Trump volta a atacar Powell após dado de inflação: “Atrasado demais”
Estável, o Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em dezembro
atualizado
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou sua artilharia, mais uma vez, ao chefe do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, nesta terça-feira (13/1), após a divulgação dos dados oficiais de inflação no país em dezembro do ano passado.
O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em dezembro, mesmo resultado do último levantamento. Na comparação mensal, o índice foi de 0,3%, também estável em relação ao resultado anterior (0,3%).
Os resultados da inflação nos EUA vieram dentro dos prognósticos do mercado. A média das estimativas era exatamente de 2,7% (anual) e 0,3% (mensal).
A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo próximo de 3% desde julho de 2024. O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Fed.
“Acabou de sair: ótimos números de inflação (baixa!) para os EUA”, escreveu Trump em sua rede social, a Truth, pouco depois do anúncio dos resultados da inflação de dezembro.
Segundo Trump, o dado de inflação mostra que Powell “deveria cortar as taxas de juros de forma significativa”. Caso contrário, disse o republicano, o presidente do Fed “vai apenas continuar sendo atrasado demais”.
“Obrigado, Senhor Tarifa”
Na publicação, o presidente dos EUA afirmou ainda que, sob sua gestão, a economia norte-americana vem apresentando “ótimos números de crescimento”.
Segundo ele, os resultados têm sido obtidos graças às tarifas comerciais impostas pela Casa Branca. “Obrigado, Senhor Tarifa”, completou.
Federal Reserve
Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no mês passado, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA.
A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
