Dólar cai e Bolsa sobe com tombo do preço internacional do petróleo
Moeda americana registrou recuo de 0,15% frente ao real, a R$ 5,15. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, subiu 1,40%
atualizado
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Os investidores ameaçaram retomar com força o apetite por risco, mas tal tendência perdeu força no fim da tarde desta terça-feira (10/3). Com isso, o dólar, que chegou a ser cotado a R$ 5,13, registrou queda de apenas 0,15% em relação ao real, encerrando o pregão a R$ 5,15.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 1,40%, aos 183,4 mil pontos. Antes disso, por volta das 14h30, ele havia disparado 2%, batendo em 185,3 mil pontos.
Ambos os movimentos, tanto a pequena queda do dólar como a considerável elevação das ações, seguiram, em grande medida, uma tendência global. Num primeiro momento, os mercados animaram-se com a possibilidade do fim da guerra no Oriente Médio, depois de declarações nesse sentido feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira (9/3).
Apesar das afirmações do republicano, Teerã foi novamente bombardeada pelos Estados Unidos e Israel nesta terça-feira. Os ataques foram descritos pela imprensa internacional como os mais intensos desde o início do atual conflito, há 11 dias, no sábado (28/2).
Gangorra de informações
No pregão, os investidores também repercutiram de forma positiva a informação segundo a qual um supercargueiro com dois milhões de barris de petróleo iraniano atravessou, nesta terça-feira, o Estreito de Ormuz. Circulam pela região cerca de 20% da produção mundial da commodity. Na última semana, o governo iraniano informou seguidas vezes o fechamento da passagem.
Ainda assim, as dúvidas sobre a navegação por Ormuz voltaram a assustar os analistas à tarde, criando uma gangorra de informações, ora favoráveis, ora terríveis. Desta vez, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que não permitirá a saída de petróleo do Oriente Médio até o fim dos ataques dos Estados Unidos e Israel. Trump, em contrapartida, ameaçou atingir o país com uma força “20 vezes maior” caso as exportações permaneçam bloqueadas.
Queda do petróleo
O fato concreto é que o preço internacional do petróleo caiu nesta terça-feira, depois de dar sucessivas arrancadas nos últimos dias. Às 16h35, o barril do tipo Brent, que serve de referência mundial, baixava 8%, a US$ 90, em contratos para maio deste ano. Ao longo do dia, porém, ele chegou a desabar 15%, com cotação próxima a US$ 85 o barril.
Tais números representaram um forte alívio, notadamente em comparação com os valores praticados no último fim de semana. O barril de Brent chegou a se aproximar dos US$ 120, a maior cotação desde 2022.
Bolsas em alta
Foi diante desse recuo que as principais bolsas globais ganharam tração. Na Europa, houve forte elevação dos principais índices. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, fechou em alta de 1,82%. O DAX, de Frankfurt, deu um salto maior: 2,39%. O FTSE 100, de Londres, aumentou 1,59% e o CAC 40, de Paris, subiu 1,79%.
Em Wall Street, o quadro chegou a ficar no positivo, mas, depois, cedeu. Se às 15 horas o S&P 500 subia 0,59%, às 16h45 ele recuava 0,07% (ou seja, mantinha-se próximo à estabilidade). O Dow Jones, que chegou a avançar 0,79%, reduziu a alta para 0,05%. O Nasdaq, que concentra papéis de empresas de tecnologia, anotou valorização de 0,75%, mas perdeu fôlego e, também às 16h45, andava de lado com 0,03% positivo.
Ibovespa
No Ibovespa, por outro lado, houve uma recuperação dos papéis com maior peso no índice. As ações da Vale e dos grandes bancos subiram em uníssono. Nesse grupo de “blue chips”, a única exceção foi a Petrobras, que registrou queda com a diminuição do preço do petróleo mundial, depois de fortes altas puxadas pela valorização da commodity.
Análise
Na avaliação de João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa Investimentos, o mercado está tão volátil desde o início da guerra no Oriente Médio que está difícil saber o que está fazendo o preço das ações. Mas a perspectiva de fim dos combates, nota o técnico, foi o principal vetor dos mercados nesta terça-feira.
Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, observa que a ascensão do Ibovespa e o aprofundamento da queda do dólar no Brasil ocorreram depois da notícia da circulação do superpetroleiro pelo Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo do mundo.
Choque energético
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, afirma que a queda do dólar na sessão ocorreu num contexto de melhora do apetite por risco nos mercados depois das declarações de Trump, sugerindo que o conflito com o Irã pode se aproximar do fim.
“A sinalização levou a uma forte correção nos preços do petróleo, que devolvem parte da alta recente, o que ajuda a reduzir temores de um choque energético prolongado e de pressões inflacionárias globais”, diz Shahini.“Com isso, parte da demanda defensiva por dólar perdeu força. Internamente, o real registra o segundo dia consecutivo de valorização frente ao dólar, acumulando alta superior a 2,5% e voltando a níveis próximos aos observados no início do conflito. O movimento também encontra suporte em fatores domésticos, como o elevado diferencial de juros no Brasil e a retomada do fluxo estrangeiro para o Ibovespa.”
