Primeiro réu denunciado pela nova Lei do Feminicídio no DF vai a júri
Acusado de matar a companheira com dezenas de facadas no Sol Nascente (DF), Magecson dos Anjos Matias será julgado nesta terça-feira (2/6)
atualizado
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Magecson dos Anjos Matias (foto em destaque), acusado de matar a companheira Jucélia dos Santos da Silva, de 35 anos, com dezenas de facadas, será julgado nesta terça-feira (2/6) pelo Tribunal do Júri de Ceilândia. O caso é inédito no Distrito Federal, pois ele é o 1º réu denunciado com base na nova Lei do Feminicídio (Lei nº 14.994/2024).
A denúncia oferecida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em novembro de 2024, foi a primeira do DF por feminicídio consumado com base na nova legislação, que prevê pena de até 40 anos de prisão para o assassinato de mulheres em contexto de violência doméstica ou de gênero. A lei também endurece as regras para progressão de pena.
O crime ocorreu em 27 de outubro de 2024, no Trecho 2 do Sol Nascente, próximo ao Restaurante Comunitário da região. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), Jucélia foi atacada com golpes de faca na região do pescoço e morreu no local.
De acordo com o laudo cadavérico, a vítima apresentava 58 feridas perfurocortantes no rosto e no pescoço, além de múltiplas escoriações. O exame também apontou lesões de defesa nas mãos, braços e antebraços.
A causa da morte foi registrada como traumatismo cervical provocado por instrumento perfurocortante.
Segundo a denúncia e depoimentos colhidos durante a investigação, Magecson perseguiu a companheira em via pública antes do ataque. Testemunhas relataram que Jucélia tentou fugir, mas foi alcançada pelo agressor, que passou a golpeá-la repetidamente com uma faca.
Uma testemunha afirmou que o acusado dizia frases como “eu te falei que eu ia te pegar” enquanto desferia os golpes.
Magecson foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventina na audiência de custódia. No último dia 29, a Justiça analisou um pedido de liberdade feito pela defesa do réu, mas o juiz entendeu que não havia elementos novos para justificar a liberação do autor.
Linchamento
Após o assassinato, Magecson foi agredido por populares. Ele foi detido pela polícia e encaminhado ao Hospital Regional de Ceilândia devido aos ferimentos.
Durante as investigações, uma irmã do acusado relatou à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) que o casal não tinha filhos e mantinha um relacionamento marcado por discussões frequentes motivadas por ciúmes.
À época, o delegado Mauro Aguiar Machado afirmou que a quantidade de golpes indicava uma “descarga de ódio” contra a vítima.
“O ódio, a ira, cega o ser humano. A quantidade de golpes mostra uma descarga de ódio do autor contra a vítima”, declarou.
Segundo a investigação, Magecson e Jucélia estavam juntos havia cerca de dois anos. Os dois teriam saído de Barreiras (BA) em busca de melhores oportunidades de trabalho no DF.
Na denúncia, o MPDFT atribuiu ao acusado o crime de feminicídio praticado com emprego de meio cruel, em razão das múltiplas agressões sofridas pela vítima.