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Dólar cai e Bolsa sobe pela 1ª vez desde o início da guerra EUA-Irã

Moeda americana recuou 0,89% frente ao real, a R$ 5,21. O Ibovespa avançou 1,24%. Tensão diminuiu com preço do petróleo estável, embora alto

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Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles - Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

Os mercados de câmbio e de ações voltaram a um estado de moderada calmaria nesta quarta-feira (4/3), pela primeira vez desde o início dos confrontos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no sábado (28/2). Com isso, o real fortaleceu-se em relação ao dólar e o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), operou no azul.

Ao fim da sessão, o dólar registrou queda de 0,89% frente ao real, cotado a R$ 5,21, depois de ter disparado nos dois dias anteriores. E a baixa foi global. Às 16h50, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), também recuava 0,29%, aos 98,77 pontos.

O Ibovespa, por sua vez, subiu 1,24%, aos 185,3 mil pontos. Na véspera, o indicador caiu 3,46%, aos 182,7 mil pontos, Também operaram em alta os principais indicadores das bolsas europeias e americanas.

Europa e EUA

Na Europa, o Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, fechou em alta de 1,37%. O DAX, de Frankfurt, avançou 1,74% e o FTSE 100, de Londres, subiu 0,80%. Já o CAC 40, de Paris, encorpou em 0,79%.

O mesmo ocorreu em Nova York. Às 16h20, os principais índices das bolsas americanas estavam em alta. Os avanços eram de 0,93% no S&P 500; 0,53% no Dow Jones; e 1,60% no Nasdaq, que concentra ações do setor de tecnologia.

Mudança de humor

A mudança do humor dos mercados foi resultado de um menor temor sobre os impactos da guerra na economia, marcada por uma estabilização do preço internacional do petróleo, ainda que em patamar elevado. Com o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no sábado (28/2), a cotação desembestou. O barril do tipo Brent, referência mundial, chegou à casa dos US$ 84, mas, nesta quarta-feira, voltou para cerca de US$ 82 (c0ntratos para maio).

A disparada do petróleo havia despertado fortes temores sobre um recrudescimento da inflação. De acordo com o economista André Braz, coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), cada aumento de 1% do preço da gasolina resulta numa elevação de 0,05 ponto percentual no Índice Nacional de Preço ao Consumidor (IPCA), que indica a inflação oficial no Brasil.

Medo dos juros

Uma eventual escalada dos preços, temiam os agentes econômicos, teria forte impacto na perspectiva de redução de juros, tanto nos Estados Unidos como no Brasil. As novas taxas serão definidas pelos bancos centrais dos dois países em reuniões que ocorrem daqui a duas semanas.

“Oferta secreta”

Mas, nesta quarta-feira, a relativa calmaria dos mercados prevaleceu depois da divulgação da notícia de negociações para o fim da guerra no Oriente Médio, que opõe Estados Unidos e Israel contra o Irã.

De acordo com o jornal The New York Times, autoridades da inteligência iraniana estariam em contato com representantes de Washington para discutir o assunto. As conversas, que incluiria uma “oferta secreta” se negociação, teriam ocorrido entre agentes do Ministério da Inteligência do Irã e da Agência Central de Inteligência dos EUA, a CIA.

Na terça-feira (3/3), o presidente dos EUA, Donald Trump, também havia afirmado que, se necessário, a Marinha americana escoltaria embarcações que transportam petróleo pelo Estreito de Ormuz, entre os Emirados Árabes/Omã e o Irã, a principal rota para o escoamento da commodity no Oriente Médio.

Análise

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o “dia foi marcado por um movimento de acomodação nos mercados, depois do estresse observado no pregão anterior”. “A estabilização dos preços do petróleo, após a forte alta provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, ajudou a aliviar parte da pressão sobre o dólar”, diz. “Com isso, investidores passaram a devolver os prêmios incorporados na divisa americana, num dia típico ajuste técnico após movimentos de alta recente.”

O analista observa que o dólar também perdeu força frente a pares relevantes e moedas emergentes ligadas a commodities. “A percepção de que os EUA podem garantir o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz contribuiu para reduzir parcialmente o prêmio de risco geopolítico, diminuindo a demanda defensiva pela moeda americana”, afirma.

Para Leonardo Santana, da casa de análise Top Gain, houve, nesta quarta-feira, “uma correção, tanto no mercado brasileiro quanto nos internacionais”. “Não porque o cenário tenha melhorado, mas porque simplesmente não houve novidade relevante sobre a guerra”, diz. “O fluxo de notícias perdeu intensidade. Os Estados Unidos decidiram proteger navios petroleiros, especialmente no Estreito de Ormuz, para evitar interrupções na circulação e nas transações globais de petróleo. Acredito que essa sinalização trouxe algum alívio momentâneo.”

Ibovespa

Felipe Sant’Anna, do Axia Investing, observa que, no Ibovespa, várias ações mostraram força no pregão em especial do setor bancário, em mais um dia em que a guerra se sobrepôs à divulgação de índices econômicas. “A alta do índice ainda não repõe as perdas recentes, mas mostra que os ativos são resilientes e podem, nos próximos dias, não havendo maiores informações negativas, se recuperar até o patamar de sexta-feira (27/2)”, afirma.

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