Dólar e Bolsa andam de lado com investidor cauteloso diante da guerra

Estáveis: moeda americana anotou leve alta de 0,04% sobre o real, cotada a R$ 5,15. O Ibovespa, o principal índice da B3, subiu só 0,28%

atualizado

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Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano
1 de 1 Imagem colorida de maços de notas de dólar norte-americano - Foto: Costfoto/NurPhoto via Getty Images

O dólar registrou alta de 0,04% em relação ao real, cotado a R$ 5,15. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com pequena elevação de 0,28%, aos 183,9 mil pontos. Por serem pequenas, na prática, ambas as variações indicam estabilidade tanto no câmbio como no mercado de capitais no Brasil.

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a alta do dólar frente ao real refletiu o ambiente de maior cautela no cenário internacional. “As tensões geopolíticas no Oriente Médio, envolvendo o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, seguem elevando o prêmio de risco geopolítico global”, diz o analista. “Isso, especialmente diante das ameaças ao transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz (por onde circulam cerca de 20% da produção mundial da commodity).”

Shahini observa que esse contexto sustenta a volatilidade e a alta de hoje no preço do petróleo, à medida que receios de interrupções na oferta global permanecem. “Esse ambiente de maior cautela favorece o fortalecimento do dólar no exterior, em um movimento típico de busca por proteção”, afirma. “O mercado também vem ajustando as expectativas para a política monetária americana, com redução das apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).”

Nesta quarta-feira, a cotação internacional do petróleo manteve-se em alta, embora em ritmo menor do que o observado no início da semana. Às 16h30, por exemplo, os contratos futuros do barril do tipo Brent, que serve de referência para o mercado global, subia 5%, a R$ 92,2 (contratos para maio). Esse salto chegou a 15% em alguns momentos, como no último domingo (8/3).

Quedas na Europa e EUA

Nessa toada, as bolsas da Europa fecharam majoritariamente em queda. Em Londres, o FTSE 100 baixou 0,56% e, em Frankfurt, o DAX caiu 1,59%. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,19% e em Milão, o FTSE MIB recuou 0,95%.

Os índices de Nova York também operavam no vermelho. Perto do fechamento, às 16h50, o recuo era de 0,09% no S&P 500 e de 0,63 no Dow Jones. O Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, subia apenas 0,08%.

Juros e varejo

No Brasil, as preocupações com a política monetária foram acentuadas, depois da divulgação de dados sobre crescimento do varejo. Na prática, as informações mostram uma economia aquecida.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 2,8% em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na comparação com dezembro, o segmento avançou 0,4%.

Os resultados foram bem melhores do que as expectativas apontavam. Segundo pesquisa da Reuters, os analistas projetavam uma queda mensal de 0,1% (veio a alta de 0,4%) e uma elevação de 1,65% na base anual (ela ficou em 2,8%).

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