Quadrilha que lucrou R$ 2 milhões com golpes em idosos é alvo da PCDF

Criminosos tinham a meta de lucrar R$ 10 mil por semana no Distrito Federal

RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLESRAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

atualizado 13/06/2019 12:07

Cerca de 60 policiais civis do Distrito Federal cumpriram sete mandados de prisão e 10 de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (13/06/2019). As ações ocorreram no âmbito da Operação Skoria, deflagrada em São Paulo. Os alvos são suspeitos de aplicar golpes em idosos da capital da República. Investigadores da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte) que conduzem o caso estimam que as vítimas foram lesadas em ao menos R$ 2 milhões.

As investigações tiveram início em abril, quando quatro homens foram flagrados dentro de uma agência bancária do Lago Norte. Os estelionatários presos à época são naturais de São Paulo, mas agiam no Distrito Federal desde 2017.

De acordo com a Polícia Civil (PCDF), eles eram especialistas em forjar erros em caixas eletrônicos para reterem os cartões de clientes. O golpe era aplicado após uma espécie de dispositivo (chupa cabra) ser instalado nas máquinas.

A PCDF estima que ao menos 20 pessoas caíram no golpe. Os homens presos em abril foram identificados: Adriano Silva Santiago, Roberto Alexandre de Melo, Marcelo Oliveira Brandão Romano e Fábio Rodrigues Vieira dos Santos. Após o flagrante, os policiais passaram a investigar outros nomes que integram a organização criminosa, como motoboys e “criminosos assistentes”, que contribuíam para a concretização dos atos.

Segundo a Polícia Civil, cada estelionatário tinha por meta a captação semanal de R$ 10 mil com a fraude. Os investigadores estimam que o prejuízo causado pelos criminosos supera a cifra de R$ 2 milhões.

 

Três núcleos

“Verificamos que os furtos mediante fraude estariam ocorrendo em três núcleos complementares de uma única organização: de executores diretos, dos responsáveis por realizarem movimentação bancária e núcleo responsável por fornecer apoio logístico”, destacou o delegado-chefe da 9ª DP, Marcelo Fernandes.

De acordo com os policiais, por meio da união de cada núcleo, os crimes ocorriam da seguinte forma: os suspeitos de São Paulo deslocavam-se para diversas unidades da Federação, onde ficavam por uma semana. Durante esse período, os criminosos escolhiam agências bancárias aleatórias, especialmente do Banco do Brasil, e assumiam uma divisão de tarefas necessária para que cada crime pudesse ser consumado.

“Nessa estrutura, um criminoso ficava responsável por instalar um dispositivo artesanal nos terminais bancários. Outro colocava adesivos nos terminais bancários com falsos números de central de atendimento, enquanto um terceiro comparsa realizava a abordagem das vítimas. No momento em que o cartão magnético delas ficava retido no caixa eletrônico, um deles fazia a subtração ou a troca do cartão magnético por outro pertencente a uma vítima já lesada anteriormente”, detalhou Fernandes.

As apurações concluíram que esses criminosos faziam parte do núcleo de executores diretos. Após cada ação, as vítimas eram induzidas, ainda mediante fraude, a entrarem em contato com a central de atendimento da instituição bancária por meio do prefixo de telefone mencionado no falso adesivo instalado.

Um outro integrante do grupo criminoso (núcleo logístico) entrava em ação, desta vez, na cidade de São Paulo (SP). O criminoso subtraía o padrão alfanumérico de cada vítima, correspondente ao cartão e o fornecia para os integrantes do núcleo de execução direta.

Com as informações, os estelionatários começavam a realizar compras em máquinas de cartões de crédito e débito. “Outros integrantes da organização ficavam responsáveis por realizar a movimentação bancária dos valores ilícitos, dividindo as quantias entre eles, transformando-os em mercadorias diversas ou os empregando na economia formal como se fossem lícitos. Esses criminosos pertenciam ao núcleo de auxiliares financeiros”, ressalta o chefe da 9ª DP.

Também foi comprovado que os suspeitos dissimulavam a origem das vantagens ilícitas com a compra de cartões-presente de redes de supermercado diversas. Eles eram adquiridos pelo valor de mercado e, posteriormente, eram comercializados por valor inferior ao do comércio, transformando o capital ilícito captado em dinheiro em espécie.

Ainda segundo a PCDF, os investigados atuaram nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.

“A operação realizada pela Delegacia do Lago Norte foi identificada como Skoria justamente em razão da sua etimologia e da repugnância do modus operandi empregado pela organização criminosa investigada, que conforme restou comprovado, somente atuava praticando crimes em desfavor de pessoas idosas e especialmente em razão da característica vulnerável dessas pessoas.”

Delegado Marcelo Fernandes

Se condenados, os acusados podem pegar de 3 a 5 anos de prisão por integrarem organização criminosa, 1 a 5 anos de reclusão por tentativa de estelionato, além de multa. A pena pode ser agravada, pois as vítimas são idosas.

Flagrante

O flagrante de abril ocorreu dentro de uma agência do Banco do Brasil (assista aos vídeos abaixo). A prisão, no entanto, foi feita no shopping Deck Norte. Com os bandidos, os policiais apreenderam cartões e várias máquinas de crédito usadas para lavar dinheiro em compras.

Segundo a PCDF, eles informaram que aplicavam o golpe no DF porque havia mais chance de êxito. Em São Paulo, a organização adquiria as máquinas de bolso. “Quando os cartões eram retidos, um adesivo com falso número de 0800 era colado por eles. Isso induzia as vítimas a ligarem e repassarem informações sigilosas da conta durante o contato”, explicou o delegado da 9ª DP, Tiago Carvalho.

 

Veja vídeos dos suspeitos em ação:

 

Alerta

O delegado alerta a população, especialmente os idosos, sobre os riscos de aceitar ajuda de estranhos em agências bancárias. “De preferência, eles devem ir ao banco acompanhados por pessoas de confiança e nunca aceitar ajuda enquanto fazem uso dos terminais bancários, nunca repassar senhas, seja de números ou letras”, orienta.

Ainda de acordo com Oliveira, é preciso “ficar muito atento ao cartão que foi inserido no terminal, sem perdê-lo de vista, para evitar que o criminoso consiga realizar a troca ou a subtração”.

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