Em meio a “Mauricios”, esporte resiste e acolhe pessoas LGBTQIA+

Nem tudo está perdido e o Metrópoles lembra histórias recentes para dar uma dose de esperança de um mundo melhor

atualizado 28/10/2021 1:01

Bandeira LGBTQIA+John Early/Getty Images

O caso mais recente de homofobia no esporte, envolvendo o jogador de vôlei Mauricio Souza, mostra o lado mais sujo do preconceito que ainda existe no ambiente esportivo. Mas, nem tudo está perdido e o Metrópoles lembra histórias recentes para dar uma dose de esperança de um mundo melhor.

Muitos clubes pelo mundo se manifestam em apoio às causas da comunidade, anualmente fazendo ações como no Dia do Orgulho LGBTQIA+, por exemplo. Em agosto de 2021, o Everton, time de Richarlison, criou uma camisa com bandeiras LGBTQIA+ e depois leiloou-as para arrecadar dinheiro para programas de conscientização.

Em janeiro de 2020, o goleiro Nahuel Guzmán entrou em campo com o cabelo pintado das cores da bandeira LGBTQIA+ e fez uma publicação que dizia: “Os casos de discriminação por homofobia seguem presentes em nossa sociedade e o futebol não é exceção. Entender nossa enorme diversidade social e avançar nos direitos pela inclusão é compromisso de todos.”

Novas páginas da história

Também em janeiro daquele ano, a assistente técnica ofensiva do San Francisco 49ers, Katie Sowers, fez história ao se tornar a primeira mulher declarada LGBTQIA+ a treinar uma equipe na National Football League (NFL) e ainda disputar o Super Bowl.

“Sendo o primeiro, é histórico. Sempre deve haver um primeiro a fazer uma alteração, mas o mais importante é garantir que eu não seja a última”, ressaltou ela.

Em junho de 2021, Carl Nassib também entrou para a história quando assumiu sua homossexualidade e passou a ser o primeiro jogador em atividade da NFL a se abrir desta forma. “Eu realmente espero que, um dia, vídeos assim e todo o processo de se assumir não sejam mais necessários, mas até lá, eu farei a minha parte em cultivar uma cultura de aceitação e compaixão”, disse o atleta.

Um mês depois, a Olimpíada de Tóquio-2020 bateu recorde por ter pelo menos 142 atletas LGBTQIA+  em 25 países que disputaram os jogos.

E não dá para falar em Tóquio-2020 sem lembrar de Douglas Souza que, sem medo de julgamento e preconceitos, foi o queridinho dos brasileiros dentro e fora das quadras. O jogador da Seleção Brasileira de vôlei é assumidamente gay, foi um ícone de representatividade durante a Olimpíada e continua sendo referência, se posicionando quando é necessário, como no caso de Mauricio Souza.

E no mesmo dia que Mauricio foi oficialmente dispensado do Minas Tênis Clube por suas posições homofóbicas, o australiano Joshua Cavallo, do Adelaide United, time da primeira divisão do país, fez uma publicação nas redes sociais assumindo ser homossexual e desabafou: “Eu estive lutando com minha sexualidade por mais de seis anos e estou feliz por não precisar mais fazer isso.”

“Como jogador de futebol gay, sei que existem outros jogadores que vivem em silêncio. Quero ajudar a mudar isso, mostrar que todos são bem-vindos no futebol e merecem o direito de serem autênticos”, afirmou Josh.

Por um ambiente mais acolhedor

O então capitão do Watford, hoje jogador do Birmingham City, Troy Deeney, deu uma declaração, em junho de 2020, pedindo que o futebol fosse um ambiente mais aberto para a comunidade LGBTQIA+: “Falo para que fique registrado: provavelmente, há um jogador gay ou bissexual em cada time de futebol. Acho que agora existe uma plataforma maior do que nunca para ser um atleta gay de qualquer natureza.”

“Também me pergunto por que as pessoas se aposentam do futebol, do rúgbi, ou de qualquer outro esporte, e depois falam ‘eu sou gay’. Sinto que deve ser um fardo muito pesado para carregar por toda a sua carreira esportiva”, completou o atacante.

Nessa mesma linha, em janeiro de 2021, o sueco Albin Ekdal, da Sampdoria, opinou que o futebol masculino devia aprender com as mulheres a aceitar pessoas LGBTQIA+: “As mulheres provavelmente são mais espertas e mais civilizadas em grupos que os homens.”

“Nós deveríamos aprender com elas como fazer isso, porque obviamente queremos que demonstrar seu amor seja tão aceito entre os homens como é entre as mulheres. Isso deveria afetar muito pouco o futebol, mas tristemente, esses problemas ainda estão aqui”, pensou Ekdal.

Tabu quem?

O presidente da Copa do Mundo do Catar, Nasser Al-Khater, declarou, em dezembro de 2020, que nenhum objeto que faça alusão e promova os direitos LGBTQIA+ será retirado das arquibancadas durante o evento. “Temos um país que é conservador, mas somos um país acolhedor”, disse.

“Somos abertos e acolhedores. Compreendemos a diferença nas culturas das pessoas. Entendemos a diferença nas crenças das pessoas e, então, acho que, novamente, todos serão bem-vindos e todos serão tratados com respeito.”

Nos Jogos de Tóquio, a remadora polonesa Katarzyna Zillmann, medalhista de prata no remo categoria four skiff, agradeceu sua namorada ao dar entrevista sobre a conquista e revelou: “Já falei sobre isso em entrevistas antes, mas por algum motivo não foi publicado.” Ela disse também que queria usar de sua voz como medalhista olímpica para ajudar a comunidade LGBTQIA+.

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