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Ouro bate recorde histórico com incerteza gerada por “efeito Trump”

No início da tarde, os contratos futuros do ouro para fevereiro registravam alta de 1,57% e eram negociados a US$ 4.840,70 por onça-troy

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1 de 1 Imagem de barras de ouro - Metrópoles - Foto: Srinophan/Getty Images

Em meio a uma nova onda de preocupação nos mercados globais por causa da escalada nas tensões entre os Estados Unidos e a Europa, os preços do ouro voltaram a bater recorde, nesta quarta-feira (21/1), refletindo a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros em momentos de grande incerteza.


O que aconteceu

  • Por volta das 12h35 (pelo horário de Brasília), os contratos futuros do ouro para fevereiro registravam valorização de 1,57% e eram negociados a US$ 4.840,70 por onça-troy, de acordo com dados da divisão de metais da Bolsa de Valores de Nova York.
  • Mais cedo, o ouro chegou a disparar 2,3%, para US$ 4.870 por onça-troy.
  • Desde o início da semana, o metal precioso acumula valorização de 6%.

Por que o ouro continua subindo tanto

Segundo analistas do mercado, a trajetória ascendente da cotação do ouro continua se devendo, em grande parte, à busca dos investidores por ativos mais seguros em meio às incertezas nos EUA e diante de um mercado de ações superaquecido.

O mundo passa por uma fase turbulenta na geopolítica, com as novas ameaças tarifárias dos EUA contra a União Europeia (UE), a guerra entre Rússia e Ucrânia (que se desenrola há quase quatro anos), a invasão dos EUA na Venezuela e os recentes protestos que colocam em xeque o regime teocrático do Irã. Historicamente, em períodos de incerteza e instabilidade, ativos mais seguros ganham força.

A alta dos metais preciosos foi alavancada pelo chamado “comércio da desvalorização”, com investidores procurando segurança em ativos como bitcoin e criptomoedas em geral, ouro e prata, em um movimento de claro afastamento das principais moedas.

Groenlândia no alvo de Trump

Os investidores monitoram o agravamento da crise entre EUA e Europa, em meio à iniciativa declarada de Trump de tomar posse da Groenlândia – região autônoma que hoje pertence à Dinamarca.

A tensão política aumentou após Trump ameaçar impor taxa a oito países europeus (Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido), pressionando o bloco a aceitar os desejos dos EUA pela Groenlândia.

A Groenlândia é um território autônomo, porém pertencente ao reino da Dinamarca. O país faz parte da Otan, assim como os EUA. O premiê da ilha, Jens-Frederik Nielsen, já declarou que o território não será governado pelos EUA, ressaltando que faz parte da Dinamarca.

Diversos países da Europa, que fazem parte da Otan, enviaram militares ao território da Groenlândia. A UE realizou reunião de emergência após as ameaças de tarifas adicionais, e prepara retaliação bilionária contra os EUA.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, por sua vez, pediu que a população da ilha comece a se preparar para possível invasão militar dos EUA. Em entrevista coletiva, Nielsen afirmou que as autoridades locais já criaram força-tarefa para orientar os cidadãos sobre como agir caso a situação se concretize.

Apesar do alerta, Nielsen ressaltou que não considera provável um conflito militar, mas destacou que a Groenlândia, como membro da Otan, poderia impactar a segurança internacional caso ocorra uma escalada.

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