Promotor sobre júri da maior chacina do DF: “Extremamente complexo”

Nathan Neto, promotor responsável pela ação penal do caso, definiu o caso como um desafio inédito para a Justiça do DF

atualizado

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Momentos antes do terceiro dia do Tribunal do Júri da maior chacina do Distrito Federal, um dos promotores responsáveis pela ação penal, Nathan da Silva Neto, definiu à imprensa o julgamento do caso como “extremamente complexo” de se julgar. Para o promotor, o caso em si é um desafio para Justiça do DF por não existir precedente na história da capital.

“É importante ponderar que se trata de um caso singular na história da violência do Distrito Federal. É um caso que envolve muitas vítimas, com muitas circunstâncias e um crime que se dilatou no tempo por cerca de vinte dias. Para nós isso é uma novidade no DF, então como toda novidade, isso traz desafios”, disse.

Segundo o Neto, as dificuldades do julgamento desse caso são inerentes a grandeza do crime em virtude da: quantidade de vítimas; do modus operandi; e também pela existência de uma “grande carga emotiva que precisa ser gerida” na condução do caso.

Daniel Bernoulli, promotor de Justiça do Ministério Público Federal e Territórios (MDFT), lembrou que os primeiros dias do júri foram bastante analíticos e exaustivos, mas satisfatórios.

“Trouxeram muitas informações que eram importantes para a trama criminosa. Conseguimos adiantar e ouvir diversas testemunhas, com depoimentos menores, mas que tinham pontos cruciais da motivação e da estrutura. Esses depoimentos ajudaram bastante para construir provas e para que os jurados possam tomar a decisão”, afirmou.

Questionado sobre as expectativas da promotoria em relação a condenação dos réus, o Nathan Neto enfatizou que “não existe uma pena que seja suficiente para responder a grandeza deste crime”.

“Também nem se pode perdoar porque é inimaginável. A expectativa da promotoria de justiça é que eles recebam a devida punição dentro da legislação. Nós temos muita confiança de que eles serão condenados com penas elevadas porque temos provas suficientes de todas as circunstância apontados pela denúncia”, concluiu.

3º dia do júri da maior chacina do DF

O terceiro dia começou por volta das 9h30 desta quarta-feira (15/4), no Fórum de Planaltina.

A expectativa é que, ao longo do dia, os cinco acusados, que sentam no banco dos réus, prestem depoimento sobre suas participações no crime que vitimou 10 pessoas de uma mesma família.


Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.

Momentos antes do julgamento ter início, o quinteto foi transferido para o tribunal sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão.

Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
  • O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
  • Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil. As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
  • Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
  • Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal. Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
  • Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.

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