Delegado diz que criança de 7 anos tentou defender a mãe de chacina
Filho da vítima, que também foi morto na chacina, teria confrontado assassino minutos antes da mãe ser executada
atualizado
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Durante depoimento prestado nesta terça-feira (14/4) no Tribunal do Júri do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, o delegado Ricardo Viana disse que uma das crianças mortas durante o extermínio de 10 pessoas de uma mesma família tentou defender a mãe dos assassinos. O menino, que tinha 7 anos, também foi brutalmente assassinado no crime.
O delegado, que em janeiro de 2023 comandava as investigações, contou, em juízo, que a informação foi passada pelo réu Carloman dos Santos durante interrogatório na delegacia.
A fala de Carloman à polícia diz respeito à noite de 12 de janeiro, quando o carro das vítimas foi encontrado carbonizado em Cristalina (GO). No dia, Thiago Gabriel, pai das crianças e marido de Elizamar, foi atraído pelos criminosos até a chácara dos pais, no Itapoã. Lá, Thiago acabou rendido.
Os criminosos, então, usaram o celular de Thiago para atrair Elizamar da Silva e os filhos do casal para a residência. Ao chegar ao local, a mulher também foi feita refém. De lá, os criminosos seguiram para Cristalina (GO), com Elizamar e os três filhos dela, onde asfixiaram as vítimas e queimaram o carro da cabeleireira. As crianças ainda estavam vivas quando o veículo foi carbonizado.
Segundo o depoimento do delegado, Carlomam revelou que o filho mais velho de Elizamar, o pequeno Gabriel da Silva, de 7, tentou defender a mãe da morte.
“Se matar minha mãe, eu te mato”, teria dito o menino ao criminoso.
Ao todo, 10 pessoas de uma mesma família foram mortas. O crime brutal, cometido com requintes de crueldade, foi praticado por pessoas próximas às vítimas, que tinham como objetivo a apropriação da chácara onde que viviam os integrantes da família. A área, contudo, nem sequer pertencia aos mortos.
Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:
- Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
- Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
- Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
- Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
- Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.
O quinteto foi transferido para o tribunal do Júri sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão.
Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
Entenda o caso
- Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
- O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
- Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
- As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
- No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias.
- Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
- Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
- O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
- Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal. Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
- Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
- Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
No primeiro dia do julgamento, a mãe de Elizamar, uma das vítimas da chacina contou como tem lidado com o luto e o que espera do julgamento. Ela afirmou que a morte da filha e dos netos é uma dor que não passa, mas acredita na condenação dos acusados.
