Quinta sangrenta: dólar dispara e Bolsa desaba com petróleo e inflação

Moeda americana registrou forte alta de 1,62%, cotada a R$ 5,24. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, caiu quase 2,55%

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Os mercados de câmbio e de ações tiveram o que os analistas definem como um “pregão sangrento” nesta quinta-feira (12/3), O dólar registrou alta de 1,62% frente ao real, cotado a R$ 5,24. Na véspera, ficou em R$ 5,15. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), derreteu 2,55%, aos 179,2 mil pontos.

A sessão tive dois grandes vetores. Um deles – com maior peso no cômputo final – veio do exterior, com uma nova disparada dos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. O outro elemento, que surgiu no cenário interno, foi o resultado da inflação de fevereiro, maior do que o esperado pelos agentes econômicos.

No caso do petróleo, às 16h30, o barril do tipo Brent, a referência para o mercado mundial, subia quase 10%, a US$ 101 nos contratos para maio deste ano. Ou seja, a commodity voltou ao patamar de três dígitos, depois de ter saído da casa de US$ 73 no período pré-conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Pressão sem tréguas

E a pressão de alta sobre o produto é permanente desde o início do conflito, no sábado (28/2). Ela nem sequer ameaçou arrefecer com a ação coordenada da Agência Internacional de Energia (AIE) que concordou, na quarta-feira (11/3), em liberar 400 milhões de barris de petróleo para o mercado global.

Esse foi o maior despejo de reservas emergenciais do produto da história. O objetivo da medida era reforçar o fornecimento de petróleo para equilibrar a cotação, contendo a escalada dos preços. Foi em vão, porém.

Sem escolta

Além disso, na quarta e na madrugada desta quinta-feira, a tensão aumentou com o ataque ao Porto de Basra, a partir do qual o Iraque interrompeu a operação nos terminais de petróleo do país. Acrescente-se que, na terça (10/3), a Marinha dos Estados Unidos comunicou que não escolta navios pelo Estreito de Ormuz, no coração do teatro de combates.

Em paralelo, as incertezas aumentaram com declarações ameaçadoras feitas pelo comando militar do Irã, também na terça-feira. Ele alertou que o mundo deve se preparar para um petróleo a US$ 200 o barril.

Mensagem

Para fazer ecoar os temores, a primeira mensagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, foi justamente sobre Ormuz. Ele disse nesta quinta-feira que o estreito deve permanecer fechado. A passagem, acrescentou, será usada como uma ferramenta de pressão sobre os Estados Unidos e Israel.

Inflação no Brasil

No cenário doméstico, os investidores acompanharam a divulgação, nesta quinta-feira, dos números da inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ela subiu 0,70% em fevereiro, acima das projeções do mercado, que previam 0,64%.

Para analistas, essa diferença terá efeito negativo na definição do novo patamar de juros do país. Ele será definido na próxima quarta-feira (18/3), pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).

Note-se que os números da inflação em fevereiro não captam os efeitos negativos sobre a economia global, provocados pela guerra no Oriente Médio. Isso inclui a disparada do preço do petróleo, que saiu da casa dos US$ 73, antes do início da guerra, e bateu em US$ 100 nesta quinta-feira. No início do conflito, ele encostou em US$ 120.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que alta do dólar refletiu, principalmente, a deterioração do ambiente externo, marcada pela escalada das tensões no Oriente Médio e pelo avanço do petróleo novamente próximo da faixa de US$ 100 por barril. Isso depois de novos ataques a embarcações no Golfo e declarações do líder supremo iraniano defendendo a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz.

“Em paralelo, o movimento também tem provocado uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos, com o mercado adiando de julho para setembro o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), ao mesmo tempo em que os rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida dos Estados Unidos) voltam a subir, dando mais força ao dólar no exterior”, afirma.

No plano doméstico, nota o especialista, o movimento encontra impulso adicional no IPCA de fevereiro acima do esperado, que reforçou a cautela em relação ao processo de desinflação e levou à abertura da curva de juros no Brasil, com o mercado reduzindo apostas de um corte mais intenso da Selic na próxima reunião do Copom. “Em síntese, o mercado vem digerindo uma série de fatores como combinação de choque geopolítico, petróleo elevado, dólar globalmente mais forte e maior cautela com a inflação local, operando em modo defensivo e penalizando ativos de risco”, diz Shahini.

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