do ano passado. O pai, a irmã, o cunhado e um primo dono do Master também são alvos.

Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, foi detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que se preparava para embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes.

Outro alvo de busca da Compliance Zero é o empresário e investidor Nelson Tanure, conhecido no mercado brasileiro por investir em empresas com dificuldades financeiras.

O empresário João Carlos Mansur também está na mira da PF. Fundador da Reag Capital Holding, ele já havia sido alvo da PF em outubro de 2025, sob suspeita de contribuir para o esquema que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de investigados ligados ao comércio de combustíveis.

A PF também cumpre mandados de busca na Sefer Investimentos DTVM, Clínica Mais Médicos S.A., Acura Gestora de Recursos LTDA e WNT Gestora de Recursos LTDA.

O novo desdobramento da investigação foi possível a partir da análise de provas reunidas na fase inicial. O material levou os investigadores a identificar indícios adicionais de irregularidades, o que motivou a nova ação contra o grupo investigado.

Nesta etapa, os investigadores cumprem 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, e do bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Em nota, a defesa do dono do Master “informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. A defesa não teve ainda acesso aos autos”, dizem os advogados de Vorcaro.

“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.”

Nos EUA, destaque para o Livro Bege do Fed

Nos EUA, os investidores repercutem nesta quarta-feira a publicação do Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). O documento reúne informações sobre a atividade econômica dos EUA e serve como bússola para orientar o mercado acerca das percepções da autoridade monetária sobre indicadores como inflação e emprego.

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no mês passado, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Nos últimos dias, o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a se tornar alvo do presidente dos EUA, Donald Trump, que o chamou de “atrasado”, “corrupto” e “incompetente”.

Os mercados seguem preocupados com as possíveis ameaças à independência do BC dos EUA, alvo de uma investigação instaurada pela Procuradoria do Distrito de Columbia, que apura se o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, mentiu ao Congresso Nacional sobre os custos de uma reforma realizada na sede do Fed. A obra teve custos estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões.

Em declaração conjunta, diversos bancos centrais globais ofereceram solidariedade a Powell, incluindo o presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo.

Segundo o comunicado, “é crucial preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática”.

Entre os signatários do documento, além de Galípolo, estão Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE); Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra (BoE); Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá; François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Administração do Banco de Compensações Internacionais (BIS); e Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Powell já havia recebido a manifestação de apoio de um grupo de ex-presidentes do Fed, ex-secretários do Tesouro dos EUA e economistas renomados, que divulgaram um manifesto contra qualquer topo de interferência no BC norte-americano.

Segundo esse grupo, a investigação criminal contra Powell representa uma ameaça à independência da autoridade monetária e é uma “tentativa inédita de usar ataques de natureza judicial para minar a independência” do Fed.

O documento é assinado pelos três últimos presidentes do Fed antes de Powell – Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan. Também endossam o manifesto ex-secretários do Tesouro como Henry Paulson, Timothy Geithner, Robert Rubin e Jacob Lew e economistas como Kenneth Rogoff e Glenn Hubbard.

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