Sob negociações trilaterais, guerra da Ucrânia completa 4 anos

Conflito entre Ucrânia e Rússia completa quatro anos sem acordo territorial, com alto custo humano e novas negociações, agora, trilaterais

atualizado

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Putin e Zelensky
1 de 1 Putin e Zelensky - Foto: Arte/Metrópoles

Há 1.461 dias, na manhã de quarta-feira, 24 de fevereiro de 2022, teve início a guerra da Ucrânia. Hoje, quatro anos depois, o conflito se encontra em um impasse prolongado, marcado por negociações trilaterais entre Kiev, Moscou e Washington, sem acordo definitivo e com custos humanos, econômicos e geopolíticos que já redesenharam o tabuleiro internacional.

Nas primeiras horas daquela manhã, a ideia de que o Kremlin lançaria um ataque em larga escala contra Kiev ainda parecia improvável, apesar da concentração de tropas na fronteira.

Mísseis começaram a cair sobre a capital, confirmando que o presidente russo, Vladimir Putin, havia ordenado a maior invasão terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Àquela época, Putin tinha em mente que a ofensiva seria rápida e que, em poucos dias, poderia chamar o território ucraniano de seu, ou melhor, “da Rússia”.

Segundo o think tank britânico Royal United Services Institute (RUSI), o Kremlin esperava assumir o controle da Ucrânia em apenas 10 dias. Quatro anos depois, essa previsão se mostrou um erro estratégico.

Embora Moscou tenha conquistado cerca de 20% do território ucraniano, o país invadido resistiu, apoiado por aliados ocidentais e pela mobilização interna.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, demonstra estar cada vez mais impaciente. Nos últimos dias, ele endureceu o tom contra Moscou e criticou o uso de argumentos históricos nas negociações.

“Estamos prontos para compromissos reais. Mas não para compromissos que custem nossa independência e soberania”, afirmou.

Negociações travadas e impasse territorial

  • A guerra entra no quinto ano sob intensa movimentação diplomática.
  • Rodadas recentes de negociações envolvendo Ucrânia, Rússia e Estados Unidos registraram avanços pontuais, especialmente em temas humanitários, como trocas de prisioneiros.
  • Ainda assim, o principal obstáculo permanece: o destino dos territórios ocupados.
  • Zelensky indicou que aceita discutir um acordo com base nas atuais linhas de frente, mas rejeita qualquer solução que legitime perdas permanentes.
  • A mediação tem sido liderada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que pressiona por um acordo e já afirmou que Moscou demonstra interesse em encerrar o conflito, ao mesmo tempo em que cobra maior flexibilidade de Kiev.

Guerra de desgaste e perdas históricas

O custo humano é considerado o maior desde 1945 para uma grande potência. Estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) indicam que cerca de 1,2 milhão de soldados russos foram mortos ou feridos desde o início da invasão. Do lado ucraniano, as perdas militares são estimadas entre 500 mil e 600 mil.

Autoridades ucranianas afirmam que o objetivo atual é enfraquecer a capacidade russa de reposição de tropas. “Eles veem as pessoas como um recurso, e a escassez já é evidente”, disse o ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov.

Além das baixas militares, milhares de civis morreram, cidades foram destruídas e milhões de pessoas foram deslocadas.

Apesar das sanções, a economia russa resistiu melhor do que o esperado inicialmente. Impulsionada pelas exportações de petróleo e gás, a Rússia se tornou a 9ª maior economia do mundo em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional.

No entanto, os efeitos da guerra começam a pesar.

O recrutamento militar e o aumento da produção bélica provocaram escassez de mão de obra em setores civis.

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Presidente da Rússia, Vladimir Putin
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky
Vladimir Putin faz visita ao posto de comando da Força Conjunta
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Vladimir Putin faz visita ao posto de comando da Força Conjunta
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Vladimir Putin faz visita ao posto de comando da Força Conjunta

Kremlin

Ucrânia enfrenta destruição bilionária

Do lado ucraniano, o impacto material é devastador. Estimativas conjuntas do governo da Ucrânia, Banco Mundial, Comissão Europeia e ONU apontam que o custo da reconstrução chegará a US$ 588 bilhões (mais de R$ 3 trilhões) na próxima década.

Os danos diretos já ultrapassam US$ 195 bilhões, com os setores de energia, transporte e habitação entre os mais afetados.

EUA no xadrez

A participação dos Estados Unidos tem sido central nas negociações trilaterais, tanto como mediador quanto como parte interessada no desfecho do conflito.

Sob a liderança do presidente Donald Trump, Washington intensificou a pressão por um acordo e passou a atuar diretamente na interlocução entre Kiev e Moscou, além de defender que os norte-americanos tenham papel na fiscalização de um eventual cessar-fogo.

O governo dos EUA também ampliou seu envolvimento estratégico ao firmar entendimentos com a Ucrânia em áreas como defesa e minerais estratégicos, o que transforma as negociações em um jogo de forças e amplia o peso dos interesses norte-americanos sobre o futuro do território ucraniano.

Influência global da Rússia

No cenário internacional, a guerra produziu consequências contrárias aos objetivos iniciais do Kremlin.

Uma das principais justificativas de Moscou era impedir a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No entanto, a invasão levou à adesão da Finlândia e da Suécia à aliança, ampliando a presença militar ocidental nas fronteiras russas.

Além disso, sanções econômicas, isolamento diplomático e a dependência crescente da China reduziram o peso geopolítico russo.

O que começou como uma ofensiva relâmpago transformou-se em uma guerra de desgaste sem prazo para terminar.

Às vésperas do quarto aniversário, Zelensky chegou a afirmar que Putin já iniciou uma “Terceira Guerra Mundial”, argumentando que a Ucrânia atua como uma barreira contra uma escalada mais ampla.

“Existem diferentes pontos de vista sobre a Terceira Guerra Mundial. Acredito que Putin já a iniciou. A questão é: quanto território ele conseguirá conquistar e como impedi-lo?”, disse.

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