metropoles.com
Eleição 2026

Dólar avança e Bolsa bate recorde com Flávio consolidado em pesquisa

Em dia movimentado no mercado, investidores repercutiram investigação do Master, pesquisa eleitoral, saída de Haddad do governo, EUA e China

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Jackal Pan/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Jackal Pan/Getty Images

O dólar terminou a sessão desta quarta-feira (14/1) em alta, em um dia no qual os investidores deixaram de lado a escalada nas tensões geopolíticas globais e se concentraram mais no noticiário político-econômico doméstico.

O mercado repercutiu os números da nova rodada da pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de outubro deste ano. O levantamento confirmou o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceria em todos os cenários, mas acabou consolidando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como potencial candidato de oposição a Lula na disputa.

Ainda no Brasil, os investidores acompanharam os desdobramentos de uma nova operação da Polícia Federal (PF) contra o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Trata-se da segunda fase da Operação Compliance Zero, que aprofunda as investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira.

Outro destaque do noticiário nacional que mexeu com o mercado foi a declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em entrevista à GloboNews, de que pretende deixar o governo ainda neste mês de janeiro. A saída do chefe da equipe econômica já era esperada, mas ainda não se sabia até quando ele permaneceria à frente da pasta.


Dólar


Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), fechou o pregão em alta firme e renovou sua máxima histórica.
  • O indicador encerrou o pregão em alta de 1,96%, aos 165.145,98 pontos, a nova máxima de fechamento de todos os tempos.
  • Na pontuação máxima do pregão, o índice cravou 165.146,48 pontos, novo recorde intradiário (durante a sessão). 
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou em queda de 0,72%, aos 161,9 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 2,52% no ano.

Pesquisa da Quaest consolida Flávio como rival de Lula

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que Flávio Bolsonaro tem se firmado na oposição e aparece com 23% das intenções de voto, atrás de Lula, com 39%. Dessa forma, segundo os responsáveis pelo levantamento, Flávio se consolida na oposição a Lula neste momento.

Em um eventual segundo turno disputado pelo petista e pelo bolsonarista, Lula aparece com 44% das intenções de voto, e Flávio, com 38%.

“Os dados da pesquisa sugerem que a força de arrancada que Flavio adquiriu no último mês não é só fruto do apoio de bolsonaristas, mas também da direita não bolsonarista, que começa a considerar a possibilidade de votar nele, mesmo diante de outros nomes”, afirma o cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest.

Segundo Nunes, para tornar sua campanha mais competitiva, Flávio tem o desafio de diminuir sua rejeição. “E ele conseguiu esse feito no último mês. Enquanto a rejeição de Lula manteve-se em 54%, a rejeição ao Flávio foi de 60% para 55%. Verdade que ela ainda é maior que a de outros nomes como Tarcísio e Caiado, que também viram suas rejeições oscilarem para baixo”, diz o CEO.

Na mesma pesquisa Genial/Quaest, o governo Lula é desaprovado por 49% dos eleitores e aprovado por 47%. Outros 4% não souberam ou optaram por não responder.

O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. No TSE, a pesquisa tem o registro BR 00835/2026.

Haddad de saída do governo

O mercado financeiro também repercutiu a entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, à jornalista Míriam Leitão, da GloboNews. O chefe da equipe econômica, que ocupa a pasta desde janeiro de 2023, confirmou que deve deixar o governo até o fim do mês.

Segundo Haddad, é importante que o seu sucessor à frente da Fazenda possa desenvolver o trabalho ao longo de todo o ano, tratando, principalmente, das questões orçamentárias e fiscais. Neste momento, o nome mais cotado para suceder o atual ministro é o de Dario Durigan, secretário-executivo do ministério – número 2 de Haddad na pasta.

A saída de Fernando Haddad do governo já vinha sendo especulada nos últimos meses e estava “precificada” no mercado. No entanto, grande parte dos analistas imaginava que o ministro pudesse continuar no comando da Fazenda por mais algum tempo.

O nome de Haddad sempre foi apontado como um potencial candidato do PT nas eleições deste ano. O ministro da Fazenda é visto pelo partido como um possível postulante ao governo de São Paulo ou a uma das vagas no Senado pelo estado. Haddad, no entanto, já declarou diversas vezes que não pretende ser candidato em 2026 e gostaria de contribuir com o programa de governo da campanha de Lula à reeleição.

Dono do Banco Master é alvo de nova operação da PF

Ainda no cenário doméstico, as atenções do mercado financeiro se voltaram mais uma vez para as investigações sobre supostas irregularidades no Banco Master. Na manhã desta quarta-feira, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero.

Entre os alvos de busca e apreensão, esteve o banqueiro Daniel Vorcaro, que já havia sido preso na primeira etapa da operação, realizada em novembro do ano passado. O pai, a irmã, o cunhado e um primo dono do Master também foram alvos.

Fabiano Zettel, cunhado do dono do Banco Master, foi detido no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que se preparava para embarcar em um voo com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. Outro alvo de busca da Compliance Zero foi o empresário e investidor Nelson Tanure, conhecido no mercado brasileiro por investir em empresas com dificuldades financeiras.

O empresário João Carlos Mansur também esteve na mira da PF. Fundador da Reag Capital Holding, ele já havia sido alvo da PF em outubro de 2025, sob suspeita de contribuir para o esquema que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de investigados ligados ao comércio de combustíveis.

O novo desdobramento da investigação foi possível a partir da análise de provas reunidas na fase inicial. O material levou os investigadores a identificar indícios adicionais de irregularidades, o que motivou a nova ação contra o grupo investigado.

Nesta etapa, os investigadores cumpriram 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em São Paulo, na Avenida Faria Lima, além da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, e do bloqueio de bens no valor de R$ 5,7 bilhões. As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Em nota, a defesa do dono do Master “informa que tomou conhecimento da medida de busca e apreensão e reafirma que o Sr. Vorcaro tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. A defesa não teve ainda acesso aos autos”, dizem os advogados de Vorcaro.

“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito. A defesa reitera confiança no devido processo legal e seguirá atuando nos autos para que as informações sejam tratadas de forma objetiva e dentro dos limites constitucionais.”

Estados Unidos suspendem vistos para imigrantes do Brasil e de 74 países

A partir de 21 de janeiro, os EUA suspenderão os vistos emitidos para imigrantes do Brasil e de mais 74 países. A restrição não afeta a emissão de vistos para turistas. A informação foi divulgada, em primeira mão, pela Fox News. Ao repórter do Metrópoles Sam Pancher, o Departamento de Estado dos EUA confirmou que 75 países tiveram a emissão de visto suspensa. A informação foi dada por e-mail, sem detalhar quais nações seriam atingidas pela decisão.

Pelas redes sociais, o Departamento de Estado informou que “suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos migrantes recebem benefícios sociais do povo americano em taxas inaceitáveis”. “O congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano”, diz o governo norte-americano.

Segundo a Fox News, além do Brasil, os países da lista incluem Rússia, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Somália e Iêmen. A medida visa a “considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”, de acordo com o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot.

No último dia 12, o perfil oficial no X do Departamento de Estado norte-americano comemorou a revogação de 100 mil vistos irregulares. Na publicação, o órgão diz que continuará deportando “criminosos para manter a América segura”.

Em novembro de 2025, o departamento já havia enviado comunicado a consulados em todo o mundo determinando regras mais rígidas de avaliação com base na cláusula de “encargo público” da legislação migratória.

Os agentes foram orientados a negar vistos a candidatos levando em conta sua saúde (incluindo possibilidade de necessidade de cuidados médicos a longo prazo), idade, domínio do inglês e situação financeira.

Segundo as normas, quem for mais velho, com sobrepeso ou que tenha histórico de uso de assistência financeira governamental também pode ter pedidos de visto americano negados.

China anuncia maior superávit comercial da história

Ainda no front internacional, a China, segunda maior economia do planeta, anunciou o maior superávit comercial já registrado por um país na história, mesmo após a correção pela inflação.

De acordo com os dados divulgados pela Administração Geral Aduaneira do gigante asiático, o superávit chinês foi de US$ 1,19 trilhão no ano passado. O resultado representou um crescimento de 20% em relação a 2024.

O saldo positivo da balança comercial da China já havia ultrapassado US$ 1 trilhão em novembro do ano passado, segundo os dados oficiais. Em dezembro, o superávit foi de US$ 114,14 bilhões, com aumento das exportações direcionadas para União Europeia, África, América Latina e sudeste asiático.

O bom desempenho da balança comercial chinesa se deu apesar do tarifaço comercial imposto pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado. Em 2025, as medidas determinadas por Trump levaram a uma redução no superávit da China com os EUA em 22%.

Mesmo com as tarifas, houve um aumento nas vendas das fábricas da China para outros países. Outro fator determinante para o superávit histórico foi a estabilidade das importações, que praticamente não variaram no decorrer do ano.

Diante de uma menor capacidade de absorção do mercado interno, grande parte da produção chinesa foi direcionada ao exterior.

Apesar do acordo firmado entre o líder chinês, Xi Jinping, e Donald Trump, em outubro, para encerrar a guerra comercial entre dois países, as tarifas dos EUA permanecem elevadas sobre a China. As taxas médias em cima das exportações chinesas estão, atualmente, em torno de 37%, segundo dados do Urban-Brookings Tax Policy Center.

O superávit comercial ocorre quando a balança comercial de um país é positiva – ou seja, quando o valor das exportações supera o das importações. Quando acontece o contrário, há déficit.

Quando há superávit, um país exporta mais bens e serviços do que importa em um determinado período. Na prática, ele arrecada mais com vendas externas do que gasta com compras internacionais, fortalecendo sua economia e atraindo moeda estrangeira.

Livro Bege do Fed

Nos EUA, os investidores repercutiram nesta quarta-feira a publicação do Livro Bege do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). O documento reúne informações sobre a atividade econômica dos EUA e serve como bússola para orientar o mercado acerca das percepções da autoridade monetária sobre indicadores como inflação e emprego.

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no mês passado, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

Nos últimos dias, o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a se tornar alvo do presidente dos EUA, Donald Trump, que o chamou de “atrasado”, “corrupto” e “incompetente”.

Os mercados seguem preocupados com as possíveis ameaças à independência do BC dos EUA, alvo de uma investigação instaurada pela Procuradoria do Distrito de Columbia, que apura se o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, mentiu ao Congresso Nacional sobre os custos de uma reforma realizada na sede do Fed. A obra teve custos estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões.

Em declaração conjunta, diversos bancos centrais globais ofereceram solidariedade a Powell, incluindo o presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo. Segundo o comunicado, “é crucial preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática”.

Entre os signatários do documento, além de Galípolo, estão Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE); Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra (BoE); Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá; François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Administração do Banco de Compensações Internacionais (BIS); e Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

Powell já havia recebido a manifestação de apoio de um grupo de ex-presidentes do Fed, ex-secretários do Tesouro dos EUA e economistas renomados, que divulgaram um manifesto contra qualquer topo de interferência no BC norte-americano.

Segundo esse grupo, a investigação criminal contra Powell representa uma ameaça à independência da autoridade monetária e é uma “tentativa inédita de usar ataques de natureza judicial para minar a independência” do Fed.

O documento é assinado pelos três últimos presidentes do Fed antes de Powell – Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan. Também endossam o manifesto ex-secretários do Tesouro como Henry Paulson, Timothy Geithner, Robert Rubin e Jacob Lew e economistas como Kenneth Rogoff e Glenn Hubbard.

Análise

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, “o dia foi de viés levemente negativo para ativos de risco no exterior e de performance relativamente melhor para Brasil”. “Tivemos dólar em alta moderada, juros locais estáveis e Ibovespa em alta após duas sessões negativas, enquanto as bolsas norte-americanas cederam, respondendo ao início da temporada de resultados, e à espera de mais sinais do Fed após o Livro Bege e dados recentes de atividade e inflação”, observa.

“O Livro Bege do Federal Reserve reforçou leitura de crescimento moderado da economia norte-americana, com demanda e mercado de trabalho desacelerando na margem, mas sem sinais de recessão iminente, o que mantém a narrativa de cortes graduais de juros, não agressivos”, conclui Zogbi.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?