Dólar e Bolsa dão “cavalo de pau” com Trump falando em fim da guerra
Dólar, que já vinha caindo 0,80% frente ao real, passou a desabar 1,52%, a R$ 5,16. Ibovespa, que subia 0,24%, anotou elevação de 0,86%
atualizado
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Os mercados de câmbio e ações globais deram uma guinada brusca a partir das 16h20, pouco antes do fechamento dos pregões desta segunda-feira (9/3). A mudança foi provocada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que a guerra no Oriente Médio pode acabar em breve. Talvez, em cinco semanas.
Com a informação, o dólar, que anotava queda de 0,79% frente ao real, cotado a R$ 5,20, passou a desabar de forma bem mais intensa, com queda de 1,50%. Ele fechou em baixa de 1,52%, a R$ 5,16.
No Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), a situação não foi diferente. Ele vinha em alta de 0,24%, aos 179,7 mil pontos. Mas, com as declarações de Trump, embicou para cima, subindo 1,43%. O indicador fechou com avanço de 0,86%, aos 189,9 mil pontos.
Nos Estados Unidos, a virada não foi diferente. Às 14h30, os principais índices de Nova York caíam em bloco: -0,56%, o S&P 500: -0,99%, o Dom Jones; e – 0,22%, o Nasdaq, que concentra os papéis de empresas de tecnologia.
Com a informação sobre um possível fim dos conflitos, dada em entrevista por Trump, todos os indicadores passaram para o azul. Às 16h45, o S&P 500 subia 0,74%, o Dow Jones avançava 0,56 e o Nasdaq disparava 1,20%.
O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), também registrou o fenômeno. Ele subia 0,16%. Com o menção ao fim dos combates, começou a recuar 0,11%.
O fato é que as declarações atribuídas a Trump mudaram o humor do mercado, criando em poucos minutos um clima favorável a investimentos em ativos de risco. Antes disso, os investidores amargavam baixas.
À reboque da guerra
Nesta segunda-feira, portanto, os mercados globais seguiram à reboque da guerra no Oriente Médio. O foco dos investidores e analistas concentrou-se, inicialmente, na cotação internacional do petróleo, que avançou até US$ 100 o barril, aproximando-se de US$ 120 em alguns momentos do fim de semana.
No sábado (28/2), antes da eclosão do conflito no Oriente Médio, a cotação média do barril da commodity (do tipo Brent, a referência mundial) era de US$ 73. No último fim de semana, ela quase bateu em US$ 120. O valor não ultrapassava a barreira dos US$ 100 desde 2022.
Instabilidade crescente
A alta abrupta e intensa compromete a estabilidade econômica. Daí, os temores. Mesmo porque ela cria uma expectativa de alta da inflação. Com isso, balançam as previsões de queda de juros, tanto no Brasil como nos Estados Unidos.
Algumas delas, antes da entrevista de Trump, estavam sendo reduzidas; outras, adiadas. Os bancos centrais dos dois países decidem o patamar das novas taxas em duas semanas, na quarta-feira (18/3).
Defasagem
Para o Brasil, a alta do petróleo traz uma agravante: a defasagem do preço dos combustíveis no Brasil bateu novos recordes. De acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Petrobras está vendendo o diesel 85% mais barato, na comparação com o mercado global. No caso da gasolina, essa diferença é de 49%.
Sergio Araújo, presidente da Abicom, ressaltou que esse descompasso considera a abertura do mercado desta segunda-feira, na comparação com o fechamento de sexta-feira (6/3). Com o decorrer do pregão, os números, portanto, podem mudar.
Bolsas afundam
Nesse quadro, as bolsas que fecharam antes da afirmação de Trump afundaram. Na Ásia, a queda foi generalizada.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi afundou mais de 8%, quando foi acionado o “circuit breaker“. Esse mecanismo interrompe as negociações por 20 minutos, quando as perdas atingem um nível elevado demais. No fechamento, Kospi reduziu parte das perdas, com recuo de 5,96%.
Na Europa, o pessimismo também prevaleceu. O índice pan-europeu Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, baixou 0,67%. O DAX, de Frankfurt, caiu 0,77% e o FTSE 100, de Londres, 0,34%. O CAC 40, de Paris, cedeu 0,98%.
Ibovespa
No Ibovespa, a baixa quase generalizada vinha sendo parcialmente contida pelas petroleiras. Elas se valorizaram com a alta global do petróleo. Às 14h30, a Petrobras subia 4,04% (ON, as ordinárias, com direito a voto em assembleias). Nesse mesmo setor e horário, o ritmo de avanço era liderado pela Prio (+5,27%).
Entre as outras empresas de grande peso no Ibovespa, a maior parte delas apresentou resultados negativos. Caíram Vale e os grandes bancos, como o Itaú e o Bradesco.
Na avaliação da corretora Ativa, os destaques negativos do Ibovespa ficam com as ações da MRV, que recuam 7,74%, seguidas pelos papéis da Raízen, com baixa de 7,27%. A MRV caiu depois da divulgação do balanço do 4° trimestre de 2025.
Tensões crescentes
No último fim de semana, as tensões aumentaram no Oriente Médio não só com bombas, mas com a definição de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã. Ele é filho do aiatolá Ali Khamenei, morto no sábado (28/2), no início dos confrontos. Nesta segunda, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que “não estava contente” com a escolha.
No inicio desta semana, também não vingou uma possibilidade de aliviar as tensões globais. Em reunião, os ministros de finanças do G7, o grupo dos sete países mais ricos do mundo, não chegaram a um acordo sobre a liberação de reservas estratégicas de petróleo, o que poderia baixar o preço da commodity. Uma nova reunião do grupo está prevista para esta terça-feira (10/3).
Análise
Na avaliação de Felipe Sant’Anna, do grupo Axia Investing, o gatilho da reviravolta das bolsas americanas (intensificado no Brasil) foi acionado pelas notícias sobre a entrevista dada por Trump, comentando a questão de um fim iminente para a guerra.
“Foi uma fala apenas, mas existe uma coletiva marcada para ocorrer ainda hoje às 18h30”, diz o analista. “Vamos aguardar. Mas isso mudou o quadro dos mercados. No Brasil, a informação ampliou a queda do dólar e a alta do Ibovespa.”
Sant’Anna observa que o Ibovespa já vinha se mantendo no azul, graças ao desempenho das ações do setor do petróleo, em particular, e energia, em geral. “O olhar dos investidores também se voltou para um possível aumento de energia pela Petrobras, fato que não aconteceu, mas já temos relatos de que o preço do diesel já está subindo em vários locais do Brasil”, diz o especialista.
