Dólar e Bolsa caem com petróleo a caminho dos US$ 100 por barril

Moeda americana registrou baixa de 0,81%, cotada a R$ 5,24. O Ibovespa, o principal índice da B3, fechou em queda de 0,61%

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Jackal Pan/Getty Images

O dólar registrou queda de 0,75%, cotado a R$ 5,24, nesta sexta-feira (6/3). Apesar da baixa no pregão, a moeda americana valorizou-se 2,14% frente ao real nesta semana.

O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 0,61, aos 179,3 mil pontos. Na última semana, o recuo do indicador ficou em cerca de 4,50%.

A guerra no Oriente Médio segue ditando o tom dos mercados globais de câmbio e ações. As atenções, na verdade, estão voltadas para a evolução dos preços do petróleo no mercado mundial. Em uma semana, ele registrou elevação de 29%.

Antes do conflito, iniciado no sábado (28/2), o barril do tipo Brent, a referência para o mercado mundial, oscilava em torno de US$ 73. Nesta sexta-feira, os contratos futuros para maio da commodity chegaram a US$ 93. A alta pode ter efeito devastador na economia, pressionando a inflação e, como consequência, adiando cortes de juros tanto no Brasil como nos Estados Unidos.

No fim da sessão, o Brent para maio avançou 8,52%, a US$ 92,69 o barril. E o petróleo WTI para o mesmo mês subiu 12,20% a US$ 90,90.

EUA e Europa

Nesse contexto, as principais bolsas europeias e americanas tiveram mais um dia de baixas intensas. O índice Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países da Europa, caiu 1,02%. O DAX, de Frankfurt, recuou 0,94% e o FTSE 100, de Londres, 1,24%. Em Paris, a baixa foi menor: 0,65%.

Às 16h15, Nova York também estava no vermelho. As baixas eram generalizadas entre os grandes índices. Alcançava -1,03% no S&P 500; -0,99% no Dow Jones; e -1,00% no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Emprego em baixa

Não foi só o petróleo que influenciou os mercados no pregão. O principal relatório sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, o payroll, indicou o fechamento de 92 mil vagas de emprego em fevereiro. Essa foi a maior queda mensal do indicador desde outubro de 2025. O número ficou abaixo das previsões dos analistas, que apontavam para a criação (e não o corte) de 59 mil postos.

Os dados divulgados sobre janeiro foram revisados para baixo. O total de vagas abertas foi de 126 mil, ante 130 mil notificadas anteriormente. Ou seja, as informações, veiculadas pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho, mostraram um mercado fraco.

Como agravante, o presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Chicago, Austan Goolsbee, classificou o relatório como uma “grande decepção”. Ele espera que a inflação caminhe para a meta de  2%, permitindo a retomada dos cortes de juros no país. Goolsbee observou, contudo, que dados recentes de inflação são “preocupantemente altos”. Por isso, a redução das taxas pode ser postergada.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o payroll de fevereiro surpreendeu negativamente, com o corte líquido de 92 mil vagas no mercado de trabalho americano. “Ainda assim, o efeito do dado acabou sendo sobreposto pelo aumento do risco geopolítico, que passou a ser o principal vetor da sessão”, diz o analista.

“No câmbio, o dólar perdeu força no exterior, enquanto as moedas ligadas a commodities, como a coroa norueguesa e o dólar australiano, avançaram com a disparada do petróleo”, afirma Shahini. “Nesse contexto, o dólar à vista no Brasil acompanhou a dinâmica externa e fechou em queda em um mercado pela volatilidade.”

“Sexta-Feira da Maldade”

Felipe Sant’Anna, do grupo Axia Investing, definiu o pregão como uma “Sexta-Feira da Maldade”, com o mercado indo para um lado e para o outro, sem chegar a nenhum lugar. “Mas o Ibovespa passou 99% do tempo no terreno negativo, experimentando um pequeno momento de euforia até a chegada do payroll americano”, diz.

O relatório, destaca o especialista, mostrou uma forte retração do emprego, espalhando o mau humor pelos mercados. “No Ibovespa, os bancos todos performaram mal hoje, com o IFNC (o índice do sistema financeiro) registrando queda de 1,2%”, afirma.

Entre os papéis de maior peso no índice, as ações da Petrobras foram a exceção. Às 17h30, elas subiam 5,41% (ON, as ordinárias, com direto a voto em assembleias). A alta foi puxada tanto pelo salto do preço do petróleo como pelo balanço apresentado na véspera pela companhia, com lucro líquido de R$ 110,1 bilhões em 2025, avanço de cerca de 200% em relação ao ano anterior.

“Petróleo é tudo”

Sant’Anna acrescenta que tanto o payroll como a guerra no Oriente Médio produzem uma “frustração no mercado” a respeito dos cortes de juros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Isso porque o alívio da política monetária pode ser comprometido pelo temor de alta da inflação, com a disparada dos preços do petróleo.

“Um petróleo mais caro é um ativo absurdamente inflacionário no mundo todo. Tudo é petróleo. E ele pode chegar à casa dos US$ no fim de semana”, afirma. “Além disso, entre os investidores, nesta sexta-feira, ninguém quis se expor mantendo posições compradas em um fim de semana com dois dias sem operações no mercado financeiro, onde tudo pode acontecer.”

Juros futuros

Henrique Cozzolino, da Zermatt Partners, destacou que, em quatro dias nesta semana, a alta dos 30 dias anteriores foi zerada no Ibovespa. “A queda foi muito forte, em virtude da escalada da guerra”, diz.

Para ele, o impacto da inflação não se limita ao petróleo. “Isso pode se estender para preços de passagens aéreas, custos de frete, navios, não só petroleiros, mas contêineres, de uma forma geral, com impacto nas cadeias globais e suprimentos.”

Tudo isso, reitera Cozzolino, reduz a probabilidade de corte de juros. Ele destaca ainda o aumento da curva de juros, que saiu de 12,54%, em 28 de janeiro, para 13,16%, nesta sexta-feira.

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