Depoimentos dos réus marcam 3º dia do júri da maior chacina do DF

Os acusados serão ouvidos nesta quarta-feira (15/4) no 3º dia de júri da chacina que matou 10 pessoas da mesma família

atualizado

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HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
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1 de 1 jurimaior-chacina-df - Foto: HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

O terceiro dia do Tribunal do Júri da maior chacina do Distrito Federal começou por volta das 9h30 desta quarta-feira (15/4), no Fórum de Planaltina. A expectativa é que, ao longo do dia, os cinco acusados, que sentam no banco dos réus, prestem depoimento sobre suas participações no crime que vitimou 10 pessoas de uma mesma família.

São aguardadas falas de Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva.

Nessa terça-feira (14/4), 12 testemunhas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, foram ouvidas no local até as 21h. No total, 18 pessoas prestaram depoimento.

Conforme informado pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT), não há previsão da escuta de novas testemunhas, com exceção do delegado Ricardo Viana, que foi convidado a depor novamente após as declarações dos réus. Viana comandou a investigação do crime em janeiro de 2023, quando ainda estava lotado na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).

O Júri da chacina teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h daquele dia, com depoimentos colhidos de 6 testemunhas. Conforme informado pelo Ministério Público, o Júri deve ser encerrado em 19 de abril, caso as oitivas não terminem antes.


Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
  • Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
  • Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
  • Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.

Momentos antes do julgamento ter início, o quinteto foi transferido para o tribunal sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão.

Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.


Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
  • O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
  • Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil. As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
  • Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
  • Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal. Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
  • Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações

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