Réus detalham a maior chacina do DF durante 3º dia de julgamento

Os cinco envolvidos no homicídio de 10 pessoas de uma mesma família começaram a ser ouvidos nesta quarta-feira (15), no Tribunal do Júri

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1 de 1 reus-maior-chacina-df - Foto: HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

Os cinco envolvidos no caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal começaram a ser ouvidos nesta quarta-feira (15/4), no Tribunal do Júri de Planaltina (DF). O crime aconteceu entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

O primeiro depoimento, que teve início por volta das 10h, foi de Gideon Batista de Menezes. Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), Menezes foi o mandante do assassinato de 10 pessoas de uma mesma família. Durante depoimento no Plenário do Júri, no entanto, Gideon negou ter planejado a chacina e atrelou a participação nos homicídios a uma suposta ameaça feita pelo réu Carlomam dos Santos Nogueira e pela vítima Thiago Gabriel Belchior de Oliveira. “Até hoje me sinto mal por isso”, disse ele, em referência ao crime.

Gideon detalhou que foi coagido a esquartejar Marcos Oliveira, a sequestrar outras vítimas e enterrar corpos. O homem disse, ainda, que teve de assumir autoria do crime após ser torturado na delegacia de polícia com saco plástico, álcool e fogo.

Segundo o réu, Thiago e Carloman teria liberado o homem do cativeiro em algumas oportunidades. Gideon, porém, não procurou a polícia para denunciar o crime. Ao ser questionado pelo juiz responsável pelo caso sobre o motivo de não ter procurado ajuda, Gideon respondeu apenas que “é ex-presidiário” e “poderia ter sido morto na delegacia” ao narrar o “que estaria acontecendo” à época.

Após Gideon dizer que era monitorado a todo o tempo por Carloman e Thiago, o Ministério Público (MPDFT) projetou fotos em que o réu aparece desacompanhado da dupla durante o tempo em que os assassinatos foram cometidos.

Em uma das imagens, o promotor Marcelo Leite mostrou que Gideon está em um carro com a parte traseira repleta de materiais de mudanças, que seriam levados ao cativeiro onde as vítimas foram mantidas. Ao lado dele está Horácio Barbosa, outro réu que Menezes defende ser inocente. Ninguém mais é visto na foto. Mesmo assim, Gideon declarou que Thiago estava escondido embaixo dos objetos guardados no carro, por isso não é visto.

A mesma situação ocorre em outras ocasiões. Em uma delas, Gideon se limitou a dizer que “nada impede que pessoas estivessem ao redor vigiando ele”.

Durante depoimento, Gideon também esclareceu que não conheceu a vítima Marcos de Oliveira na prisão, como foi mencionado por testemunhas ouvidas ao longo do julgamento. Segundo o réu, um colega indicou a oficina de Marcos para ele. A partir daí, Gideon e a vítima teriam se tornado amigos.

Conforme o acusado, em 2019 Marcos o convidou para morar na chácara. Gideon disse que a vítima teria dito que conseguiria a posse da chácara em um processo de usucapião e que daria um pedaço do terreno ao acusado em troca de R$ 20 mil. Gideão, então, teria levado Horácio junto com ele para o terreno e cada um entregou R$ 20 mil a Marcos , acreditando que no futuro teriam um pedaço do terreno.


Até as 15h30, apenas Gideon havia prestado depoimento. Conforme informado pelo tribunal, a declaração dos réus seguirá a seguinte sequência:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.

O quinteto foi transferido para o tribunal sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.

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Réus da considerada a maior chacina do DF
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Crianças mortas

Ao responder questionamentos do promotor de Justiça, Gideon deu detalhes sobre a dinâmica da morte de Elizamar e dos três filhos dela. Os corpos deles foram encontrados carbonizados dentro de um carro em Cristalina (GO). O crime, segundo o réu, teria sido cometido por Thiago – esposo de Elizamar e pai das crianças.

Na cronologia apresentada, Horácio teria buscado Thiago por volta das 18h. Ao chegar à chácara, Thiago teria permanecido com Carlomann e Carlos Henrique. Já Elizamar chegou por volta das 22h. Gideon afirma que não estava presente nesse momento, mas, ao retornar, encontrou Elizamar e Thiago discutindo, sem saber o motivo.

Ainda conforme o depoimento, Thiago chamou Gideon para ir até um posto de combustível buscar gasolina para o carro de Elizamar. Gideon afirmou que o comportamento de Thiago era aparentemente normal naquele momento.

Ele relatou que Thiago comentou que o carro de Elizamar estava parado no acostamento da DF-250, com o pisca-alerta ligado. O réu descreveu que Thiago levou dois galões de gasolina e uma mangueira, colocando um dos recipientes dentro do veículo e outro no porta-malas.

Em seguida, Gideon estacionou seu carro atrás do veículo de Elizamar, enquanto Carlomann e Horácio chegaram ao local e se dirigiram ao seu carro. Segundo ele, ao passar por eles, foi obrigado pelo grupo a ir comer em um local próximo. “Não tinha opção. Estava com fome”, declarou.

Durante esse intervalo, Thiago teria ligado para Carlomann pedindo resgate, alegando problemas com o carro de Elizamar. Gideon afirmou que, ao retornar, avistou o carro de Elizamar pegando fogo e um homem na pista vindo em sua direção. Ele descreveu Thiago como “totalmente transtornado” e disse que estava triste e chorando pelo carro ter pegado fogo.

Mortes no cativeiro

O depoimento de Gideon acrescenta detalhes sobre o que teria ocorrido dentro do cativeiro ligado à chacina. Segundo ele, Renata e Gabriela morreram dentro do cativeiro. Gideon afirmou que ouviu barulhos e gritos, mas disse não saber exatamente o que aconteceu naquele momento. Ele contou que foi chamado por Carlomann, junto a Horácio, para ajudar após ouvir os barulhos.

Gideon declarou que chegou a tocar nos corpos das vítimas e relatou que Horácio tentou realizar uma massagem cardíaca em Gabriela, na tentativa de reanimá-la. No entanto, de acordo com sua versão, Gabriela teria sido estrangulada, enquanto Renata morreu após sofrer uma pancada na cabeça.

Ainda no depoimento, Gideon atribuiu a Thiago a responsabilidade pelas mortes, afirmando que ele teria matado a própria mãe e a irmã. Após as mortes, os corpos foram colocados em um veículo e levados para Unaí (MG).

O acusado relatou que Thiago orientou que os corpos fossem posicionados no banco do motorista e no banco do passageiro, com os cintos de segurança colocados, numa possível tentativa de simular uma situação dentro do carro.

Ele também afirmou ter sentido cheiro de gasolina no local. Em seguida, segundo seu relato, Thiago teria ordenado que ele soltasse o freio de mão do veículo no momento em que o carro começou a pegar fogo. Gideon disse que acabou se queimando durante essa ação.

Gideon contou ainda que permaneceu no cativeiro ao lado de Ana e Cláudia após os acontecimentos. Posteriormente, afirmou que Thiago disse que iria liberá-lo, mas exigiu que ele prometesse não procurar a delegacia.

Ele afirmou que aceitou a condição por medo, alegando ter temido pela própria vida.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão. Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.

Segundo depoimento

O depoimento de Fabrício apresentou uma versão que contesta parte das acusações feitas contra ele e detalha a dinâmica interna do grupo envolvido no crime. De acordo com o segundo réu ouvido durante o julgamento, a proposta inicial partiu de Gideon, apontado como a liderança do grupo. A ideia, de acordo com o relato, era realizar um crime com o objetivo de obter grande quantia em dinheiro.

Apesar de admitir participação em etapas do esquema, Fabrício negou envolvimento direto nas mortes. Ele também afirmou que a arma utilizada no crime não lhe pertencia.

Fabrício relatou que esteve na chácara a partir do dia 4 de janeiro de 2023, quando estavam presentes Renata e Gabriela. Posteriormente, chegaram Cláudia e Ana. Ele afirma que permaneceu no local realizando tarefas como preparo de refeições e limpeza do espaço. Fabrício afirmou que as vítimas permaneciam vendadas no cativeiro.

O réu negou qualquer participação nas mortes de Elizamar e de seus filhos, afirmando que só tomou conhecimento dessas mortes por meio da imprensa.

Ele também relatou que Gideon retornou ao local com queimaduras, o que gerou uma discussão entre os envolvidos após a descoberta das mortes de Renata e Gabriela. Nesse momento, Fabrício disse ter decidido deixar o cativeiro.

O acusado admitiu ter dirigido o carro de Marcos até o cativeiro, com o objetivo de simular que a família teria viajado. Também confirmou que Thiago foi sequestrado e levado ao local.

De acordo com Fabrício, o plano inicial não previa assassinatos, mas sim a tomada da propriedade para posterior venda. Ele afirmou que acreditava que as vítimas seriam libertadas após a assinatura de documentos de transferência da chácara.

O depoente disse ainda que recebeu ordens de Horácio para queimar roupas das vítimas, sob a justificativa de que o local seria transformado em uma oficina. Também relatou que Gideon pediu que ele guardasse um veículo ligado ao crime em um lava-jato.

Ao final do depoimento, afirmou que agiu motivado por dinheiro. “Eu só pensava nos meus filhos, porque foi uma barbaridade o que aconteceu com essas crianças”, disse. Ele também afirmou estar arrependido: “Me arrependo de ter participado e conhecido essas pessoas. Peço perdão para a família e por ter causado esse prejuízo”, declarou.

O réu Horácio Carlos Ferreira Barbosa, que atuou diretamente nos assassinatos, foi dispensado do júri, quando declarou que ficaria calado durante todo o seu tempo.

O terceiro dia de julgamento chegou ao fim pouco antes das 19h, após quase 9 horas de júri. Nesta quinta-feira (16/4), serão ouvidos Carlos Henrique Alves da Silva e Carlomam dos Santos Nogueira, também acusados de terem participado ativamente da maior chacina do DF.

Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
  • O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
  • Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
  • As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias.
  • Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
  • Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
  • Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
  • Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
  • Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.

Mais sobre o caso

Avaliado em R$ 2 milhões, o terreno no Itapoã que motivou os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas tem cachoeira privativa, ampla área de capim de gado e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.

O plano, então, era assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área

Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um. São eles:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia

A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.

A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família.

Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.

Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal.

Os quatro foram levados até Cristalina (GO), onde foram mortos, e os corpos, queimados dentro de um carro.

Na sequência, os acusados mataram as demais vítimas mantidas em cativeiro para evitar que os crimes fossem descobertos. Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram assassinadas.

Por fim, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos, e os corpos escondidos em uma cisterna.

Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial “O Fim de uma Família”.

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