Dólar sobe e Bolsa afunda com petróleo a US$ 100 e inflação no Brasil
Moeda americana avança 1,25%, a R$ 5,22, e Ibovespa registra queda de 2,73%. Tensão aumenta com fechamento do Estreito de Ormuz e IPCA forte
atualizado
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Os mercados de câmbio e de ações voltaram a viver um dia de forte aversão ao risco nesta quinta-feira (12/3). Às 11h30, o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), afundava em queda de 2,30%, aos 179,7 mil pontos. O dólar, no mesmo horário, subia 0,90%, cotado a R$ 5,20.
Pouco depois do meio-dia, esses mesmos números deram outro salto (e para pior). O dólar disparou 1,25%, a R$ 5,22 e o Ibovespa derreteu 2,73%, aos 178,8 mil pontos.
No cenário global, os investidores reagem ao agravamento do conflito no Oriente Médio, entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Ali, em específico, amplia-se o temor de alta do preço do petróleo, com os sucessivos problemas envolvendo o Estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% da produção global da commodity é escoada.
Às 9h20, o barril do tipo Brent, que serve de referência para o mercado internacional, registrava alta de 7,10%, a US$ 98,50, nos contratos para maio deste ano. Às 11h30, a elevação já era de 9,12% e o preço bateu em US$ 100,36.
Pressão permanente
A pressão de alta da commodity é permanente desde o início do conflito, no sábado (28/2). E ela não arrefeceu nem mesmo com a ação coordenada da Agência Internacional de Energia (AIE) que concordou, na quarta-feira (11/3), em liberar 400 milhões de barris de petróleo para o mercado global.
Esse foi o maior despejo de reservas emergenciais do produto da história. O objetivo da medida era reforçar o fornecimento para conter a escalada da cotação.
Sem escolta
Na quarta e na madrugada desta quinta-feira, a tensão aumentou com o ataque ao Porto de Basra, a partir do qual o Iraque interrompeu a operação nos terminais de petróleo do país. Na terça, a Marinha dos Estados Unidos também comunicou que não escolta navios pelo Estreito de Ormuz, no coração do teatro de combates.
Em paralelo, as incertezas aumentaram com declarações ameaçadoras feitas pelo comando militar do Irã, na terça-feira (10/3). Ele alertou que o mundo deve se preparar para um petróleo a US$ 200 o barril.
Mensagem
Para fazer ecoar os temores, a primeira mensagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, foi justamente sobre Ormuz. Ele disse nesta quinta-feira que o estreito deve permanecer fechado. A passagem, acrescentou, será usada como uma ferramenta de pressão sobre
os Estados Unidos e Israel.
Inflação no Brasil
No cenário doméstico, os investidores acompanharam a divulgação, nesta quinta-feira, dos números da inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ela subiu 0,70% em fevereiro, acima das projeções do mercado, que previam 0,64%.
Para analistas, essa diferença terá efeito negativo na definição do novo patamar de juros do país. Ele será definido na próxima quarta-feira (18/3), pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).
Note-se que os números da inflação em fevereiro não captam os efeitos negativos sobre a economia global, provocados pela guerra no Oriente Médio. Isso inclui a disparada do preço do petróleo, que saiu da casa dos US$ 73, antes do início da guerra, e bateu em US$ 100 nesta quinta-feira. No início do conflito, ele encostou em US$ 120.
