Chacina: corpo de vítima foi partido em 9 pedaços e escondido em cova
A informação foi confirmada pelo delegado Ricardo Viana, na manhã desta terça-feira (14/4), no Tribunal do Júri dos envolvidos no crime
atualizado
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Primeiro a ser morto no caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos, foi esquartejado em 9 pedaços e teve o corpo colocado em uma cova. A informação foi confirmada pelo delegado Ricardo Viana, na manhã desta terça-feira (14/4), no Tribunal do Júri dos envolvidos no crime.
À época, Viana estava à frente das investigações na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá).
Durante depoimento no segundo dia do julgamento, o delegado informou que a execução do crime começou na chácara do Itapoã, quando Marcos; sua esposa, Renata Juliene Belchior, 52; e a filha deles, Gabriela Belchior de Oliveira, 25, foram rendidos. No local, Marcos foi baleado na nuca.
Depois disso, o grupo criminoso levou as três vítimas para a casa usada como cativeiro, em Planaltina (DF). Na mesma noite, o homem foi esquartejado na cozinha daquela residência por Gideon Batista de Menezes e Horácio Carlos Ferreira Barbosa, que enterraram a vítima no local em uma cova rasa.
“Horácio nos falou na delegacia que o corpo estava no chão, embaixo de um carro estacionado no cativeiro”, narrou o delegado.
Segundo Viana, em 27 de dezembro, a ideia dos criminosos – Gideon, Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira e um adolescente de 17 anos – era render Marcos, Renata e Gabriela na chácara.
Gideon deu acesso a Carlomam e ao menor, no intuito de simular um roubo à residência. Horácio Barbosa estava no local e fingiu-se de vítima. No entanto, Marcos teria reagido ao suposto assalto e foi atingido por Carlomam com um tiro na nuca.
“Disseram que Marcos chegou vivo no cativeiro. Disseram que ele soltava suspiros, coisas que interpretaram como sinais de vida. Nesse momento, Gideon e Horácio começara a esquartejar Marcos. A vítima teria sido levada de carro até o cativeiro”, declarou.
Durante a madrugada, o adolescente entrou em pânico com a brutalidade, pulou o muro da casa e fugiu.
“Gideon, nesse momento, decreta a morte do adolescente. Carloman acha o adolescente, deu mais dinheiro para ele e manda ele ficar quieto”, contou Ricardo Viana.
Ao todo, 10 pessoas de uma mesma família foram mortas. O crime brutal, cometido com requintes de crueldade, foi praticado por pessoas próximas às vítimas, que tinham como objetivo a apropriação da chácara onde que viviam os integrantes da família. A área, contudo, nem sequer pertencia aos mortos.
Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:
- Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
- Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
- Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
- Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
- Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.
O quinteto foi transferido para o tribunal do Júri sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão.
Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
Entenda o caso
- Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
- O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
- Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
- As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
- No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias.
- Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
- Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
- O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
- Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
- Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
- Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
- Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
No primeiro dia do julgamento, a mãe de Elizamar, uma das vítimas da chacina contou como tem lidado com o luto e o que espera do julgamento. Ela afirmou que a morte da filha e dos netos é uma dor que não passa, mas acredita na condenação dos acusados.













