Menor envolvido em chacina fugiu do cativeiro ao ver esquartejamento
Menor contou à PCDF que pulou o muro do cativeiro, no Vale do Sol, em Planaltina, quando viu a vítima ser desmembrada
atualizado
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Um adolescente de 17 anos que teve participação no caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, teria deixado de participar do plano de matar 10 pessoas de uma mesma família ao presenciar o esquartejamento Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54.
A informação foi passada pela delegado Ricardo Viana, nesta terça-feira (14/4), durante depoimento no Tribunal do Júri dos 5 réus envolvidos nas mortes.
Conforme relatou o delegado, que estava a frente das investigações em janeiro de 2023, o adolescente contou que pulou o muro do cativeiro, no Vale do Sol, em Planaltina, quando viu a vítima ser desmembrada. O menor teria se assustado com a cena.
O relato se refere ao dia 28 de dezembro. Na data, o plano dos criminosos começou a ser executado na chácara do Itapoã, quando Marcos, a esposa Renata Juliene Belchior, 52, e a filha deles, Gabriela Belchior de Oliveira, 25, foram rendidos.
A ideia dos criminosos – Gideon Batista de Menezes, Fabrício Silva Canhedo, Carloman dos Santos Nogueira – era render o trio na chácara. A ação contou com a ajuda do adolescente. Gideon deu acesso a Carloman e ao menor no intuito de simular um roubo. Horácio Carlos Ferreira Barbosa estava no local e se fingiu de vítima. No entanto, Marcos reagiu ao suposto assalto e foi atingido por Carloman com um tiro na nuca.
Depois disso, o grupo criminoso levou Renata, Gabriela e Marcos para a casa usada como cativeiro. Na mesma noite, o homem foi esquartejado na cozinha daquela residência por Gideon e Horácio, que enterraram a vítima no local.
Após a fuga do adolescente, Gideon teria determinado a morte dele. Carloman, então, intermediou a situação, deu mais dinheiro ao menor e o mandou ficar em silêncio.
O jovem, contudo, passou a gastar o dinheiro desenfreadamente e falar que teria participado do crime. A informação chegou à Polícia Militar do DF (PMDF), que apreendeu o adolescente e o levou a delegacia.
As declarações do menor ajudaram a elucidar o crime.
Chacina
O crime brutal, cometido com requintes de crueldade, foi praticado por pessoas próximas às vítimas, que tinham como objetivo a apropriação da chácara onde que viviam os integrantes da família. A área, contudo, nem sequer pertencia aos mortos.
No total, 10 pessoas de uma mesma família foram assassinadas.
As vítimas são:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia
A barbárie foi cometida em janeiro de 2023, mas os criminosos começaram a arquitetar o plano três meses antes, em outubro de 2022.
A participação de cada um no crime segundo o MPDFT:
Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano, Gideon morava na chácara das vítimas porque prestava serviços gerais à família. Ele confessou que, junto a Horácio, planejou todo o crime e alugou a casa onde manteve as vítimas escondidas antes de matá-las.
Horácio Carlos Ferreira Barbosa: assim como Gideon, morava na chácara prestando serviços gerais. Horácio atuou diretamente nos assassinatos se fingindo de vítima durante um assalto fake; sequestrando vítimas; enviando mensagens a familiares das vítimas se passando por elas; e enterrando, esquartejando e incendiando corpos e veículos.
Carlomam dos Santos Nogueira: se embrenhou no plano criminoso e participou diretamente dos sequestros e execuções. É o autor do tiro na nuca que matou Marcos Antônio, autodeclarado dono da chácara. Chegou a ficar foragido após as prisões de Gideon e Horácio, mas se entregou dias depois.
Fabrício Silva Canhedo: além de atuar nos sequestros, foi responsável pela vigilância do cativeiro onde as vítimas ficaram escondidas e também pela ocultação do carro de Cláudia, “segunda esposa” de Marcos Antônio.
Carlos Henrique Alves da Silva: último a ser preso, participou da rendição de vítimas. Tentou fugir pelo telhado de casa ao ser localizado por policiais.
Os cinco réus vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor
Se condenados, os criminosos podem pegar mais de 70 anos de prisão cada. Somadas, as penas podem chegar a 358 anos.















