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Dólar sobe e Bolsa derrete com caos contínuo criado por guerra EUA-Irã

Moeda americana registrou alta de 1,32 sobre ao real, cotada a R$ 5,28. O Ibovespa, o principal índice da B3, fechou em queda de 2,64%

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Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles - Foto: Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images

Depois de um dia de breve alívio, os mercados de câmbio e ações voltaram a operar, nesta quinta-feira (5/3), com forte aversão ao risco. Mais uma vez, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio, no sexto dia da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, foi o vetor desse movimento, ampliado pelas incertezas sobre a duração e os desdobramentos do confronto.

Com isso, o dólar subiu 1,32% em relação ao real, cotado a R$ 5,28. Na véspera, ele caiu 0,89%, a R$ 5,21. O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 2,64%, aos 180,4 mil pontos. No dia anterior, subiu 1,24%, aos 185,3 mil pontos.

Nesse mesmo embalo, as taxas de DI, que representam os juros futuros, voltaram a subir, assim como a remuneração dos títulos públicos. Na prática, Isso quer dizer que o mercado passou a cobrar mais caro para financiar a dívida do governo.

A moeda americana também avançou em relação a outras moedas de peso. Às 16h25, o índice DXY, que mede a força do dólar em relação a seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), subia 0,49%, aos 99,29 pontos.

Ibovespa

No Ibovespa, as ações de maior peso no índice, as “blue chips”, caíram em massa. Às 16 horas, a baixa arrastava a Petrobras (-0,68%) e os bancos como o Itaú (-2,83%), o Bradesco (-3,16%) e o Santander (-3,41%).

Na lista das gigantes, porém, o maior baque era registrado pela Vale (-4,10%). Além do perrengue geopolítico, os papéis da mineradora foram afetados por uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará. Ela pede a suspensão do funcionamento de um trecho da Estrada de Ferro Carajás, que atravessa a terra indígena Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins (PA).

Europa e EUA

As bolsas na Europa e nos Estados Unidos também recuaram. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 1,45%. Em Frankfurt, o DAX baixou 1,78% e, em Paris, o CAC 40 perdeu 1,49%. Em Nova York, às 17h45, o tombo também era generalizado: -0,75%, para o S&P 500; -1,83% no Dow Jones; e -0,55%, para o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Efeito dominó

A instabilidade no Oriente Médio cria um efeito dominó deletério na economia global. Esse impacto negativo ocorre em ao menos três camadas. Na primeira delas, há um fortalecimento do dólar, simultâneo a elevações abruptas na cotação internacional do petróleo. No segundo nível, vem a consequência dessas mudanças: um acirramento da inflação.

Por fim, com os preços em ascensão, as previsões de cortes de juros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, passam a ser colocadas em xeque. Em duas semanas, os bancos centrais brasileiro e americano anunciarão as novas taxas básicas dos dois países.

Selic

No caso da Selic, por enquanto, os analistas ainda acreditam em um corte de 0,50 ponto percentual. Antes da guerra no Oriente Médio, que entrou no seu sexto dia, muitas previsões apontavam para uma redução maior, de até 0,75 ponto percentual.

A agravante do cenário é que não há sinais de um fim rápido para o conflito. Ao contrário, os confrontos tendem a se alastrar. Nesta quarta-feira, Israel sofreu ataques do Irã e ameaçou agir no Líbano. Drones do Irã também chegaram ao Azerbaijão, deixando feridos e ampliando os limites da crise ao incluir na zona de tiro mais um produtor de petróleo.

Análise

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que a intensificação do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã aumentou a busca por proteção, impulsionando o dólar. Ao mesmo tempo, diz o analista, a forte elevação do petróleo, com o tipo Brent (referência para o mercado internacional) subindo cerca de 5%, recrudesceu as preocupações com impactos inflacionários globais, especialmente diante dos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% da produção da commodity.

Enrico Cozzolino, Zermatt Partners, nota que, nesta semana de confrontos no Oriente Médio, em quatro dias úteis, o Ibovespa zerou os ganhos do rali do último mês. Ele observa que, com notícias dos Emirados Árabes Unidos, alertando os moradores de Dubai sobre a aproximação de mísseis, esse quadro só fez piorar. “Essa insegurança que envolve países vizinhos ao confronto tem provocado uma realocação dos fluxos”, diz. “Numa fuga para a segurança, ouro e dólar acabam sendo as alternativas.”

Cozzolino destacou a elevação dos juros futuros, nos contratos para janeiro de 2027. Eles bateram em 13,56%, máxima que não era vista desde janeiro.

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