Saiba quem é Erfan Soltani, manifestante condenado à morte no Irã
Manifestante de 26 anos pode ser executado após julgamento relâmpago no Irã. ONGs denunciam uso da pena de morte para espalhar medo
atualizado
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A escalada da repressão no Irã está custando a vida de pessoas que estão se manifestando contra o regime. O manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, detido durante a onda de protestos que sacode o país há mais de duas semanas, deve ser executado nesta quarta-feira (14/1), informou a organização curdo-iraniana Hengaw para os Direitos Humanos.
A família foi informada da sentença, mas afirma não ter recebido detalhes sobre o julgamento, as acusações formais ou o direito à defesa.
Morador de Fardis, no subúrbio de Karaj, na região metropolitana de Teerã, Erfan Soltani foi preso em casa no dia 8 de janeiro, em meio a confrontos ligados aos protestos contra o regime dos aiatolás.
Organizações de direitos humanos afirmam que o jovem foi julgado por tribunais opacos, ligados à Guarda Revolucionária Islâmica, sob acusações como “travar guerra contra Deus” — um crime frequentemente usado para punir dissidência política.

Apagão de internet e números sob disputa
Desde a última quinta-feira (8/1), o regime impôs um apagão quase total da internet, dificultando a comunicação e a verificação independente dos fatos. Mesmo assim, relatos que conseguem sair do país descrevem níveis extremos de violência.
A cidade de Rasht, na costa do Mar Cáspio, foi descrita por um morador como “irreconhecível”, com áreas “queimadas pelo fogo”.
As estimativas de mortos variam amplamente. Números conservadores apontam cerca de 650 vítimas, enquanto a imprensa internacional fala em 2 mil mortos.
Já a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, projeta até 6 mil mortos e 10 mil detidos, com base em casos confirmados e projeções diante do bloqueio informacional.
Protestos mergulham Irã no caos
Segundo grupos de direitos humanos, as manifestações se intensificaram desde dezembro e alcançaram mais de 100 cidades e vilas, em todas as 31 províncias iranianas. Imagens que circulam nas redes mostram incêndios em prédios públicos, ruas tomadas por manifestantes e corpos enfileirados do lado de fora de hospitais.
A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) afirmou estar “extremamente preocupada” e alertou para o “risco de execuções em massa de manifestantes”. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, disse estar “horrorizado” com a repressão a protestos pacíficos.








