Europa reage mal à retirada de sanções dos EUA contra petróleo russo

Pressionados pela alta do petróleo após a guerra no Irã, os Estados Unidos decidiram flexibilizar sanções contra empresas russas por 30 dias

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EUA flexibiliza sanções contra petróleo russo e países europeus reagem mal
1 de 1 EUA flexibiliza sanções contra petróleo russo e países europeus reagem mal - Foto: Arte/Metrópoles

Líderes da Europa não reagiram bem à suspensão das sanções dos Estados Unidos contra empresas petrolíferas russas. Representantes de países europeus que condenam a Rússia pela guerra com a Ucrânia – como França, Alemanha e Reino Unido – repudiaram a medida anunciada pelo governo de Donald Turmp nessa quinta-feira (12/3).

A suspensão das sanções terá duração de 30 dias, até 11 de abril, e só vale para petróleo de navios russos que já estejam no mar, conforme divulgado pelo governo norte-americano. A decisão surge em um momento de alta no preço do petróleo mundial, em decorrência da guerra no Irã e do fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de transporte de petroleiros no Oriente Médio.

Parte da Europa teme que a Rússia seja favorecida economicamente em razão das negociações de petróleo, o que daria um fôlego a mais ao país para continuar a guerra contra a Ucrânia, que já dura mais de quatro anos. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alegou que a flexibilização das sanções americanas pode gerar US$ 10 bilhões à Rússia.


Reações

  • O presidente da França, Emmanoel Macron, afirmou que a situação atual “de forma alguma justifica a retirada de sanções” contra a Rússia;
  • O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz foi enfático em classificar a medida como um erro. “Acreditamos que é errado aliviar as sanções”. O alemão afirmou que a Rússia não demonstra vontade de negociar solução pacífica no conflito com a Ucrânia.
  • No Reino Unido, o premiê Keir Starmer afirmou que a posição é clara: “Todos os parceiros devem manter a pressão sobre a Rússia e seu cofre de guerra”.

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Zelensky, presidente ucraniano, afirmou que a medida pode gerar 100 bilhões de dólares à Rússia
Presidente da Comissão Europeia considera um "erro estratégico" que beneficará a Rússia
Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial
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Presidentes da Rússia e dos Estados Unidos, Vladimir Putin e Donald Trump
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Zelensky, presidente ucraniano, afirmou que a medida pode gerar 100 bilhões de dólares à Rússia

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Presidente da Comissão Europeia considera um "erro estratégico" que beneficará a Rússia
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Repúdio da União Europeia

Autoridades da União Europeia (UE) também repudiaram a retirada de sanções. A presidente da Comissão Europeia – órgão executivo da UE -, Ursula Von der Leyen, foi contrária à medida antes mesmo do anúncio por parte dos EUA.

“Seria um erro estratégico. Essa não é a hora de flexibilizar sanções à Rússia”, afirmou ela na quarta-feira (11/3).

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que a medida é “muito preocupante, pois afeta a segurança europeia”.

“A crescente pressão econômica sobre a Rússia é decisiva para que ela aceite uma negociação séria em busca de uma paz justa e duradoura”, afirmou António.

O que dizem Rússia e Ucrânia

Zelensky afirmou nesta sexta (13/3) que a retirada de sanções não só fortalecerá a Rússia como o próprio Irã, que está em guerra contra os EUA e Israel. O presidente ucraniano alega que o Irã utiliza drones russos em suas ofensivas militares.

“E, como já podemos constatar em relatórios de inteligência, esses mesmos drones também são usados ​​contra os vizinhos do Irã, países do Oriente Médio e contra europeus e americanos presentes em diversas bases na região. Portanto, suspender as sanções apenas para acabar com mais drones sobrevoando o país, na minha opinião, simplesmente não é a decisão correta”, alegou.

Ao criticar a iniciativa americana, Zelensky fez um apelo para que o bloco europeu instaure o 20º pacote de sanções contra a Rússia.

Já a Rússia, por meio de Kirill Dmitriev, representante russo em Investimento e Cooperação Econômica, afirmou que os Estados Unidos “reconheceram o óbvio: sem o petróleo russo, o mercado energético global não consegue se manter estável”.

Dmitriev disse que a medida alcança 100 milhões de barris de petróleo que estão em trânsito.

Nesta sexta-feira (13/3), o preço do barril de petróleo internacional bateu US$ 103. Para fins de comparação, um dia antes da guerra no Irã, em 27 de fevereiro, o preço da unidade estava em US$ 72.

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