Bolsas: Europa e EUA recuam com disparada do petróleo e de olho no Fed
Mercado dividiu suas atenções entre a guerra no Oriente Médio e a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) sobre os juros
atualizado
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Os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam em queda, nesta quarta-feira (29/4), dia em que o mercado dividiu suas atenções entre a guerra no Oriente Médio e a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) sobre a taxa básica de juros da economia norte-americana.
Apesar dos esforços diplomáticos em prol das negociações entre EUA e Irã pelo fim dos conflitos, a percepção do mercado, neste momento, é a de que um acordo ainda está distante.
A situação foi agravada pelo anúncio feito pelos Emirados Árabes Unidos, na véspera, de que vão deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança ampliada Opep+, a partir de 1º de maio. A notícia aumentou a volatilidade no mercado global de energia e levantou dúvidas sobre o futuro da coordenação da oferta de petróleo entre grandes produtores. Nesta quarta-feira, os preços internacionais do petróleo dispararam.
Nos EUA, as principais bolsas também operavam no vermelho no início da tarde, à espera da decisão do Fed sobre os juros e da divulgação de balanços de algumas das principais empresas do setor de tecnologia, como Alphabet (dona do Google), Meta (dona do Facebook), Microsoft e Amazon.
Bolsas da Europa fecham no vermelho
- O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em baixa de 0,6%, aos 602,96 pontos.
- Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia com perdas de 0,31%, aos 23,9 mil pontos.
- Em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão em queda de 1,16%, aos 10,2 mil pontos.
- O CAC 40, da Bolsa de Paris, cedeu 0,39%, aos 8 mil pontos.
- O índice Ibex 35, de Madri, encerrou o pregão em baixa de 0,62%, aos 17,6 mil pontos.
Em Nova York, bolsas operam em queda
- Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operavam em baixa na tarde desta quarta-feira.
- Por volta das 14h15 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones recuava 0,69%, aos 48,8 mil pontos.
- No mesmo horário, o S&P 500 tinha queda 0,28%, aos 7,1 mil pontos.
- O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, cedia 0,32%, aos 24,5 mil pontos.
Decisão sobre juros nos EUA
O mercado europeu esteve em compasso de espera pela decisão do BC dos EUA sobre a taxa de juros. Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, o que deve se repetir logo mais.
Nos EUA, a novidade é que a reunião do Fed deve ser a última realizada com Jerome Powell como presidente do da autoridade monetária – seu mandato expira em 15 de maio. Ele será substituído por Kevin Warsh, escolhido para o cargo por Donald Trump.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Neste momento, praticamente a totalidade do mercado aposta na manutenção dos juros no patamar atual. Segundo a plataforma FedWatch, 100% dos analistas acreditam que não haverá alterações na taxa. O corte é descartado.
Emirados Árabes deixam a Opep
O anúncio dos Emirados Árabes, feito nessa terça-feira (28/4), ocorre em um momento de forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio, diante da guerra entre EUA e Irã, com impactos diretos sobre rotas estratégicas de escoamento, como o Estreito de Ormuz – ponto por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
A manobra também é interpretada como uma tentativa de Abu Dhabi de ampliar a autonomia produtiva e acelerar investimentos no setor energético.
A Opep, responsável atualmente por cerca de 30% a 40% da produção global de petróleo, vinha atuando em conjunto com aliados da Opep+ para controlar a oferta e influenciar os preços internacionais.
A saída dos Emirados, terceiro maior produtor do grupo, é vista como um enfraquecimento relevante dessa coordenação.
Em comunicado, o ministro de Energia dos Emirados, Suhail Al Mazrouei, afirmou que a decisão reflete uma mudança estratégica de longo prazo.
“Esta decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e o perfil energético em evolução, incluindo o investimento acelerado na produção doméstica de energia”, disse.
Trump reage a chanceler alemão sobre Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu às declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que afirmou que o país estaria sendo “humilhado” pelo Irã.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump disse que o chanceler alemão “parece achar aceitável que o Irã tenha uma arma nuclear”. “Ele não sabe do que está falando. Se o Irã possuísse armamento nuclear, todo o planeta estaria sob ameaça”, escreveu.
Sem mencionar diretamente Merz, em outro trecho, o presidente norte-americano afirmou que está tomando medidas que, segundo ele, deveriam ter sido adotadas por outras nações há muito tempo. Ele também criticou a Alemanha, sugerindo que o país atravessa um momento negativo.
“Eu estou fazendo algo com o Irã, agora, que outras nações, ou presidentes, deveriam ter feito há muito tempo. Não é à toa que a Alemanha está indo tão mal, tanto economicamente quanto de outras maneiras!”, escreveu Trump.
Na última segunda-feira (27/4), Merz havia feito críticas à atuação dos EUA, apontando tentativas de se afastar de um conflito iniciado sem metas bem definidas. Ele também descreveu os iranianos como “negociadores habilidosos”.
Trump ameaça Irã com IA
Donald Trump usou uma imagem feita com inteligência artificial (IA) para fazer novas ameaças ao Irã, nesta quarta-feira (29/4). Na foto, o presidente dos EUA aparece segurando um fuzil com explosões ao fundo. “Chega de ser bonzinho”, diz o texto.
“O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor ficarem espertos!”, escreveu na legenda do post na rede social Truth Social.
EUA e Irã ainda não conseguiram chegar a um acordo para terminar a guerra. A expectativa é que Teerã apresente uma nova proposta aos mediadores no Paquistão nos próximos dias.
No último sábado (25/4), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se encontrou com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, em Islamabad. A delegação americana desistiu da viagem ao país.
Segundo agência estatal iraniana, Araghchi entregou uma lista ao Paquistão com pontos considerados inegociáveis pelo governo iraniano.
Por enquanto, o cessar-fogo entre os dois países dura três semanas.
