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Retrospectiva 2020: o ano em que o esporte parou, mas não se calou

Covid-19 e perda de diversos ídolos adicionaram tom de tragédia ao ano, mas atletas mostraram resiliência e não hesitaram em se posicionar

Samir Mello, Paulo Victor Soares27/12/2020 00:01, atualizado 27/12/2020 10:44
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DINO CALVO/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Retrospectiva 2020: o ano em que o esporte parou, mas não se calou

Você já escutou, de várias formas diferentes, como o ano de 2020 foi difícil. A pandemia de Covid-19 chegou para ceifar vidas, prejudicar a economia do mundo e nos afastar daqueles que mais amamos. O esporte, é claro, não deixou de ser afetado.

Um a um, campeonatos pelo mundo inteiro foram paralisados. Sem fonte de renda dos torcedores e da audiência da televisão, grandes instituições, ligas e equipes entraram em crise, tendo que demitir funcionários e sugerir acordos de redução salarial com suas grandes estrelas (algo que não foi bem recebido em diversas situações).

Sem esportes, o mundo teve que prestar atenção e lidar com outra grande praga: a injustiça social. Fomos forçados a acompanhar o racismo e o machismo em suas piores formas. Os atletas – ao menos grande parte deles – responderam à altura, pedindo mais igualdade, incentivando a mudança de leis e cobrando maior representatividade em cargos importantes, relembrando que esporte e política andam, sim, de mãos dadas.

E quando os campeonatos retornaram, esses mesmos craques voltaram a vencer e a nos encantar. No entanto, em mais um golpe de crueldade, 2020 ainda nos tiraria outras duas lendas do esporte, Kobe Bryant e Diego Maradona, deixando fãs abalados no mundo todo.

Tal é o poder do esporte de afetar nossa vida com as conquistas dos grandes astros e nos fazer chorar com seus erros e despedidas. E o ano de 2020 foi bem servido de altos e baixos.

A seguir, o Metrópoles relembra os principais acontecimentos do esporte em 2020:

Janeiro
Kobe Bryant memorial
Logo no primeiro mês do ano, 2020 deu indícios de que não seria nada fácil. Kobe Bryant morreu em um acidente de helicóptero que vitimou outras sete pessoas. Entre elas, sua filha Gianna Bryant, de apenas 13 anos.
Fevereiro
Maya Gabeira onda
Na Praia do Norte, em Nazaré (Portugal), Maya Gabeira bateu seu próprio recorde mundial, com uma onda de 23,5 metros, a maior já surfada por uma mulher. A marca foi reconhecida pelo Guinness World Records.
Gabriel Barbosa Flamengo
O Flamengo dá continuidade a um ano iluminado, conquistando mais dois títulos em 2020: a Supercopa do Brasil, contra o Athletico-PR, no Mané Garrincha, e a Recopa Sul-Americana, contra o Independiente Del Valle.
Março
Estádio Juventus
A Organização Mundial da Saúde (OMS) decreta que estamos vivendo uma pandemia de coronavírus, e o impacto nos esportes é imediato. Diversas ligas de diferentes modalidades começam a suspender as atividades pelo mundo por tempo indefinido.
Olimpíadas Tóquio 2020
Entre os eventos esportivos postergados, nenhum teve mais impacto do que o adiamento das Olimpíadas de Tóquio. Na era moderna, foi a primeira vez que isso ocorreu. Eles haviam sido cancelados em três ocasiões: 1916, 1940 e 1944, por causa da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais.
Abril
Treinando em casa
Com o estouro da pandemia do novo coronavírus, atletas foram obrigados a se adaptar à nova rotina na quarentena. Os esportistas tiveram que achar formas criativas para manter a boa forma, praticando atividades físicas em casa.
Maio
Protestos George Floyd
Dias após o assassinato de George Floyd por um policial em Minnesota, diversos protestos antirracistas irromperam pelos Estados Unidos e pelo mundo. Atletas como LeBron James, Lewis Hamilton e Naomi Osaka, entre outros, se uniram à revolta, mais uma vez relembrando o papel do esporte e do atleta como agentes de transformação social.
Junho
Djokovic
Enquanto os números de mortes aumentavam e o mundo tentava encontrar meios de combater o vírus de forma eficaz, alguns atletas optaram pelo mau exemplo, sendo flagrados em festas e outras aglomerações, “furando” a quarentena. Um dos símbolos dessa irresponsabilidade foi o tenista Novak Djokovic. O sérvio organizou uma série de partidas de exibição, envolvendo outros tenistas e torcedores. O número 1 do mundo e sua esposa, posteriormente, testaram positivo para a Covid-19.

Liverpool

Uma das primeiras ligas esportivas a retornar aos trabalhos, no mundo, a Premier League coroou o Liverpool como campeão. Os Reds saíram de uma fila de 30 anos graças a Jürgen Klopp, Alisson, Henderson, Salah, Mané, Firmino e Cia.

Julho
Jorge Jesus Flamengo
Jorge Jesus acerta ida ao Benfica, mas antes se despede do Flamengo com mais um título: o Campeonato Carioca, contra o rival Fluminense. O Mister encerra sua passagem pelo Brasil tendo vencido o Campeonato Brasileiro, a Libertadores, um estadual, a Recopa Sul-Americana e a Supercopa do Brasil.
Agosto
Barcelona Messi Bayern
A Champions League resumiu suas atividades em uma espécie de bolha, a exemplo do que aconteceu na NBA, mas o Barcelona preferiria que o torneio não tivesse sido retomado. Nas quartas de final, os catalães foram massacrados pelo Bayern de Munique por 8 x 2, o que desencadeou uma novela sobre o futuro de Messi na Espanha. No fim, os eficientes alemães se sagraram campeões, batendo o PSG de Neymar.
Palmeiras campeão paulista
Os campeonatos estaduais se encerram, com destaque para o título do Palmeiras sobre o Corinthians no Campeonato Paulista. Logo após o fim desses torneios, tem início o Campeonato Brasileiro, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus.
Setembro
Flamengo Independiente Del Valle
Os times brasileiros também retornam às disputas da Copa do Brasil e da Libertadores, expostos aos perigos da Covid-19. Em um caso grave de surto da doença no elenco, o Flamengo chegou a ter quase 20 jogadores infectados após viagem ao Equador, onde enfrentou o Independiente Del Valle e o Barcelona de Guayaquil.
Outubro
LeBron Lakers
Após mais de três meses, a NBA completou o seu bem-sucedido experimento na “bolha” montada em Orlando, coroando o Los Angeles Lakers como campeão. Durante o tempo que manteve os jogadores isolados, a liga não registrou nenhum caso de infecção pelo coronavírus.
Lewis Hamilton Black Lives Matter
Lewis Hamilton bate o recorde de vitórias registrado por Michael Schumacher, chegando ao primeiro lugar do pódio pela 92ª vez, no Grande Prêmio de Portugal. Semanas depois, o britânico venceria o seu sétimo título mundial, empatando com o alemão e coroando um ano no qual mostrou não ser apenas um grande campeão dentro das pistas, mas um defensor da justiça social, chamando a atenção para diversas causas, entre elas, o racismo.
Novembro
Despedida de Maradona
Diego Armando Maradona, uma lenda do futebol, ídolo na Itália e algo próximo a Deus na Argentina, morre, aos 60 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Personalidades do esporte, da música, líderes políticos e torcedores pelo mundo afora, todos tocados de alguma forma pelo talento de “Don Diego”, prestaram homenagens ao ex-jogador.
Jake Paul Nate Robinson
Mike Tyson voltou aos ringues após 15 anos, vencendo Derrick Jones Jr. em uma luta de exibição. Apesar de ter sido anunciado como o duelo principal, o combate mais falado foi entre o youtuber Jake Paul e o ex-jogador da NBA Nate Robinson, que terminou com o ex-Chicago Bulls, Boston Celtics e New York Knicks nocauteado, de cara no chão.
Dezembro
Homenagem Paolo Rossi
Morre Paolo Rossi, aos 64 anos. O carrasco do Brasil na Copa de 1982 faleceu na Itália. As circunstâncias da morte ainda são desconhecidas.
Gerson Flamengo racismo
Estouram casos de racismo no futebol mundial. Na Champions League, a partida entre PSG x Istanbul Basaksehir é paralisada e adiada devido a uma denúncia de injúria racial por parte do quarto árbitro do jogo contra um membro da comissão técnica do time turco. Em Goiás, um garoto de 11 anos acusa o treinador do time adversário de racismo. No jogo Flamengo x Bahia, o volante Gerson denuncia Indio Ramírez por comentário racista.