Bolsa não dá bola para Trump, dispara e bate 171 mil pontos. Dólar cai

Mercado reagiu bem à fala de Trump praticamente descartando ação militar na Groenlândia. Ibovespa bateu recorde histórico e dólar despencou

atualizado

metropoles.com

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Imagem de painel da Bolsa de Valores do Brasil (B3) - Metrópoles
1 de 1 Imagem de painel da Bolsa de Valores do Brasil (B3) - Metrópoles - Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Em um dia de euforia e fortes ganhos no mercado brasileiro, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) bateu mais um recorde histórico, ultrapassando, pela primeira vez, a barreira dos 170 mil e, depois, dos 171 mil pontos.

O dólar, por sua vez, terminou a sessão desta quarta-feira (21/1) operando em forte queda frente ao real, em meio a um clima de maior otimismo nos mercados após o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).

Embora os investidores ainda estejam receosos quanto à escalada retórica de Trump e às novas ameaças do presidente norte-americano contra países europeus que não apoiem seu plano de tomar posse da Groenlândia, o mercado reagiu com alívio à fala do republicano em Davos, praticamente descartando uma ação militar contra a região autônoma que pertence à Dinamarca.

A disparada da Bolsa do Brasil também é explicada pela onda de diversificação observada nos mercados, com os investidores consolidando um movimento de redução da concentração dos portfólios nos EUA – o que acaba beneficiando o mercado local.


Dólar

  • Ao final da sessão desta quarta-feira, a moeda norte-americana despencou 1,13% e foi negociada a R$ 5,32. Foi o menor patamar de fechamento em mais de um mês, desde dezembro.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,373. A mínima foi de R$ 5,316.
  • Na véspera, o dólar fechou em alta de 0,3%, cotado a R$ 5,38.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,11% frente ao real em 2026.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, teve um pregão marcado por fortes ganhos, disparando desde o início da sessão e quebrando sucessivos recordes históricos.
  • O indicador fechou em disparada de 3,33%, aos 171.816,67 pontos, a nova máxima histórica de fechamento.
  • Durante o pregão, o índice ultrapassou, pela primeira vez, as marcas dos 170 mil e dos 171 mil pontos. A nova máxima histórica intradiária é de 171.969,01 pontos.
  • No dia anterior, o indicador terminou a sessão registrando ganhos de 0,87%, aos 166.276,90 pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 6,55% no ano.

Trump descarta ação militar, mas exige negociação por Groenlândia

Em discurso de mais de uma hora, em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, o presidente dos EUA, Donald Trump, descartou o uso da força pelo domínio da Groenlândia, mas exigiu “negociações imediatas” para a compra do território pertencente à Dinamarca.

“Eu tenho um grande respeito pelo povo da Groenlândia e pelo povo da Dinamarca, mas todo integrante da Otan tem a obrigação de ter a capacidade de defender seu território, e a verdade é que nenhum país ou grupo de países tem a capacidade de defender a Groelândia, além dos EUA”, afirmou Trump.

Segundo o presidente dos EUA, a “Groenlândia pode ter papel vital na paz do mundo”. “Quero um pedaço de gelo para proteger o mundo”, ressaltou.

A tensão política entre os EUA e a Europa aumentou após Trump ameaçar impor taxa a oito países europeus (Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido), pressionando o bloco a aceitar os desejos dos EUA pela Groenlândia.

A Groenlândia é um território autônomo, porém pertencente ao reino da Dinamarca. O país faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), assim como os EUA. O premiê da ilha, Jens-Frederik Nielsen, já declarou que o território não será governado pelos EUA, ressaltando que faz parte da Dinamarca.

Diversos países da Europa, que fazem parte da Otan, enviaram militares ao território da Groenlândia. A União Europeia (UE) realizou reunião de emergência após as ameaças de tarifas adicionais e prepara uma retaliação bilionária contra os EUA.

“Domo de Ouro” e duro recado ao Canadá

Em sua fala em Davos, Trump também criticou o Canadá e mandou uma mensagem ao primeiro-ministro do país, Mark Carney: “O Canadá vive dos EUA e deveria ser grato”.

Trump afirmou, ainda, que o território da Groenlândia é fundamental para a construção do Domo de Ouro, projeto de defesa antimísseis dos EUA. “Ele (Domo de Ouro) vai ser bom para defender o Canadá também. O Canadá vive dos EUA, e deveria ser grato. Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que for fazer uma declaração”, disse.

Mark Carney afirmou, na terça-feira (20/1), no mesmo fórum, que o mundo está passando por uma ruptura na ordem mundial. “O fim de uma ficção confortável e o início de uma realidade brutal, em que a geopolítica das grandes potências não está sujeita a nenhuma restrição”, alertou o premiê canadense.

Em seguida, Carney disse que grandes potências estão aumentando a crise mundial por utilizarem a integração econômica como arma, tarifas adicionais como instrumento de pressão e coerção. O líder do Canadá não citou o país vizinho nem Trump, mas o recado foi interpretado como crítica à política externa dos EUA.

Europa “não está na direção correta”, diz Trump

O presidente dos EUA disse que “ama” a Europa, mas que o continente “não está na direção correta”. Na última semana, Trump ameaçou aumentar tarifas em 10% sobre importações de países que se recusarem a apoiar a reivindicação do seu governo sobre a Groenlândia.

“Amo a Europa e quero ver a Europa se dando bem, mas ela não está na direção correta”, afirmou. “Alguns países da Europa podiam nos seguir nesse caminho (econômico), porque alguns lugares da Europa não são mais reconhecíveis”, acrescentou.

Segundo Trump, “nas décadas recentes, tornou-se consenso em Washington que a única maneira de crescer a economia ocidental era através do gasto governamental para a migração em massa sem controle”. “Isso trouxe empregos sujos, a indústria pesada foi mandada para outro lugar, a energia com bom custo foi substituída por esse ‘golpe verde’, e os países passaram a importar populações de terras distantes. Esse foi o caminho que o dorminhoco do Biden fez”, prosseguiu.

Ante a escalada dos EUA, países europeus como a França passaram a defender a retaliação econômica a importações norte-americanas, chamada de “bazuca”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse, em Davos, que a escolha de Trump por tarifas é um “erro” e “assim nos negócios, na política um acordo é um acordo”.

Ouro bate novo recorde com ameaças de Trump

Em meio a uma nova onda de preocupação nos mercados globais por causa da escalada nas tensões entre os EUA e a Europa, os preços do ouro voltaram a bater recorde, nesta quarta-feira, refletindo a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros em momentos de grande incerteza.

No início da tarde, os contratos futuros do ouro para fevereiro registravam valorização de 1,57% e eram negociados a US$ 4.840,70 por onça-troy, de acordo com dados da divisão de metais da Bolsa de Valores de Nova York.

Mais cedo, o ouro chegou a disparar 2,3%, para US$ 4.870 por onça-troy. Desde o início da semana, o metal precioso acumula valorização de 6%.

Segundo analistas do mercado, a trajetória ascendente da cotação do ouro continua se devendo, em grande parte, à busca dos investidores por ativos mais seguros em meio às incertezas nos EUA e diante de um mercado de ações superaquecido.

O mundo passa por uma fase turbulenta na geopolítica, com as novas ameaças tarifárias dos EUA contra a União Europeia (UE), a guerra entre Rússia e Ucrânia (que se desenrola há quase quatro anos), a invasão dos EUA na Venezuela e os recentes protestos que colocam em xeque o regime teocrático do Irã. Historicamente, em períodos de incerteza e instabilidade, ativos mais seguros ganham força.

A alta dos metais preciosos foi alavancada pelo chamado “comércio da desvalorização”, com investidores procurando segurança em ativos como bitcoin e criptomoedas em geral, ouro e prata, em um movimento de claro afastamento das principais moedas.

Bolsas sobem nos EUA e na Europa

Após as declarações de Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operavam em alta, acompanhando o movimento positivo dos mercados internacionais.

Por volta das 16h45 (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, avançava 1,56%, enquanto o S&P 500 subia 1,49%. A Bolsa Nasdaq, que reúne ações de empresas do setor de tecnologia, registrava alta de 1,5%.

Na Europa, depois de dois dias de fortes perdas no início da semana, os principais índices das bolsas de valores fecharam em alta. O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em leve queda de 0,02%, aos 602 pontos, praticamente estável em relação à sessão anterior.

Em Paris, o CAC 40 registrou ganhos de 0,08%, aos 8 mil pontos. Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou o pregão em alta de 0,11%, aos 10,1 mil pontos.

O Ibex 35, de Madri, também fechou no azul, com leve alta de 0,06%, aos 17,4 mil pontos.

A exceção ficou com a Bolsa de Frankfurt, na Alemanha. O índice DAX terminou o dia em queda de 0,58%, aos 24,5 mil pontos.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, “o tom mais moderado do discurso de Trump em Davos contribuiu para a redução dos prêmios de risco globais”. “No Brasil, embora o cenário externo tenha contribuído como um vetor relevante para o câmbio, destacam-se a os elevados fluxos globais para ativos locais/emergentes neste início de ano, sustentando a valorização do real frente ao dólar”, explica.

“O Ibovespa caminha para fechar o quarto pregão consecutivo em alta, superando pela primeira vez o patamar dos 170 mil pontos, em um dia em que vários fatores jogaram na mesma direção”, prossegue Shahini.

Para o analista, “o movimento foi liderado pelas blue chips, com destaque para a Petrobras, concentrando fluxo relevante e elevando o valor de mercado da companhia ao maior nível desde abril do ano passado”. “A alta reflete a continuidade do forte fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, em meio a uma rotação global para mercados emergentes, favorecida pelo alívio geopolítico após declarações mais moderadas de Donald Trump em Davos”, observa.

“No plano doméstico, pesquisas eleitorais indicando avanço nas pesquisas do candidato da oposição também ajudaram a melhorar a percepção de risco local, consolidando um pregão de bolsa em patamar recorde, dólar em menor nível no ano e forte movimento de queda dos juros futuros”, conclui Shahini.

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