Chácara que foi pivô de chacina no DF pertencia a coronel do Exército

Em 1982, a chácara foi adquirida no valor de 5 mil cruzeiros à época pelo tenente-coronel do Exército Álvaro Pedro Cardoso Ávila

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1 de 1 foto-chacara-onde-familia-morava-6-2 - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Apontada como uma das motivações para a chacina de Planaltina, a chácara onde vivia a família Belchior, no Itapoã (DF), na verdade, pertencia a outro dono, desde 1982, conforme registrado em escritura. O local foi adquirido no valor de 5 mil cruzeiros à época pelo tenente-coronel do Exército Álvaro Pedro Cardoso Ávila e herdada pela sua viúva e filhos.

Segundo as investigações da Polícia Civil do DF (PCDF), a chácara onde Marcos e a família viviam era avaliada em R$ 2 milhões, e teria sido o pivô do assassinato da família. A terra tem 5,20 hectares, que corresponde a cinco campos de futebol, e possui cachoeira privativa.

No local, viviam Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54; Renata Juliene Belchior, 52; e Gabriela Belchior de Oliveira, 25. Além deles, moravam na gleba Gideon Batista de Menezes, 55 anos, e Horácio Carlos, 49, ambos réus após terem assassinado 10 pessoas da mesma família.

O dono legítimo da terra faleceu em 2007 e a família dele contratou um caseiro, que passou a cuidar das terras, entre 2012 e 2019. No entanto, o caseiro decidiu ir embora e, antes, redigiu um contrato de cessão da vaga de trabalho, sem autorização da família de Álvaro, e o lote teria sido ocupado por outra pessoa. Posteriormente, em 2019, Marcos e a família começaram a morar no local.

Os filhos e a viúva de Álvaro entraram com ação de reintegração de posse e a briga judicial não havia sido decidida até a tragédia que vitimou Marcos Antônio e outras nove pessoas da família.

Em fevereiro de 2023, um mês após a chacina, a defesa dos herdeiros da atual dona do terreno recomendou, então, que os processos fossem encerrados e a família Ávila tomassem a posse de volta da chácara.

“A posse tinha sido esbulhada da minha cliente, como não havia mais ninguém no local, pedimos para arquivar o processo e minha cliente retomou a posse”, disse o advogado da família de Álvaro, Cristiano Fernandes.

Atualmente, não se sabe se o terreno foi vendido ou se ainda pertence à família do ex-militar do Exército.

Chacina de Planaltina

Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Gideon Batista de Menezes começaram a ser julgados pelo Tribunal do Júri, nessa segunda-feira (13/4), no Fórum de Planaltina (DF).

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Fabrício Silva Canhedo: é apontado como responsável pela vigilância do cativeiro
Réus estão sentados lado a lado mas não podem se comunicar
Segundo dia do júri popular da maior chacina do DF
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Promotor Marcelo Leite e Daniel Bernoulli, do MPDFT
Delegado Ricardo Viana, responsável pela investigação à época do crime, prestou depoimento nesta terça-feira (14/4)
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Delegado Ricardo Viana, responsável pela investigação à época do crime, prestou depoimento nesta terça-feira (14/4)

HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto
Fabrício Silva Canhedo: é apontado como responsável pela vigilância do cativeiro
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Réus estão sentados lado a lado mas não podem se comunicar
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Cinco réus são acusados de matar 10 pessoas da mesma família
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Cinco réus são acusados de matar 10 pessoas da mesma família

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Conforme a denúncia do MPDFT, os suspeitos podem acumular 358 anos de pena. Eles responderão pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.

O crime foi cometido em janeiro de 2023, mas os criminosos começaram a arquitetar o plano três meses antes. Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e mortos um a um.


As vítimas são:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca;
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos;
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal;
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal;
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago;
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar;
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos;
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.

Entenda o caso

  • Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
  • O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
    Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
  • As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
  • No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias.
  • Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
  • Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
  • O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
  • Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
  • Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima.
  • Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
  • Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados.
  • Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
    Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.

Reportagem especial

Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial “O Fim de uma Família”.

 

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