Filho que decapitou a mãe é denunciado por feminicídio em MG
Ministério Público ainda pediu que um novo laudo sobre a saúde mental do suspeito seja entregue; filho matou mãe a facadas e decapitou corpo

Belo Horizonte – O Ministério Público de Minas Gerais denunciou à Justiça o homem de 26 anos acusado de matar e decapitar a própria mãe, Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, em Belo Horizonte. O órgão enquadrou o crime como feminicídio qualificado por crueldade e pelo uso de recurso que impediu a defesa da vítima. Além da denúncia, o órgão pediu a manutenção da prisão preventiva e a reavaliação do laudo que examinou as condições mentais do acusado.
O crime ocorreu na madrugada de 21 de junho, no apartamento onde mãe e filho moravam, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste da capital. Na ocasião, o filho estrangulou a mãe enquanto ela dormia e, em seguida, desferiu golpes de faca no pescoço e no tórax dela. Após a morte, ele decapitou o corpo.
O Ministério Público afirma que não concorda com o resultado do laudo sobre as condições mentais do acusado e, por isso, solicitou à Justiça que o exame seja reavaliado. O documento de peritos da Polícia Civil atesta que o suspeito tem transtornos psicóticos.
Entenda o caso
- Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava com o filho;
- O suspeito confessou o crime aos policiais militares e entregou a faca utilizada;
- Segundo as denúncias, ele matou a mãe após ela decidir que deixaria de sustentá-lo financeiramente e passaria a exigir que ele trabalhasse;
- O MP afirma que a relação entre os dois era marcada por controle, violência psicológica, ameaças e dependência financeira;
- A denúncia pede a condenação por feminicídio qualificado, a manutenção da prisão preventiva e a reavaliação do laudo psiquiátrico.
Ameaças e agressões
De acordo com a investigação, o filho havia retornado de Portugal cerca de um ano antes do crime e passou a morar com a mãe. Conforme apurado pelo Ministério Público, ele se recusava a trabalhar, dizia ser o proprietário do imóvel e exigia que Jussara arcasse com todas as despesas da casa.
Ainda segundo a Promotoria, havia histórico de ameaças de morte, agressões e episódios em que ele chegou a impedir a entrada da mãe no apartamento.
Após o assassinato, o homem tomou banho e permaneceu no imóvel. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos, que estranharam a ausência de contato com a vítima. Os militares precisaram arrombar a porta do apartamento para entrar no local.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm depoimento às autoridades policiais, o suspeito alegou que ouviu uma “voz” ordenando que ele matasse a própria mãe e que, após cometer o crime, resolveu tomar banho e dormir.
“Crueldade”
Para o Ministério Público, a “crueldade do crime” ficou caracterizada pela asfixia, pela quantidade de golpes de faca e pela decapitação da vítima.
O órgão também sustenta que Jussara foi surpreendida enquanto dormia, o que impediu qualquer possibilidade de defesa, e aponta como motivo torpe o fato de o crime ter sido cometido após a mãe interromper o sustento financeiro do filho e exigir que ele buscasse trabalho.



