Sob ameaça nuclear, Rússia e Ucrânia iniciam negociação de cessar-fogo

No início da tarde, um assessor do ministro do Interior da Ucrânia disse que as negociações já tinham começado

atualizado 27/02/2022 16:10

Um veículo militar russo é visto perto da vila de Oktyabrsky, região de Belgorod, perto da fronteira russo-ucraniana. No início de 24 de fevereiro, o presidente da Rússia, Putin, anunciou sua decisão de lançar uma operação militar especial depois de considerar os pedidos dos líderes da República Popular de Donetsk e da República Popular de LuganskAnton VergunTASS via Getty Images

Na primeira negociação efetiva de um cessar-fogo, representantes da Rússia e da Ucrânia estão reunidos na tentativa de paralisar a guerra, que entra neste domingo (27/2) no quarto dia. A tensão foi elevada ao extremo após o presidente russo, Vladimir Putin, colocar “forças nucleares em alerta“.

No início da tarde, um assessor do ministro do Interior da Ucrânia disse que as negociações já tinham começado. As informações foram divulgadas por agências internacionais de notícias.

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O presidente Ucrânia, Volodymyr Zelensky, admitiu, neste domingo, que concordou em conversar com a Rússia e o encontro foi marcado na fronteira com Belarus, perto de Chernobyl.

Belarus passou a centralizar atenções na guerra, após o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, fazer alertas de uma possível investida militar bielorrussa. A Comissão Europeia também fez o mesmo tipo de acusação.

Os russos já controlam a usina nuclear de Chernobyl desde quinta-feira (24/2). Lá, um grave desastre nuclear ocorreu em abril de 1986. O governo ucraniano preocupa-se, sobretudo, com um depósito de resíduos nucleares que existe no local. Noventa e duas pessoas são feitas reféns.

A reunião

Mais cedo, neste domingo (27/2), o governo russo disse que enviou uma comitiva a Gomel, na Belarus, para negociar. Os ucranianos recusaram o encontro, alegando que o país não é neutro – tropas russas partiram de Belarus para invadir a Ucrânia.

O líder bielorrusso, Alexander Lukashenko, porém, entrou em contato com Zelensky, que concordou em mandar representantes ucranianos para falar com os russos.

A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança. Os laços entre Rússia, Belarus e Ucrânia existem desde antes da criação da União Soviética (1922-1991).

Rússia avança

Também neste domingo (27/2), as tropas russas entraram na segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv. Além disso, mísseis balísticos atingem refinaria e gasoduto em território ucraniano.

O governo russo afirmou que uma delegação teria sido enviada a Belarus para discutir termos de um acordo de paz com a Ucrânia. Os ucranianos, entretanto, alegaram que as ofertas foram declinadas “categoricamente”. Depois disso, Zelensky divulgou a mensagem no Twitter.

Diante do aceno, o governo ucraniano entrou com uma ação contra os invasores no Tribunal Internacional de Justiça da Organização das Nações Unidas (ONU), em Haia

“A Ucrânia entrou oficialmente com uma ação contra a Rússia no Tribunal Internacional de Justiça da ONU, em Haia. Exigimos que a Rússia seja responsabilizada por distorcer o conceito de genocídio para justificar a agressão”, escreveu o presidente ucraniano.

Zelensky também solicitou que o órgão marque uma conversa entre as partes. “Pedimos ao tribunal que ordene imediatamente à Rússia que cesse as hostilidades e agende uma audiência na próxima semana”, assinalou.

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