Alta do petróleo cria pânico sobre inflação: dólar dispara e Bolsa cai
Moeda americana registrou elevação de 1,37% frente ao real, cotada a R$ 5,31. O Ibovespa, o principal índice da B3, fechou em queda de 0,91%
atualizado
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O dólar registrou alta de 1,37% frente ao real, cotado a R$ 5,31, o maior valor desde janeiro, nesta sexta-feira (13/3). Na véspera, a moeda americana já havia avançado 1,62%, alcançando R$ 5,25.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,91%, aos 177,6 mil pontos. Na quinta-feira (12/3), ele desabou 2,55%.
Pela manhã, porém, os mercados de câmbio e de capitais viveram momentos de alívio. A cotação do petróleo apresentava queda, embora tênue. Às 10h30, por exemplo, o barril do tipo Brent, que é a referência internacional, recuava 1,40%, a US$ 99.
Com o agravamento do confronto, no entanto, essa tendência virou. Às 16h45, a commodity já avançava em ritmo forte. A nova elevação era de 2,40%, a US$ 102,8 o mesmo barril do tipo Brent. Nesse momento, todos os alarmes já haviam sido disparados. O mercado entrou num modo de forte aversão ao risco.
Futuros disparam
Os juros futuros dispararam. João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa Investimentos, observa que as taxas para janeiro de 2027 passaram a ser precificadas a 14,25%, numa alta de 1,82%. Há um mês, elas estavam em 13,1%.
Os juros futuros, indicados pela sigla DI (Depósito Interfinanceiro), representam contratos negociados na B3 e refletem a expectativa do mercado financeiro para as taxas (Selic/CDI) em datas futuras.
“Isso quer dizer que o mercado já não precifica a mesma queda de juros de antes da guerra”, diz Saccardo. “A disparada do petróleo vai bater na inflação. Assim, os bancos centrais provavelmente não vão derrubar as taxas da maneira que vinha sendo prevista, caso o conflito no Oriente Médio persista por mais tempo.”
Tensão externa
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a alta do dólar refletiu a tensão do ambiente externo, marcado por incertezas geopolíticas. “A persistência da guerra mantém a volatilidade no preço do petróleo, com o Brent orbitando novamente a faixa de US$ 100 por barril”, diz. “Isso reforça temores de pressões inflacionárias em nível global e sustenta a busca por ativos tidos como mais seguros, como a moeda americana.”
Shahini observa que o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), também subiu. “Ele operou acima dos 100 pontos, o maior nível observado desde maio do ano passado.”, afirma.
Política monetária
O analista também considera que o movimento do mercado também indica uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos. “No mercado implícito de Fed Fund, os investidores passaram a reduzir as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), com a expectativa atual apontando para cerca de 18 pontos-base de redução em 2026”, diz. “Isso está bem abaixo dos quase 40 pontos-base precificados há apenas uma semana. Esse ajuste nas expectativas de juros reforça a força da moeda americana.”
Shahini observa que, no plano doméstico, o Banco Central (BC) atuou diretamente no mercado de câmbio, realizando leilão de venda de US$ 1 bilhão no mercado à vista e operação de swap cambial reverso no mesmo montante.
Choque inflacionário
“E a curva de DI (dos juros futuros) voltou a abrir refletindo principalmente o movimento do exterior”, afirma o analista. “Os rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida americana) de longo prazo avançam pelo quarto pregão consecutivo, acumulando alta superior a 30 pontos-base desde as mínimas do ano, movimento que tem pressionado as curvas globais.”
No Brasil, acrescenta Shahini, a pressão também incorpora o risco de choque inflacionário vindo da alta do petróleo, além da combinação de dólar mais forte e deterioração do ambiente externo. “Esse ajuste também foi amplificado pelo posicionamento do mercado, que carrega forte posição aplicada na curva de juros, levando à redução dessas posições e intensificando a abertura dos DIs ao longo das últimas sessões.”
Queda geral
Nesse cenário, os principais índices de ações da Europa e dos Estados Unidos também fecharam em queda. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países europeus, caiu 0,50% e o FTSE 100, da Bolsa de Londres, recuou. O DAX, de Frankfurt, baixou 0,60% e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,91%.
Em Nova York, a situação foi semelhante. Às 16h50, as baixas eram generalizadas: de 0,61%, no S&P 500; de 0,26%, no Dow Jones; e de 0,95%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Aumento do diesel
Resultado da guerra, a Petrobras anunciou nesta sexta-feira um aumento de R$ 0,38 por litro do diesel para as distribuidoras. Com a mudança, o preço médio do combustível será de R$ 3,65 por litro.
